“Fotografia também é espaço para a versatilidade”

Gabriela Teixeira fala de seu amor pela arte fotográfica e dá dicas para quem está começando

Atualmente cursando Publicidade e Propaganda, Gabriela Texeira começou a fotografar por amor e já realizou trabalhos em diferentes áreas da fotografia. Em entrevista, a estudante contou como descobriu seu talento e sobre os tipos de foto que realiza.

Sobre seu início na fotografia, a estudante relata que elogios de pessoas próximas foram determinantes para mergulhar de vez no universo fotográfico. “Comecei a fotografar por uma paixão que se tornou um hobby e meu maior refúgio, não consigo nem ver como um trabalho, as pessoas próximas a mim sempre falavam que eu tinha talento que minhas fotos eram boas e eu comecei a notar de que elas tinham algo único.”

Teixeira possui uma variedade de trabalhos e gosta de realizar diferentes tipos de fotografia. Entre suas produções estão ensaios de gestantes e recém-nascidos, eventos como casamentos, aniversários e shows. Além de produções como retrato artístico, street style e outros. “Para ser bem sincera, eu gosto de aprender como cada tipo (de estilo fotográfico) se comporta ao meu olhar”, afirma.

Quando surgiu o seu interesse por fotografia?
A fotografia sempre esteve na minha vida desde pequena com aquelas câmeras de filme pretas da Kodak. Minha família não tinha dinheiro para ter uma, mas lembro de brincar com uma preta que não funcionava mais, e ela era o meu brinquedo favorito. Quando as câmeras digitais inshot surgiram, minha mãe conseguiu comprar e me deixava tirar fotos dela se arrumando para sair, da família, e aos poucos eu comecei a me apaixonar por tirar fotos de coisas do dia a dia. Fui crescendo e esse meu sonho de ter uma câmera e tirar fotos das pessoas nunca mudou, até que no meu segundo emprego, aos 17 anos, consegui juntar dinheiro o suficiente para comprar uma GE semiprofissional. Eu nunca tinha mexido em uma câmera dessas e foi amor à primeira vista. Depois disso, fui conquistando equipamentos aos pouquinhos, garimpando de usados até conseguir comprar o meu xodó, que é a minha câmera profissional.

Para você, quais os pontos mais marcantes e característicos nos seus trabalhos?
Eu acredito que o meu ponto mais marcante dentro da fotografia é uma mistura de criatividade junto com uma edição simples. Gosto que as pessoas se vejam como elas são e gostar do que veem através da minha fotografia. Acredito que alterações drásticas em fotos não mostram quem a pessoa é de verdade e a verdadeira essência de uma pessoa é ela ser quem é, com cicatrizes, marcas e manchas, da vida de cada um nesse mundo que te torna extremamente único. Então, eu sempre prezo pelo bem-estar dos meus modelos, onde eles se sintam confortáveis comigo e que eles se vejam lindos como são. Acho que é o meu ponto mais marcante.

Quem são suas referências e quais suas inspirações na fotografia?
Para ser bem sincera, por mais que eu seja extremamente apaixonada por tudo na fotografia, eu nunca tive uma inspiração. Digo uma pessoa que me inspire no mundo da fotografia, claro que admiro muitas fotografas, mas a minha maior inspiração são as pessoas do dia a dia. É eu ver o sorriso de uma criança, uma mulher de etnia diferente, um casal de idosos na rua de mãos dadas. Minha inspiração é ver cor e amor em todos os cantos e mostrar esse meu olhar para as pessoas e fazer elas se apaixonarem por pequenos detalhes que se passassem reto não teriam percebido.

Qual o seu tipo de trabalho fotográfico favorito de realizar?
Com toda a certeza o meu tipo de trabalho favorito é quando o meu cliente me dá total liberdade para criar em cima da temática que ele escolheu. Onde eu posso usar itens e lugares não convencionais e fazer fotos em que eles se enxerguem de uma maneira totalmente única, acredito que as experiências dessas fotos se tornam gostosas na memória.

Você também faz autorretratos. Como é o processo para tirar uma foto de si mesma? Gosta de realizar essa prática?
Eu sempre tive vontade de ser fotografada e de que as fotos saíssem do jeitinho que eu queria, mas por ter me frustrado muito com alguns fotógrafos, decidi que não deixaria ninguém tirar foto minha e nem eu tiraria, mas houve um tempo em que eu estava passando por alguns problemas pessoais, decidi extravasar em forma de foto, simplesmente me deixei levar pelos meus sentimentos. Peguei tintas, pincel e me pintei inteira como se fosse uma tela em branco. Então, coloquei a câmera em um tripé, coloquei o timer e tirei inúmeras fotos. Quando vi o resultado eu me vi diferente, me vi lidando com o que eu mais tinha medo, que era a minha imagem em uma câmera, e esse foi o maior passo que consegui dar para o meu processo criativo pois agora eu podia testar em mim, sem medo de olhar para a câmera.

O que você considera ser o maior desafio no meio da fotografia?
Acredito que ter oportunidades, justamente por eu não ter um estúdio e estar tentando conquistar o meu lugar, as pessoas temem que as fotos fiquem “amadoras” por eu não ser conhecida o suficiente para isso chega a ser frustrante quando desmarcam ou fazem fotos com alguém que é maior nas mídias, mas não desanimo pois sei que ainda chego lá e irei conquistar meu lugar nesse meio tão concorrido e sem oportunidades no Brasil.

Qual o trabalho ou foto mais marcante que você já realizou?
Até o presente momento o trabalho que mais me marcou foi quando eu fotografei o meu primeiro show, quando eu finalmente fui reconhecida como fotógrafa. Eu entrei na área onde eles ficavam e consegui ficar ao lado do palco tirando fotos dos cantores. Para mim foi surreal ter esse reconhecimento e ver que aos poucos eu estou conquistando o meu espaço.

Como fotógrafa, o que ainda gostaria de realizar?
Gostaria muito de fazer ensaios que tragam reflexões sobre certos assuntos e alertar sobre um exemplo muito claro seria sobre os transtornos psicológicos, sobre desastres naturais, mais representar isso em pessoas. Eu tenho a vívida ideia de como quero fazer mas ainda me faltam recursos para pôr em prática e quem sabe um dia expor esses trabalhos em uma galeria.

Alguma dica para quem quer iniciar na fotografia?
Comece, nem que seja com a câmera do celular, mas comece, porque você nunca vai saber o seu potencial se ficar no “e se” coloca em prática hoje, não precisa começar sabendo tudo sobre iluminação, posicionamento de câmera e tudo mais. Precisa só de vontade de querer pôr em prática; os equipamentos e sabedoria sobre, você conquista com o tempo.

Orientadora: Márcia Boroski

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