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Vote Nelas aponta disparidade na distribuição de recursos entre candidaturas femininas

Em Curitiba 160 candidatas receberam R$ 8.657.236 juntas

Vote Nelas aponta disparidade na distribuição de recursos entre candidaturas femininas
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A iniciativa Vote Mulheres publicou, nesta semana, um manifesto chamando atenção para a disparidade na distribuição de recursos do fundo especial e do fundo eleitoral entre as candidaturas femininas. Em Curitiba, de acordo com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), 160 candidatas do gênero feminino receberam R$ 8.657.236 juntas.

Em âmbito nacional os partidos receberão R$ 4,9 bilhões do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) para realização da campanha eleitoral. O partido detém a maior fatia do total do fundo é o PL, com R$ 886,8 milhões. Em segundo lugar, está o PT, que recebeu R$ 619,8 milhões. Em seguida, aparecem o União (R$ 536,5 milhões); PSD (R$ 420,9 milhões); PP (417,2 milhões); MDB (R$ 404,6 milhões) e Republicanos (R$ 343,9 milhões).

O Agir, DC, PCB, PCO, PSTU e UP ficaram com menos recursos e devem gastar em torno de R$ 3 milhões nas suas campanhas.

Fonte: 72horas.org

Mulheres

Em Curitiba, conforme a plataforma 72horas.org, fez um levantamento de 444 candidaturas à Câmara Municipal. Ao todo, foram destinados R$ 16.236.187 em recursos. Todavia, este não é o número total de concorrentes. De acordo com o TSE há 752 pessoas candidatas ao cargo de vereador.

Baseado no que levantou o 72horas.org foram destinados R$ 8.657.236 para 160 candidatas e R$ 7.578.951 para 284 candidatos à Câmara.

O problema, todavia, é que há muita diferença entre o valor dos recursos recebidos entre mulheres do mesmo partido. Na última semana o Plural apurou que no partido Novo, por exemplo, as vereadoras e candidatas à reeleição Indiara Barbosa e Amália Tortato receberam 75% do fundão destinado à sigla.

“A disparidade na distribuição do fundo eleitoral entre candidatas mulheres em nosso país é um reflexo evidente das desigualdades que ainda assolam a renovação política. Enquanto algumas mulheres recebem vultosos R$ 500 mil para suas campanhas, outras têm que se contentar com meros R$ 5 mil. Essa diferença abissal desafia o conceito de democracia e fere profundamente o ideal de igualdade de oportunidades”, diz a nota do Vote Nelas, assinada por Isabela Lustosa, embaixadora da iniciativa no Paraná.

Leia a nota na íntegra

A distribuição desproporcional de recursos entre as candidatas nas eleições 2024

A disparidade na distribuição do fundo eleitoral entre candidatas mulheres em nosso país é um reflexo evidente das desigualdades que ainda assolam a renovação política. Enquanto algumas mulheres recebem vultosos R$ 500 mil para suas campanhas, outras têm que se contentar com meros R$ 5 mil. Essa diferença abissal desafia o conceito de democracia e fere profundamente o ideal de igualdade de oportunidades.

Como podemos esperar uma competição justa se o ponto de partida é tão desigual?

É imperativo que nós, mulheres, façamos uma política diferente da que os homens historicamente conduzem. Devemos promover uma política inclusiva, baseada em valores como a justiça e a equidade. No entanto, para que isso aconteça, a separação dos recursos financeiros precisa ser igual para todas. A atual distribuição desigual perpetua privilégios e impede que mulheres de diferentes realidades possam competir de maneira justa.

Esse sistema, que deveria servir como um alicerce para a representatividade feminina, tem, na verdade, perpetuado as estruturas de poder estabelecidas. Se queremos uma política verdadeiramente transformadora e inclusiva, é necessário um sistema de financiamento eleitoral que trate todas as mulheres de forma igual. Isso significa garantir que candidatas de diferentes contextos e trajetórias tenham os mesmos recursos para desenvolver suas campanhas, viabilizando a renovação política com novas ideias e soluções.

https://wp.plural.jor.br/noticias/vizinhanca/eleicoes-2024-cabos-eleitorais-lotam-a-rua-xv-em-busca-de-votos-para-os-candidatos/

Em pleno século 21, é inadmissível que o fundo eleitoral continue sendo um privilégio de poucas. A justa distribuição dos recursos é o primeiro passo para garantirmos uma disputa democrática de verdade, onde a política não seja apenas um jogo de elites, mas uma ferramenta de transformação e empoderamento.

Chegou a hora de nós, mulheres, lutarmos por uma política que nos inclua de maneira igualitária, que reflita a pluralidade e diversidade do nosso país. Não podemos aceitar que mulheres que compactuam com a velha política continuem sufocando nossas vozes. A justiça eleitoral deve estar a serviço de todas as mulheres, e não de uma minoria privilegiada

O Vote Nelas Paraná, como um movimento suprapartidário, fundado e liderado por mulheres de forma independente e colaborativa, não compactua com a aceitação de que algumas ‘candidatas’ recebam recursos do sistema que permite a distribuição desproporcional de recursos entre as candidatas.

Acreditamos que essa prática mina os princípios de igualdade e justiça que devem nortear a política. Para fortalecer a nossa democracia, é fundamental que a estrutura do fundo eleitoral seja revisada, garantindo uma distribuição justa e coerente para todas as candidatas que colocam seus nomes à disposição em prol de uma política mais inclusiva e representativa.

Isabela Lustosa

Embaixadora do Vote Nelas Paraná @vote.nelas.parana

Aline Reis

Aline Reis

Jornalista e especialista em Gestão da Comunicação, Assessoria e Marketing pela Universidade Positivo (UP). Mestra em Estudos de Linguagens pela UTFPR. Presidenta do Sindicato de Jornalistas Profissionais do Paraná.

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