A Prefeitura de Curitiba fechou nesta terça-feira (21) a seleção dos projetos do Natal de Curitiba 2026 com oito propostas aprovadas, somando no mínimo R$ 14,9 milhões em investimento privado — alta de 15% em relação a 2025. Mas quatro das doze vagas previstas no edital ficaram sem proponente. O resultado final foi assinado pela Comissão de Chamamento Público do Instituto Municipal de Turismo (Portaria nº 8/2026 CTUR) e publicado nas páginas 17 e 18 do Diário Oficial do Município nº 196, de 21 de outubro de 2026.
O chamamento (Edital nº 01/2026) não repassa dinheiro público: as empresas é que bancam a montagem dos projetos natalinos e recebem da Prefeitura, em troca, um pacote de contrapartidas de publicidade — adesivos nos vidros traseiros dos ônibus (busdoor), faces de mobiliário urbano, veiculação em painéis de terminais e no Coreto Digital do Passeio Público, postagens nas redes oficiais, plotagem de estações tubo e placas no local. O que define em qual "cota" cada proponente entra é o valor que ele próprio investe no projeto. Pelo item 17.3 do edital, Apresenta exige a partir de R$ 6 milhões; Diamante, entre R$ 2,8 milhões e R$ 5,99 milhões; Ouro, entre R$ 2 milhões e R$ 2,8 milhões; Prata, entre R$ 750 mil e R$ 1,99 milhão; e Bronze, entre R$ 300 mil e R$ 749 mil.
Os oito aprovados são: Banco Bradesco S.A. no Apresenta, com "Natal do Palácio Avenida"; Air Marketing e Entretenimento no Diamante, com "Catedral de Luz"; Rumo Malha Sul no Ouro, com "Rumo ao Natal 2026"; o Sesc-AR Paraná, também no Ouro, com dois espetáculos — "Natal do Paço – Os Guardiões do Acreditar" no Sesc Paço da Liberdade e "Um Natal Encantado – A Estrela Guia" no Teatro Sesc da Esquina; C.M.P. Canal de Marketing no Prata, com "Um Natal de Muitos Povos – Caravana de Natal"; Alma Musical também no Prata, com "Natal In Concert 2026"; Associação Comercial do Paraná no Bronze, com "Curitiba de Volta ao Centro"; e Amano Casa Criativa no Bronze, com "Circuito de Natal, Cartas para o Futuro". Ninguém se inscreveu para a vaga restante de Diamante, nem para a terceira de Ouro, Prata e Bronze — total: quatro espaços vazios.
A seleção de 2025 havia terminado com cinco projetos, mas o edital daquele ano previa só uma vaga por cota, enquanto o de 2026 subiu para doze vagas (um Apresenta, dois Diamante, três Ouro, três Prata e três Bronze). O piso somado dos projetos aprovados saiu de R$ 13 milhões em 2025 para R$ 14,9 milhões em 2026 — mesmo com as sobras, portanto, a Prefeitura capturou mais investimento privado. Em 2025, a Alma Musical ocupou o Diamante com a "Catedral de Luz" na Catedral Basílica; neste ano, o mesmo projeto migrou para a Air Marketing, e a Alma Musical caiu para o Prata com um projeto novo. Já Bradesco e Rumo Malha Sul mantiveram as cotas que ocupavam em 2025 (Apresenta e Ouro, respectivamente).
Ao mesmo tempo em que ampliou o número de vagas, a Prefeitura encolheu o pacote de contrapartidas que entrega às empresas. No Ouro, as faces de mobiliário urbano caíram de 90 (2025) para 70 (2026) e deixaram de ser permanentes — agora valem por uma semana. No Diamante, foram de 100 para 87, também temporárias. O Prata perdeu os painéis digitais. A cota mais alta, Apresenta, viu as postagens nas redes sociais da Prefeitura cair de dez para oito, embora tenha ganho uma veiculação no Coreto Digital. Em compensação, o chão do Diamante baixou: em 2025 era preciso investir pelo menos R$ 4 milhões para alcançá-lo; em 2026, bastam R$ 2,8 milhões — faixa 30% mais barata, o que diluiu o selo.
Em paralelo, o Edital nº 02/2026, que seleciona empresas para patrocinar pontos específicos da cidade — 38 lotes temáticos, de praças a parques, da Rua XV ao Mercado Municipal, incluindo o Lote 7 do Passeio Público —, sofreu impugnação da Associação Onça, do Instituto Nhandecy e do Instituto Thais Viotto. As entidades questionaram a natureza jurídica do chamamento, a ausência de estudo econômico-financeiro, risco de lesão ao erário e os impactos ambientais no Passeio Público. O Instituto Municipal de Turismo indeferiu a suspensão cautelar, mas determinou a revisão dos critérios de desempate (itens 9.7 e 9.8) e submeteu as questões cultural, histórica, paisagística e ambiental à análise complementar da Fundação Cultural de Curitiba e da Secretaria Municipal do Meio Ambiente. A primeira publicação do resultado, de 16 de setembro, aprovou cinco propostas — EBF Mídia Rodoviária, Uninter (Estações de Luz), Volvo (Árvores de Natal Centro), Mini Preço (Natal Solidário) e Condor Super Center (justamente o Lote 7 impugnado). O certame continua aberto, prorrogado três vezes em outubro (Comunicados 05, 06 e 07).