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Decreto de Greca cria Plano Cicloviário de Curitiba sem aprovação de ciclistas

Entidades reclamam falta de participação popular na elaboração do projeto e ausência de políticas de mobilidade sustentável. Ippuc nega

Por Admin
Decreto de Greca cria Plano Cicloviário de Curitiba sem aprovação de ciclistas
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As discussões para o Plano de Estrutura Cicloviária de Curitiba começaram em abril de 2018 e foram realizadas entre membros do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc) e do Conselho da Cidade (Concitiba). O plano - que prevê conexão entre ciclovias - foi lançado em primeiro de novembro, por decreto do prefeito Rafael Greca. O texto, porém, vem gerando críticas de entidades ligadas ao ciclismo, à engenharia e à arquitetura. Segundo elas, a elaboração do documento não teve participação popular nem apresenta políticas públicas de mobilidade sustentável. A afirmação é contestada pelo Ippuc, que assegura envolvimento da sociedade civil organizada.

“Na prática, existe poucaesperança que este plano seja, de fato, implementado, visto que o prefeitoRafael Greca ainda trata o modal cicloviário como um modal de lazer e que aprefeitura não apresentou nenhum tipo de estudo de viabilidade econômica, ouplano de ação e investimento, que contemple as diretrizes propostas. Istoindica que é uma ‘vontade’ ou um ‘desejo’, mas não necessariamente umcompromisso”, avalia o engenheiro civil, mestre em Planejamento Urbano, LuizHenrique Calhau da Costa, diretor do Sindicato dos Engenheiros no Paraná (Senge-PR).

De acordo com ele, o plano não é muito diferente do que já vem se discutindo desde a gestão anterior. “Tecnicamente é um avanço, pois representa a valorização do modal cicloviário. No entanto, o plano ainda é tímido, principalmente se considerarmos que várias vias importantes no sistema viário ainda não contarão com estrutura cicloviária.”

Entre elas, a Avenida Marechal Floriano Peixoto depois da Linha Verde até o Centro; a Avenida Manoel Ribas depois da Via Veneto até o Centro e todas as outras em que não há um prazo em projeto.

Para o Senge, e outras cinco entidades ligadas a ciclistas, arquitetos e professores da UFPR (que chegaram a publicar uma nota de repúdio à Prefeitura), houve um processo de negligencia na participação popular. “O Ippuc tem dificuldade em sistematizar quaisquer propostas da sociedade civil, seja de conselheiros ou de participantes externos, como a Ciclo Iguaçu. Estes promovem estudos técnicos e debates, tendo forte representatividade frente aos ciclistas da cidade. São capazes de mobilizar o cicloativismo.”

Cruzamentos registram muitas mortes, apontam ciclistas. Foto: Luiz Costa/SMCS

Ciclistas

Integrante do Concitiba até 2016, em 2019, a Associação de Ciclistas do Alto Iguaçu (Ciclo Iguaçu) participou das discussões para elaboração do Plano apenas como convidada. Mas poucas sugestões dos ciclistas foram aceitas, como mais pesquisas e dados. “Só há duas pesquisas no plano, uma de origem-destino outra do perfil do ciclista. Mas não aceitaram nossas pesquisas, realizadas com mil ciclistas da cidade, com questionário qualitativo. Fizemos contagens e sugerimos melhorias em cruzamentos, onde há muitas mortes”, explica o coordenador da associação, Fernando Rosenbaum.

Outras sugestões são campanhasde educação no trânsito e uma reavaliação do mapa proposto por onde passarão asciclovias, considerando os lugares que os ciclistas já passam como sendo rotasusuais. “E o plano não considera isso, mostrando uma análise defeituosa daestrutura cicloviária. Além das novas, é necessário refazer ou melhorar aqualidade das estruturas já existentes”, diz Rosenbaum.

Ciclofaixas nas canaletas sãoigualmente defendidas pela entidade. “Isso interligaria bastante a cidade paraos ciclistas, além deles poderem fazer o transporte da bike no ônibus, ochamado transporte intermodal.”

Rosenbaum lembra que Curitibaé a cidade com maior proporção de automóveis por habitantes. “Além de termos oVT mais caro do país. O prefeito investe muito no asfalto para velocidade dosautomotores quando a bicicleta deveria ser mais incentivada, havendo umdesencorajamento aos carros. É preciso repensar que tipo de transporte a cidadequer priorizar.”

Para o coordenador, o lançamento do plano foi “um grande ato publicitário para dizer que vão dobrar o número de ciclovias até 2025, mas não há recursos previstos para isso.”

Ciclovias estão previstas no Plano Diretor da Cidade. Ilustração: Ippuc

Ippuc

O Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc) destacou que ele está dentro do Plano de Mobilidade Cicloviária e precisa estar interligado ao transporte da cidade. Sua implantação integra o plano, porém, não há data para ela acontecer.

“Estratégico e parte do PlanoDiretor de Curitiba, o Plano de Estrutura Cicloviária de Curitiba, recentementeconcluído, é fruto de aprofundados estudos técnicos, que envolveramrepresentantes da sociedade civil organizada ao longo de mais de um ano e meiode trabalho, num processo de debate técnico aberto, transparente e plural. OPlano estabelece metas para o bem da coletividade curitibana, não de vontadesindividuais ou de grupos específicos.”

Em nota, o Ippuc informa que houveseis reuniões com os participantes do Concitiba e representantes do poderpúblico, com ampla agenda de apresentação e discussões em torno do tema.

“O Concitiba incluirepresentantes do Poder Legislativo, de lideranças do setor produtivo, deentidades profissionais, acadêmicas e de pesquisa, de organizaçõesnão-governamentais, sindicatos e movimentos populares. A CicloIguaçu não éefetiva do Concitiba, mas participou das discussões como convidada.

Representantes da Cicloiguaçu,elogiaram o plano e protocolaram sugestões, que foram remetidas à coordenação paraanálise e considerações. As demandas foram respondidas na íntegra peloscoordenadores do Plano de Estrutura Cicloviária e pela diretoria dePlanejamento do Ippuc.”

Tags: paraná

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