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Conheça as histórias de Vica e Odayr, professores que somam mais de cem anos na Aliança Francesa de Curitiba

Entre os mais admirados da instituição, os dois contam como a paixão pela língua francesa e pela cultura francófona surgiu ainda na infância e como passaram de alunos a professeurs 

Professora Viviane Ribeiro e professor Odayr Pazello, da AF Curitiba.
Professora Viviane Ribeiro e professor Odayr Pazello, da AF Curitiba. (Fotos: Acervos pessoais.)

A Aliança Francesa de Curitiba iniciou suas atividades em 1945. Dizer que certos professores tiveram um poder realmente transformador na vida de muitos ao longo desses 81 anos pode parecer clichê, mas não é. Tanto que dois desses mestres estão entre os mais queridos da instituição e somam surpreendentes 102 anos de casa. Estamos falando de Viviane Ribeiro, conhecida carinhosamente como Vica, e de Odayr Pazello. 

Cada um deles teve o primeiro contato com a língua na infância, ainda que por caminhos diferentes, e de alunos passaram a professeurs da AF Curitiba. "É difícil imaginar a minha vida sem a Aliança, porque sou professora há 50 anos", diz Vica. Ela conta que seu pai era médico e recebeu uma bolsa para estudar na Bélgica. Toda a família foi para o país da Europa Ocidental e na volta, aos 7 anos de idade, entrou na primeira turma para crianças que a instituição abriu. “Assim, a Aliança está comigo desde a minha infância e foi essencial na minha formação.”

“A língua francesa sempre me interessou”, fala Pazello. Os primeiros contatos foram no ginásio, quando estudava no Colégio Bom Jesus, e continuaram no Colégio Estadual do Paraná. “Inscrever-me para um curso na AF era a sequência natural”. E foi mesmo, há 52 anos ele leciona na instituição. Quando concluiu o curso e estava na graduação de Letras português/francês na Universidade Federal do Paraná (UFPR), veio o convite para dar aulas. “Era política da AF recrutar seus professores entre seus próprios alunos.” 

Vica confirma a prática adotada pela instituição. “Quando terminei o curso do Nancy, Madame Garfunkel, a fundadora da Aliança de Curitiba, que havia sido minha professora, me convidou para dar aula e deste modo comecei a lecionar”. De lá para cá, os dois viveram uma aventura e tanto no mundo ligado ao ensino e ao universo da francofonia. 

Pazello, em poucos anos, aceitou assumir a coordenação pedagógica por três décadas, sem deixar as salas de aula. Segundo ele, a função é sempre um desafio, principalmente em uma instituição de ensino. “De certa maneira o coordenador ou a coordenadora é o elemento que liga direção, administração, corpo docente e alunos. E todo trabalho que envolva pessoas é sempre difícil e, ao mesmo tempo, gratificante. E em trinta anos houve tantos desafios quanto alegrias.” Mas afirma: “Se eu tivesse que refazer tudo o que fiz, refaria com prazer”.

Enquanto isso, o espírito criativo de Vica ganhou asas: “Trabalhar na Aliança me permitiu, além de dar aulas nos cursos de formação, desenvolver muitas outras atividades, como exposições fotográficas, palestras sobre diversos temas ligados à cultura francesa e sobretudo o cineclube, que existe desde 1990 e agora, em parceria com a Cinemateca de Curitiba, nos leva a mostrar toda a riqueza do cinema francês.”

Dá para notar que a paixão dela pelo ensino tem como combustível o prazer em compartilhar seus interesses e saberes. “Eu também adoro trabalhar temas que me interessam, nos cursos temáticos ou nos ateliers como “História e Cinema”, “Pintura e Literatura” ou “Paris, je t’aime”, sobre a história de Paris. Um dos ateliers de que mais gosto é “Paris à Distance”, que eu e a professora Márcia Lebois criamos durante a pandemia e que continuamos a fazer até agora, com aulas online em que vemos os aspectos culturais, históricos, turísticos, gastronômicos em diferentes roteiros na capital francesa”, explica Vica. A professora fala que chegaram a fazer uma aula para os alunos da Aliança de Porto Alegre, quando houve as enchentes que assolaram a cidade e para a Aliança Francesa de Lviv, na Ucrânia, que continua funcionando, apesar da guerra. “As aulas online nos dão essa possibilidade. E falar francês abre muitas portas.”

Entre as portas abertas para o professor Pazello, estão várias viagens que fez à França, muitas delas para estágios de formação, sempre trazendo alguma novidade na bagagem. “Todas foram importantes e acrescentaram elementos novos”. 

Vica, por sua vez, carimbou o passaporte em todos os países francófonos da Europa, além do Canadá e do Marrocos. E não foi só isso, conforme revela: “E usei o meu francês para resolver problemas em viagens nos lugares mais variados, dos Estados Unidos à China ou à Índia, porque a gente sempre encontra alguém que fala francês.”

Voltando às oportunidades, a professora se tornou tradutora juramentada há mais de dez anos e, entre os reconhecimentos mais importantes, em 2019, recebeu do Governo Francês a Comenda de Chevalier de l'Ordre des Palmes Académiques (Condecoração de Cavaleiro das Palmas Acadêmicas), por sua trajetória.

O professor também foi homenageado com a Ordre des Palmes Académiques (Ordem das Palmas Acadêmicas) no mesmo ano. Entre os seus feitos, ele mantém a classe “Traduction et Conversation” com uma turma que o segue há mais de 30 anos. Todavia, explica que não há predileção. “Cada um dos grupos com os quais trabalhei e trabalho tem suas características, sua personalidade. Pode parecer lugar comum, mas eu aprendi muito mais com todos os grupos aos quais dei aula do que eles aprenderam comigo. São pessoas e isso é o que importa. Esse talvez seja o grande diferencial da AF: é o lugar onde pessoas se encontram, tendo como objetivo a língua e a cultura francesas.”

Merci, les professeurs.

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