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Plural estreia romance policial em folhetim neste domingo. Saiba como acompanhar

Nicolas Wolaniuk escreveu livro noir sobre o assassinato de Haroldo de Alencar, neto do escritor José de Alencar; livro será publicado em capítulos semanais a partir deste domingo

Plural estreia romance policial em folhetim neste domingo. Saiba como acompanhar
Nicolas Wolaniuk: estreia no romance com história policial. Foto: Tami Taketani/Plural

Você já ouviu falar de uma história policial ligada ao neto de José de Alencar? Pois é, hoje quase ninguém sabe, mas no século passado o assassinato de um dos netos do grande romancista abalou o Rio de Janeiro por vários motivos. Um deles: o fato de a vítima ser homossexual.

O escritor Nicolas Wolaniuk esbarrou com essa história e, como bom fã de histórias noir, resolveu ir atrás de tudo que encontrou. Remexeu nos jornais da época e descobriu que ali estava o tema de seu primeiro romance. Agora, em parceria com o Plural, "O Mysterioso Assassinato de Haroldo de Alencar" será publicado na íntegra, com um capítulo novo a cada domingo.

Leia abaixo a entrevista com o autor:

De onde veio a ideia de escrever sobre o caso Haroldo de Alencar?

Logo que descobri a Hermeroteca Digital da Biblioteca Nacional e comecei a brincar de ler alguns jornais antigos, fiquei fascinado pelo modo como os casos policiais eram narrados em parte da imprensa do começo do século passado. Acho que dá pra chamar de sensacionalismo, mas é um sensacionalismo com gosto pelo mistério e com reverência às paixões humanas. A Crítica é um bálsamo disso. Todos os cadernos policiais, de todos os exemplares, contém pelo menos um romance em potencial. Por que eu escolhi escrever sobre Haroldo (e não sobre qualquer um dos outros casos igualmente interessantes) é mais difícil de responder. Talvez por que, nas reportagens sobre o assassinato de Haroldo de Alencar, houve muita reticência em contar o que da fato acontecia na sua garçonnière e fui instigado pela vagueza das insinuações. 

Como foi a pesquisa sobre o caso? Quanto da história é ficcionalizado?

Eu parti das reportagens de jornal que encontrei. Esse livro se escreveu em uma negociação entre as notícias da época e a imaginação. Percebi logo que não era possível estabelecer um cronologia única dos acontecimentos e informações divergiam entre periódicos. Em linhas gerais, procurei me basear naquilo que era comum aos relatos a que tive acesso. Fiz com isso mais ou menos o trabalho do detetive: parti de resquícios legados pelo tempo e tentei imaginar uma história que explicasse suas origens. Não quis escrever um romance que ratificasse as informações dos jornais, mas um que desse conta da sua existência, mesmo quando essas notícias fossem mentiras ou equívocos com relação à verdade (ficcional) da narrativa. 

Você disse que sempre curtiu Agatha Christie e literatura noir. Como começou essa história?

Agatha Christie é uma das origens do meu interesse por literatura. Minha vida de leitor, como a de muitos outros, começou com os mistérios policiais: Poirot, Sherlock, Dupin. O primeiro que li dela foi O Assassinato de Roger Ackroyd e minha admiração pela sua literatura, desde então, se manteve intocada. 

Tenho certeza que a TV americana também nutriu meu gosto pelas histórias de enigma. Lembro com muito carinho, por exemplo, de assistir Monk na televisão. 

É rara a publicação de folhetins hoje. Você vê alguma vantagem nesse formato?

Só vejo vantagens. O folhetim sempre ofereceu aos romances a possibilidade de chegar a um público diferente e, em geral, mais amplo do que aquele que teriam se circulassem apenas em livro. O Plural é um jornal que dialoga de fato com seu público, é um jornal que as pessoas leem. Como autor estreante, me dou por satisfeito se meu romance for lido por um punhado de curiosos. Tenho a impressão que esse formato, no Plural, pode me propiciar justamente isso. 

O folhetim, aliás, combina muito com esse romance, que já nasceu, em sua estrutura e intenção, folhetinesco. É um livro inspirado por notícias de jornal, narrado por uma gravadora/clicherista de um jornal e cujo detetive é um comissário que, antes de ser comissário, foi jornalista. O Mysterioso Assassinato de Haroldo de Alencar não poderia estar mais em casa. 

E, diga-se de passagem, pela sinceridade da coisa, que hoje não há condições desse romance ser publicado em livro físico. Para publicar um livro, é preciso ou dinheiro para se autofinanciar, ou um público previamente interessado (sem o qual qualquer projeto de financiamento coletivo se torna só uma maquiagem para o autofinanciamento), ou uma editora que aposte suas fichas na obra. O Mysterioso Assassinato de Haroldo de Alencar ainda não teve nenhuma dessas sortes. 

O que os leitores podem esperar do teu livro?

Um pouco de diversão, eu acho. 

 

Rogerio Galindo

Rogerio Galindo

Jornalista, um dos fundadores do Plural.

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