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Fabricante de domos tem crescimento de 290% nas vendas do produto durante a pandemia

Empresa sediada em São José dos Pinhais pretende expandir atuação e meta é o atacado

Fabricante de domos tem crescimento de 290% nas vendas do produto durante a pandemia
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Durante a pandemia o designer de produto Jack Rocha tirou do papel uma ideia que vinha desenvolvendo há muito tempo: a construção de domos geodésicos. O nome pode ser complicado, mas o produto tem uma proposta simples, que é estimular o desenvolvimento das crianças usando a psicomotricidade.

Os domos, em suma, são estruturas curvadas (abóbodas) utilizadas na arquitetura. O primeiro construído data de 1926, por Walther Bauersfeld, na Alemanha. Ao longo de quase uma hora de conversa com o Plural, Rocha não escondeu o fascínio pela história, que agora viraram fonte de renda após a inauguração da Paradome Geodésicas.

A empresa fica em São José dos Pinhais, Região Metropolitana de Curitiba, e viu o volume de vendas crescer 290% entre 2020 e 2022.

A Paradome opera no mesmo barracão da Rocha Indústria e Comércio de Máquinas de Solda, pertencente a família do empreendedor, que a exemplo de outras do setor sofreu um baque provocado pela Covid-19.

Rocha já vinha desenvolvendo os projetos dos domos desde 2015. Os protótipos foram testados pelos próprios filhos, atualmente com 6 e 15 anos. Em 2019 foram vendidas as primeiras unidades e em 2020 o negócio engrenou.

Com os filhos em casa, as mães (pais numa proporção bem menor) procuraram alternativas para distração das crianças. De 2020 para 2021 foi registrado um aumento de 70% nas vendas, apesar de um ataque cibernético que tirou as redes sociais do ar durante três meses e da incerteza da pandemia.

A principal matéria-prima utilizada é o aço, que é fornecido por uma empresa de Curitiba. Os domos são confeccionados por dois funcionários, utilizando maquinários da indústria Rocha. A pintura dos objetos é feita com uma parceira da região e o envio para os clientes direto de São José dos Pinhais por meio de transportadora.

De acordo com o empresário os estados para os quais foram feitas mais vendas são Minas Gerais, São Paulo, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e aí sim o Paraná. A empresa não divulga movimentação financeira da operação.

Jack Rocha e seu primeiro 'cliente': o filho Francisco. Foto: arquivo pessoal.

O produto e os clientes

A ideia dos domos é proporcionar independência para as crianças, mas também aos adultos. A empresa não monta o produto para o comprador. O modelo “Montanha”, por exemplo, tem 165 tubos e 61 conjuntos de arruelas e parafusos.

O cliente recebe o manual de instruções e ele mesmo monta o produto. O manual foi escrito por Rocha com instruções simples, após ele mesmo passar pelo processo de montagem dos protótipos.

Uma das características dos clientes da Paradome é que eles são adeptos do “faça você mesmo”.

“Eu perco alguns clientes porque têm receio de montar, mas o manual é simples. Inclusive recebi um feedback de dois irmãos de 8 e 13 anos que montaram sozinhos. Então o público é composto por gente que gosta de fazer esses trabalhos manuais.”

Jack Rocha.

Ao menos 30% das pessoas que entram em contato postergam ou declinam a compra ao saber que elas mesmas terão de montar os domos. Apesar disso, a logística de entrega e os custos em manter equipes de montagem nas diversas regiões deixariam a operação inviável para oferecer o serviço de montagem.

Para além dos casais com filhos, escolas são outro nicho atendido pela indústria. Em Curitiba grupos como Positivo e Marista já adquiriram domos, além de diversas unidades da Maple Bear pelo Brasil. “Uma das escolas comprou os domos e os próprios alunos montaram durante a aula de matemática.”

Os preços dos domos variam de R$ 2,2 mil a R$ 4,5 mil, mais a taxa de entrega.

Canais de venda

Com muitas pessoas confinadas por conta do distanciamento social, a Paradome já nasceu digital. Facebook e Instagram são os principais meios de publicidade e as vendas se concentram no e-commerce.

Atualmente a indústria não direciona nenhuma verba específica para marketing, porém, no início das atividades eram gastos de R$ 800 a R$ 1 mil para anúncios nas redes sociais.

O boca a boca (ou post em post) também faz diferença no faturamento. Feedbacks positivos na web atraem outros clientes.  Uma influenciadora de Curitiba fez um post que rendeu 1,2 mil seguidores para o Instagram da Paradome. “Ela comprou o produto e publicou nas redes dela. Foi um negócio bem absurdo, muita gente entrou em contato depois disso”, lembra Rocha.

A projeção agora é para ampliação do modelo de negócios – que atende no sistema de varejo. A aposta é iniciar uma produção em série e atuar com atacado.

Aline Reis

Aline Reis

Jornalista e especialista em Gestão da Comunicação, Assessoria e Marketing pela Universidade Positivo (UP). Mestra em Estudos de Linguagens pela UTFPR. Presidenta do Sindicato de Jornalistas Profissionais do Paraná.

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