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Em 2021, foram cortadas 18 árvores por segundo na Amazônia

Região concentrou 59% de toda área desmatada no Brasil

Em 2021, foram cortadas 18 árvores por segundo na Amazônia
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A reportagem foi atualizada às 13h53 do dia 18 de julho para acrescentar os dados corrigidos pelo MapBiomas

Em um ano, a Amazônia perdeu mais de 977 mil hectares de cobertura de vegetação nativa, o que corresponde a 59% de toda área desmatada no Brasil em 2021. Foram 111,6 hectares desmatados por hora, o que equivale a cerca de 18 árvores cortadas por segundo. Os dados são do Relatório Anual de Desmatamento no Brasil, produzido pelo projeto MapBiomas e que será lançado na próxima segunda-feira (18).

Segundo o documento, que analisou 69.796 alertas de desmatamento em 2021 em todo o território nacional, 66,8% das notificações foram da Amazônia, grande parte associada à mineração ilegal e o garimpo. Este ano, a edição do relatório identifica vetores de pressão do desflorestamento, como a agropecuária, o garimpo, a mineração e a expansão urbana. 

Depois da Amazônia, os biomas mais prejudicados foram o Cerrado, com pouco mais de 500 mil hectares (30%) desmatados, e a Caatinga, com mais de 116 mil hectares (7%). 

O relatório é o terceiro de uma série que tem como objetivo identificar alertas de desmatamento a partir da análise de imagens de satélites e cruzamentos de dados, como limites geográficos (biomas, estados, municípios e bacias hidrográficas), recortes fundiários (Cadastro Ambiental Rural, Unidades de Conservação e Terras Indígenas) e situação administrativa (existência de autorização, autuação ou embargo). 

Área de alertas validados nos biomas
Infogram

Desmatamento no Brasil

Em 2021, foram 16.557 km2 ou 1.655.782 hectares de cobertura de vegetação nativa desmatada em todos os biomas brasileiro, o que corresponde a um aumento de 20% no desmatamento em relação a 2020. 

Além de a área desmatada ter aumentado - em três anos foram 42 mil km², o equivalente à área do Estado do Rio de Janeiro - a velocidade média de desmatamento no país também cresceu: passou de 0,16 hectares por dia para cada evento de desmatamento em 2020 para 0,18 hectares por dia em 2021.

Biomas mais desmatados no Brasil em 2021. Imagem: MapBiomas

De acordo com o relatório, o Pará lidera o ranking de desmatamento no país, com 402.492 hectares. O Amazonas aparece em segundo lugar, com 194.485 hectares desmatados, seguido do Mato Grosso, com perda de 189.880 hectares, Maranhão, com 167.047 hectares desmatados, e Bahia, com 152.098. Juntos, os cinco estados responderam por 67% do desmatamento no Brasil em 2021.

Durante o ano passado, 13 estados superaram a marca de 1.000 alertas de desmatamento. Houve crescimento da área desmatada em 20 regiões, entre elas o Paraná, ficando estável em dois estados (Tocantins e Roraima) e caindo em apenas cinco (Alagoas, Santa Catarina, Espírito Santo, Rio de Janeiro e Amapá). 

Desmatamento ilegal 

Conforme o relatório, indícios ou evidências de irregularidades foram encontrados em mais de 98% dos casos de desmatamento. No entanto, até maio de 2022, as ações realizadas pelos órgãos de controle ambiental para conter o desmatamento ilegal, como embargos e autuações, atingiram apenas 2,4% dos desflorestamentos e 10,5% da área desmatada identificada entre 2019 e 2021.

Na Amazônia, nos 52 municípios considerados críticos pelas políticas do Ministério do Meio Ambiente, 4% do total de alertas e 21,2% da área desmatada tiveram ações de punição.

“Para resolver o problema da ilegalidade é necessário atacar a impunidade — o risco de ser penalizado e responsabilizado pela destruição ilegal da vegetação nativa precisa ser real e devidamente percebido pelos infratores ambientais”, explica Tasso Azevedo, coordenador do MapBiomas. 

Segundo Azevedo, é preciso assegurar que todo desmatamento seja detectado e reportado, que os infratores não se beneficiem da área desmatada ilegalmente e recebam ação de responsabilização e punição.

Onde estão as áreas desmatadas

No Brasil 69,5% de toda a área desmatada em 2021 estava em propriedades privadas. Destas, 14,1% eram em assentamentos rurais. Outros 10,6% recaíram sobre glebas públicas (porções de terra que não foram loteadas), e o desmatamento em áreas protegidas respondeu por 5,3%do total, sendo 1,7% nas Terras Indígenas (TI) e 3,6% nas Unidades de Conservação (UCs).

Um terço (33%) de todos os alertas detectados tem sobreposição com áreas registradas como Reserva Legal (RL). Isso representa 22% do total da área desmatada no país. O número de alertas que têm sobreposição com Áreas de Preservação Permanente (APP) declaradas no Cadastro Ambiental Rural (CAR) chegou a 5% do total (em área, 0,6%).

Nas UCs foram detectados 166.895 hectares de desmatamento. Das 2.181 UCs federais e estaduais terrestres registradas no Cadastro Nacional de Unidades de Conservação (CNUC), 252 (11,6%) tiveram pelo menos um evento com ao menos 1 hectare de terra afetado. Já as TIs tiveram 4,7% do total de alertas e 1,9% da área total desmatada no Brasil. A maior parte dos alertas e da área desmatada em TIs se encontra no bioma Amazônia.

Do total de 573 Terras Indígenas do Brasil (considerando as fases de reconhecimento e demarcação, inclusive com portaria de interdição), 232 (40,5%) tiveram pelo menos um evento de desmatamento. Além do Paraná, elas estão localizadas no Amazonas, Pará, Rondônia, Maranhão, Mato Grosso, Acre e Roraima.

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