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Espetáculo inspirado em livro que levou Krenak ao prêmio Intelectual do Ano estreia na Caixa Cultural Curitiba

"Ideias para adiar o fim do mundo", com Yumo Apurinã, leva ao palco um indígena evangelizado na infância que deseja reconstruir vínculos com sua ancestralidade entre memórias e reflexões 

Espetáculo “Ideias para adiar o fim do mundo” é inspirado em livro que levou Krenak ao prêmio Intelectual do Ano
Yumo Apurinã interpreta a si mesmo em “Ideias para adiar o fim do mundo”. Foto: Clarissa Ribeiro/Divulgação

O espetáculo “Ideias para adiar o fim do mundo” estreia na Caixa Cultural Curitiba, para curta temporada desta quinta-feira (24) até 4 de outubro. As sessões são de quinta-feira a sábado, às 20h, e domingo, às 19h. Os ingressos estão à venda na bilheteria do teatro e também online, a partir de R$ 10 (meia-entrada ou clientes do banco), e algumas apresentações já estão lotadas. 

Ailton Krenak e “Ideias para adiar o fim do mundo

A peça teatral é inspirada no livro homônimo de Ailton Krenak, que garantiu ao escritor em 2020 o prêmio da União Brasileira de Escritores (UBE) como Intelectual do Ano. O escritor do povo Krenak, líder indígena e ambientalista ocupa a cadeira número cinco entre os imortais da Academia Brasileira de Letras. 

Por sua vez, o espetáculo foi indicado em duas categorias do Prêmio Cenym de Teatro Nacional, em 2026: Melhor Ator, para Yumo Apurinã, e Melhor Texto Adaptado, também para ele, mas em parceria com o diretor João Bernardo Caldeira (adaptação feita a partir do pensamento de Ailton Krenak). 

Antes de chegar à cidade, o espetáculo teve temporadas esgotadas no Rio de Janeiro e em São Paulo; participou do Mirada - Festival Ibero-Americano de Artes Cênicas, promovido pelo Sesc em Santos-SP; e esteve na programação da COP30, em Belém do Pará, a convite da La Clima e da File Foundation.

Yumo Apurinã interpreta a si mesmo

Em cena, o enredo e a vida de Yumo se unem enquanto ele lança a pergunta: “Somos mesmo uma humanidade?” O ator é um homem da etnia Apurinã que, evangelizado na infância, busca reconstruir os vínculos com sua ancestralidade enquanto reflete sobre os impactos da colonização e os desafios enfrentados pelos povos indígenas. A montagem trabalha com a memória particular e também com fatos da formação do Brasil e das opressões a que os povos indígenas foram submetidos até a Constituição de 1988. Assim, reflete sobre quais vidas, saberes e modos de existir foram historicamente reconhecidos. 

O espetáculo ainda mostra para o público estereótipos que recaem até hoje sobre os povos indígenas, como explica o ator. “Você é índio de verdade? Come carne de macaco? Por que não está na sua aldeia?”, são algumas das perguntas que enfrenta diariamente. “Parece que, ao longo dos anos, desde quando eu vim pra cidade, as pessoas não indígenas me veem com uma lupa, assim, de verificação, de validação. De até que ponto eu sou indígena ou não, se eu mereço estar aqui, se eu devo estar aqui. E talvez, com essa peça e com outras peças em que outras pessoas indígenas são protagonistas das nossas histórias, essa lupa possa ser tirada”.

Crise climática

“Ideias para adiar o fim do mundo” também aborda a crise climática e a conexão com a natureza, conforme fala o diretor. “O teatro pode nomear e preencher ideias que estão se esvaziando, como ‘crise climática’ e ‘colonização’, até perdermos a relação com essas catástrofes. Não há floresta sem os povos que nela habitam”, diz Caldeira. 

“Queremos convidar o público a ampliar seus campos sensoriais e procurar experimentar outras maneiras de perceber aquilo que está à sua volta. Talvez reflorestar nossos imaginários seja também recuperar nossa capacidade de nos espantarmos com o mundo e, a partir daí, inventar outras formas de habitá-lo.” 

Yumo Apurinã e João Bernardo Caldeira

Yumo Apurinã nasceu em Cacoal, interior de Rondônia, onde o povo Apurinã, originário do Amazonas, firmou-se na Aldeia Mawanaty, do povo Cinta Larga, no município de Pimenta Bueno. Formou-se como ator pela Casa das Artes de Laranjeiras e, além de concorrer ao prêmio Cenym por “Ideias para adiar o fim do mundo”, foi indicado duas vezes ao prêmio da Associação de Produtores de Teatro (APTR). Escreveu e atuou nos solos “Tibira e a mãe” (2020); “Os meus olhos” (2021), em que sua interpretação venceu o prêmio FestiCAL Online; “Karaiba” (2023), adaptação da obra de Daniel Munduruku; “Voo Livre”, da Companhia Brasileira de Teatro; e “Guasu”, dirigida por Vilma Melo.

João Bernardo Caldeira é doutor em artes cênicas pela ECA-USP, onde desenvolveu a pesquisa sobre a cena contemporânea a partir da emergência de corpos dissidentes. É autor, diretor, professor, produtor e pesquisador teatral, além de jornalista cultural. Idealizou e produziu a peça “Para Meu Amigo Branco”, em 2023/24, com direção de Rodrigo França e inspirada no livro de Manoel Soares. Dirigiu, produziu e escreveu espetáculos como “Eu Quem Eu Somos”, “Avenida Central” e “Atafona O Fim”.

“Ideias para adiar o fim do mundo”

Local: CAIXA Cultural Curitiba Rua Conselheiro Laurindo, 280, Centro

Data: de 24 de setembro a 4 de outubro de 2026

Horário: quinta-feira a sábado, às 20h | domingo, às 19hSessões com intérprete de Libras: 25 de setembro e 3 de outubro de 2026

Ingressos: R$ 20 (inteira) | R$ 10 (clientes CAIXA e casos previstos em lei)

Vendas: bilheteria da CAIXA Cultural Curitiba e Bilheteria Digital

Duração: 75 minutos

Classificação: 12 anos

Capacidade: 125 lugares, sendo 2 para cadeirantes

Outras informações no site oficial da CAIXA Cultural Curitiba e pelos perfis no Instagram: @adiarofim, @yumoapurina e @joaobernardocaldeira.

Ficha técnica

Atuação, texto e cenário: Yumo Apurinã
Direção, texto, cenário, idealização e direção de produção: João Bernardo Caldeira
Voz em off: Ailton Krenak
Direção assistente: Carol Ozório
Preparação corporal: Giovanna Aguirre
Figurinos: Wangleys Manaó
Iluminação: Djalma Amaral
Trilha sonora original: Felipe Storino
Bases e paisagens sonoras: Xipu Puri, Felipe Storino, Juão Nÿn, Kae Guajajara e Kandu Puri
Projeções mapeadas: Renato Krueger
Consultoria iconográfica: Juão Nÿn
Colaboração artística: Cesar Augusto
Visagismo: Sandro Akroá
Cenotécnico: Humberto Silva Jr.
Residência artística: Aldeia Marakanã
Assistência de produção: Alípia Mattos
Produção local: Marcos Trindade
Assistência de produção local: Edran Mariano
Realização: São Bernardo
Patrocínio: Caixa Cultural

Luciana Nogueira Melo

Luciana Nogueira Melo

Jornalista apaixonada por cultura, moda e turismo. Cursou publicidade, letras, um pedaço de artes cênicas e outro de produção cênica. Já trabalhou com publicidade, produção, como locutora e na TV.

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Assuntos: teatro cultura

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