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Daiara Tukano lança mural tátil e sonoro nesta quarta-feira (26) no Instituto Paranaense de Cegos

A obra de arte criada a partir da ilustração "Pirõ nīkī – Floresta da Serpente" tem cerca de 10 metros quadrados e foi desenvolvida em parceria com pessoas cegas e com baixa visão

Daiara Tukano lança mural tátil e sonoro
Pessoas cegas e com baixa visão podem explorar o mural pelo tato e pela audição. (Foto: Guilherme Danelhuk/Divulgação.)

Nesta quarta-feira (26), às 10h, no Instituto Paranaense de Cegos (IPC), uma das mais conhecidas artistas indígenas do país, Daiara Tukano, inaugura o primeiro mural tátil e sonoro do Paraná. O evento é aberto ao público e terá a presença da autora, de estudantes, representantes do IPC e da Fundação Cultural de Curitiba (FCC), e também pessoas cegas e indígenas das etnias Kaingang e Guarani, de Rio das Cobras, do Centro-Oeste do estado (cidades de Espigão Alto do Iguaçu e Nova Laranjeiras). 

O mural, com cerca de 10 metros quadrados, foi criado pela artista e também ativista em parceria com pessoas cegas e com baixa visão. A inspiração é a ilustração “Pirõ nīkī – Floresta da Serpente", trazendo a figura da serpente como eixo central da floresta, além de árvores, raízes e outros animais da fauna amazônica produzidos em relevo e com materiais de diferentes texturas. 

Daiara explica que trabalhar com pessoas cegas trouxe novas perspectivas para seu trabalho. “Eu acho que a visão é algo que está além do olhar e daquilo que o olho consegue realmente ver, por isso esta experiência me provocou para perceber outras sensibilidades", diz ela. Inclusive, todos os materiais usados foram escolhidos em encontros e oficinas com estudantes e colaboradores do IPC, para dar protagonismo às pessoas com deficiência visual no processo artístico de construção da acessibilidade.

Segundo Manoel Negraes, que coordenou a mediação em acessibilidade do projeto, um dos eixos mais importantes é essa participação ativa. “É importante dar protagonismo às próprias pessoas cegas, e por isso, existiu um cuidado que passou pela escolha dos materiais e o diálogo com a artista, por ser um trabalho com riqueza de detalhes e pioneiro no estado".

Pâmella Machado, que ficou cega há quatro anos, conta que sua relação com obras que possuem audiodescrição é diferente das peças que podem ser tocadas. "Como eu perdi a visão há pouco, eu ainda demoro a formar imagens na minha mente, quando escuto uma audiodescrição", fala ela. “Sentindo cada textura com as mãos, eu consigo construir um mapa mental, porque sinto cada detalhe, cada textura que forma o desenho."

Já para Cíntia Rodrigues de Oliveira, que tem 48 anos e está cega há um ano, o conceito do trabalho é muito relevante. “Além de poder tocar e ter outra relação com o mural, foi importante para mim ser uma obra que é feita por uma pessoa indígena", diz. “Isso nos traz conhecimento dos povos originários ao podermos tocar cada galho de árvore, raízes e animais com materiais que nós mesmos escolhemos."

Daiara Tukano

Conhecida por pinturas que registram visões obtidas durante rituais espirituais, Daiara pertence ao povo Yepá Mahsã (Tukano), do Alto Rio Negro, na Amazônia, e trabalha com o conceito da cosmovisão, maneira própria de cada povo originário ver, entender e explicar o universo. 

Projeto

O projeto do mural tátil e sonoro foi idealizado pela Mucha Tinta e pela Bernardo Bravo Idealização, e é realizado com recursos do Programa de Apoio, Fomento e Incentivo à Cultura da Fundação Cultural de Curitiba. 

Serviço: Inauguração Mural "Pirõ nīkī – Floresta da Serpente", de Daiara Tukano

Data: 26 de agosto de 2026

Horário: 10h 

Local: Instituto Paranaense de Cegos. Av. Visc. de Guarapuava, 4186 - Centro, Curitiba.

Outras informações em Daiara Tukano (@daiaratukano)

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