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Curitiba encerra seleção de projetos para o Natal 2026 com 4 vagas vazias

Prefeitura encerrou a seleção de projetos do Natal 2026 com oito aprovados, somando R$ 14,9 milhões (+15% ante 2025), mas quatro das doze vagas ficaram sem proponente. Pacote de contrapartida publicitária encolheu.

Fachada da Catedral Basílica Menor de Nossa Senhora da Luz dos Pinhais, no centro de Curitiba
A Catedral Basílica, cenário do projeto "Catedral de Luz" aprovado na cota Diamante do Natal de Curitiba 2026 (Air Marketing e Entretenimento), com projeções mapeadas e trilha original. Foto: Tami Taketani/Plural

A Prefeitura de Curitiba fechou nesta terça-feira (21) a seleção dos projetos do Natal de Curitiba 2026 com oito propostas aprovadas, somando no mínimo R$ 14,9 milhões em investimento privado — alta de 15% em relação a 2025. Mas quatro das doze vagas previstas no edital ficaram sem proponente. O resultado final foi assinado pela Comissão de Chamamento Público do Instituto Municipal de Turismo (Portaria nº 8/2026 CTUR) e publicado nas páginas 17 e 18 do Diário Oficial do Município nº 196, de 21 de outubro de 2026.

O chamamento (Edital nº 01/2026) não repassa dinheiro público: as empresas é que bancam a montagem dos projetos natalinos e recebem da Prefeitura, em troca, um pacote de contrapartidas de publicidade — adesivos nos vidros traseiros dos ônibus (busdoor), faces de mobiliário urbano, veiculação em painéis de terminais e no Coreto Digital do Passeio Público, postagens nas redes oficiais, plotagem de estações tubo e placas no local. O que define em qual "cota" cada proponente entra é o valor que ele próprio investe no projeto. Pelo item 17.3 do edital, Apresenta exige a partir de R$ 6 milhões; Diamante, entre R$ 2,8 milhões e R$ 5,99 milhões; Ouro, entre R$ 2 milhões e R$ 2,8 milhões; Prata, entre R$ 750 mil e R$ 1,99 milhão; e Bronze, entre R$ 300 mil e R$ 749 mil.

Os oito aprovados são: Banco Bradesco S.A. no Apresenta, com "Natal do Palácio Avenida"; Air Marketing e Entretenimento no Diamante, com "Catedral de Luz"; Rumo Malha Sul no Ouro, com "Rumo ao Natal 2026"; o Sesc-AR Paraná, também no Ouro, com dois espetáculos — "Natal do Paço – Os Guardiões do Acreditar" no Sesc Paço da Liberdade e "Um Natal Encantado – A Estrela Guia" no Teatro Sesc da Esquina; C.M.P. Canal de Marketing no Prata, com "Um Natal de Muitos Povos – Caravana de Natal"; Alma Musical também no Prata, com "Natal In Concert 2026"; Associação Comercial do Paraná no Bronze, com "Curitiba de Volta ao Centro"; e Amano Casa Criativa no Bronze, com "Circuito de Natal, Cartas para o Futuro". Ninguém se inscreveu para a vaga restante de Diamante, nem para a terceira de Ouro, Prata e Bronze — total: quatro espaços vazios.

A seleção de 2025 havia terminado com cinco projetos, mas o edital daquele ano previa só uma vaga por cota, enquanto o de 2026 subiu para doze vagas (um Apresenta, dois Diamante, três Ouro, três Prata e três Bronze). O piso somado dos projetos aprovados saiu de R$ 13 milhões em 2025 para R$ 14,9 milhões em 2026 — mesmo com as sobras, portanto, a Prefeitura capturou mais investimento privado. Em 2025, a Alma Musical ocupou o Diamante com a "Catedral de Luz" na Catedral Basílica; neste ano, o mesmo projeto migrou para a Air Marketing, e a Alma Musical caiu para o Prata com um projeto novo. Já Bradesco e Rumo Malha Sul mantiveram as cotas que ocupavam em 2025 (Apresenta e Ouro, respectivamente).

Ao mesmo tempo em que ampliou o número de vagas, a Prefeitura encolheu o pacote de contrapartidas que entrega às empresas. No Ouro, as faces de mobiliário urbano caíram de 90 (2025) para 70 (2026) e deixaram de ser permanentes — agora valem por uma semana. No Diamante, foram de 100 para 87, também temporárias. O Prata perdeu os painéis digitais. A cota mais alta, Apresenta, viu as postagens nas redes sociais da Prefeitura cair de dez para oito, embora tenha ganho uma veiculação no Coreto Digital. Em compensação, o chão do Diamante baixou: em 2025 era preciso investir pelo menos R$ 4 milhões para alcançá-lo; em 2026, bastam R$ 2,8 milhões — faixa 30% mais barata, o que diluiu o selo.

Em paralelo, o Edital nº 02/2026, que seleciona empresas para patrocinar pontos específicos da cidade — 38 lotes temáticos, de praças a parques, da Rua XV ao Mercado Municipal, incluindo o Lote 7 do Passeio Público —, sofreu impugnação da Associação Onça, do Instituto Nhandecy e do Instituto Thais Viotto. As entidades questionaram a natureza jurídica do chamamento, a ausência de estudo econômico-financeiro, risco de lesão ao erário e os impactos ambientais no Passeio Público. O Instituto Municipal de Turismo indeferiu a suspensão cautelar, mas determinou a revisão dos critérios de desempate (itens 9.7 e 9.8) e submeteu as questões cultural, histórica, paisagística e ambiental à análise complementar da Fundação Cultural de Curitiba e da Secretaria Municipal do Meio Ambiente. A primeira publicação do resultado, de 16 de setembro, aprovou cinco propostas — EBF Mídia Rodoviária, Uninter (Estações de Luz), Volvo (Árvores de Natal Centro), Mini Preço (Natal Solidário) e Condor Super Center (justamente o Lote 7 impugnado). O certame continua aberto, prorrogado três vezes em outubro (Comunicados 05, 06 e 07).

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Rosiane Correia de Freitas

Rosiane Correia de Freitas

Jornalista, mestre em educação e fundadora do Plural

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