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“Assalto à Brasileira” é um heist movie cômico salvo por um Clark Kent brasuca

Adaptação do livro de Domingos Pellegrini sobre a história real do assalto ao Banestado em Londrina, o maior em número de reféns no país, estreia nesta quinta-feira (5) nos cinemas

“Assalto à Brasileira” é um heist movie cômico salvo por um Clark Kent brasuca
Murilo Benício e Christian Malheiros estrelam "Assalto à Brasileira". Foto: Divulgação
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Estreia nesta quinta-feira (5) “Assalto à Brasileira”, filme dirigido por José Eduardo Belmonte (“Alemão”, 2014) com roteiro de L.G. Bayão (“Aumenta que é Rock and Roll”, 2024) a partir do livro homônimo de Domingos Pellegrini. O pano de fundo das duas obras é uma história real, mas que parece coisa de cinema e agora é: o roubo à agência central do Banestado, em Londrina, em 10 de dezembro de 1987, quando sete homens renderam os vigias, mantiveram sob suas armas cerca de 300 pessoas, conseguiram 30 milhões de cruzados e fugiram num ônibus levando mais de dez reféns. O crime juntou uma multidão na porta do banco e torcida para o lado dos bandidos, em parte motivada pela hiperinflação que o país enfrentou nos anos 1980 junto com a desigualdade social, além de intensa cobertura local, e colocou o Norte do Paraná nas manchetes nacionais.

Sim, o número de reféns e a cifra já dariam caldo para ficção. Só que ainda tinha mais. O que parecia uma operação minuciosamente planejada era, na verdade, um grande improviso da quadrilha abençoada com a sorte dos principiantes que conseguiram quase tudo o que queriam sem deixar cadáveres pelo caminho. Ah, é claro, com o bônus de ter um jornalista que entrou no meio de tudo liberando reféns e virando notícia.

Clark Kent à brasileira

O repórter em questão é Paulo Ubiratan, que então trabalhava na Folha de Londrina. Já na comédia heist movie (filme sobre assalto), Murilo Benício dá vida ao protagonista irônico e perspicaz, que salva a situação e carrega boa parte do filme nos ombros. E isso não é problema algum, pois ele está ótimo no papel de um Clark Kent à brasileira. Como em “O Homem do Ano" (2003), adaptação do livro “O Matador”, de Patrícia Melo, o ator mostra que transpira cinema (com mais brilho do que na televisão inclusive). 

Ao lado dele, a outra grande interpretação é de Christian Malheiros, no papel de Moreno, o assaltante que ganhou a simpatia do povo no passado e conquista os espectadores no presente. Paulo Miklos, no papel do policial Fonseca; Robson Nunes, como Barba; Fernanda de Freitas, interpretando a esposa do jornalista; e Yohama Eshima, como a caixa do banco também estão muito bem. Contudo, a escolha e a direção dos figurantes de maior destaque poderiam ser melhores. (A exceção é Luiz Thunderbird. Sim, ele tem um papel no filme.)

Túnel do tempo

E a direção de arte, assinada por Denise Dourado, não parece ter sido golpe de sorte. Criou um túnel do tempo para quem já estava por aí no fim dos anos 1980. Confesso que estou curiosa para saber se as maçanetas redondas de vidro esperaram tantos anos intactas para entrar em cena ou se foram fruto do talento da equipe. Merece destaque também a escolha da trilha sonora que embala essa viagem rumo ao passado, com um ritmo até sarcástico vez ou outra para quem tem o ouvido apurado. Entre as faixas estão uma versão de "Jornal da Morte", de Miguel Gustavo, e clássicos do pop rock brasileiro da época como "Flores em Você", do Ira!, e "Coisas da Vida", de Rita Lee (aqui fica um quase spoiler, não deixe a sala de exibição antes da cena pós-créditos).

“Assalto à Brasileira” é um filme nacional, rodado em São Paulo e Londrina, que vale a pena assistir nos cinemas. É leve, divertido e histórico. Sem grandes pretensões, o longa-metragem garante bons momentos.

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Luciana Nogueira Melo

Luciana Nogueira Melo

Jornalista apaixonada por cultura, moda e turismo. Cursou publicidade, letras, um pedaço de artes cênicas e outro de produção cênica. Já trabalhou com publicidade, produção, como locutora e na TV.

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