A era dos vendedores digitais

Recursos e exigências do mercado digital transformam os profissionais

O número total das vendas on-line no Brasil chegou a impressionantes R$ 111,8 bilhões em vendas em 2022. Os dados são das pesquisas feitas pelas empresas NielsenIQ|Ebit, Webshoppers 46 e Bexs Pay, organizações que avaliam empresas virtuais brasileiras, possibilitando também aos lojistas a observarem o perfil de consumidores.

Nesse cenário, o empreendedorismo digital ganha força, com investimento e apostas em vendas on-line; mas, para ter sucesso, é necessário investir em produções de conteúdos de qualidade e dominar importantes estratégias de marketing digital.

Maria Carolina Avis, 28 anos, é professora de Marketing na Uninter. Com longa experiência na área, tem quatro obras publicadas, especialização em gestão de empresas e também em docência no ensino superior. A profissional do marketing diz que as pesquisas mercadológicas vão além de panfletos e canais de comunicação. Para ela, antes de estudar o marketing digital é necessário conhecer o seu fundamento, ou seja, dominar o que é o marketing.

“Marketing é toda relação de consumo, o tempo todo consumimos produtos, serviços e conteúdos. Sua prática não é para estimular o consumo, mas sim para conseguir entender o comportamento das pessoas enquanto elas consomem ou porque elas consomem. Quando ensinamos marketing para os alunos de graduação, temos o costume de falar que há marketing em tudo, desde a criação de um cardápio há intenções de compra. Quando estamos em um ponto de vendas escolhemos determinados produtos com base em critérios.”

A prática do marketing digital preconiza o estudo do consumo, contudo as pesquisas são feitas em um ambiente digital. Microempreendedores e varejistas utilizam cada vez mais as plataformas digitais, como, iFood, Instagram e links automatizados para o acesso aos cardápios e aos pedidos. O uso do marketing e da publicidade para publicações de conteúdos chamativos deixa os clientes curiosos, apesar disso há a possibilidade de alcance massivo de clientes/usuários.

Daniela Oliveira Magalhães, 28 anos, trabalha com confeitaria desde 2018. Após criar um perfil nas redes sociais, apenas para divulgar seu trabalho informal de encomendas, percebeu uma oportunidade de ensinar, de forma descomplicada, a prática da confeitaria com chances de monetização das plataformas.

“Crescer nas redes sociais é a meta de muitas pessoas que querem ter seu próprio negócio e atrair muitos clientes. Inicialmente eu queria gravar com a intenção de fazer com que mais pessoas conhecessem o meu trabalho, que eu pudesse ajudar a fazer os doces e a ter encomendas. Mas depois que eu percebi que havia formas de ganhar com publicidade, usando o número de seguidores, a minha visão de estratégia mudou.”

Considerando o comportamento dos usuários, Daniela pensa em como aquele conteúdo vai agregar e ajudar as pessoas que também querem abrir uma microempresa usando as ferramentas digitais. Para ela, conteúdos mais práticos e rápidos são um bom caminho para iniciar.

“Comece no Tik Tok, pois lá os vídeos são mais curtos e levam um público orgânico para o Instagram. Quando for começar não desista, não pense que o vizinho vai debochar de você, que seus amigos irão rir de você. Coloque metas e trabalhe em cima delas, faça acontecer.”
A confeiteira possui 552,8 mil seguidores na plataforma Tik Tok e 155 mil no Instagram, redes que são usadas para vendas de infoprodutos, que recebem o auxílio de uma assessoria de marketing para publicidade.

“Eu ainda vendo meus doces e bolos por encomenda, porém nas plataformas estou voltada para a área de influenciar e criar conteúdos digital para o ensino. Então hoje o meu próprio negócio é 80% digital e 20% físico.”

Daniela diz que durante o ano de 2022, controlava cem por cento suas redes sociais, fazendo o marketing de posts e lançamentos de produtos digitais. Contudo, sua participação atual é de oitenta por cento, já que conta com uma profissional do marketing na publicidade da sua microempresa.

Para a professora de marketing digital, ao seguir o exemplo de Daniela, é necessário contratar um profissional da área ou investir em conhecimentos sobre as ferramentas e o marketing, desta forma o vendedor vai estar ampliando sua alfabetização digital.

“Recomendo cursos das próprias ferramentas, muitas plataformas possuem cursos gratuitos. O Google Perfil de Empresas é uma ferramenta que antes se chamava Google Meu Negócio; é aquele cadastro de quando você pesquisa: “padarias perto de mim”, e aparecem cadastros que mostram avaliações, telefone, rotas e fotos. Com essa ferramenta o vendedor pode criar o perfil e explorar o marketing, já vão estar em cima da média, por estarem fazendo algo que outros não fazem.”

Marketing no metaverso

A automatização de atendimento digital faz parte da realidade de muitas empresas, servem não apenas para viabilizar e aumentar a produtividade, mas também trazem processos rápidos de atendimento aos clientes. Existem parcelas de consumidores que gostam da ferramenta, e outras parcelas que detestam, para isso a profissional do Marketing explica que é preciso pensar no marketing digital em toda a jornada do usuário. “Qual é o erro das empresas? Elas ativam essa automação geral e não se preocupam com a chave importante, que é a experiência dos clientes.”

Os usuários buscam cada vez mais experiências de interação online, com isso grandes e pequenas empresas estão se preparando, com novas estratégias de negócios. Com a chegada da internet 5G, que atribui realidades virtuais e aumentadas, Maria Avis explica que os vendedores podem ter sucesso com essa nova tecnologia, porém há contratempos. “É um desafio entender marketing na nossa realidade, agora no metaverso é um desafio dobrado, porque não conhecemos os comportamentos dos usuários nesse ambiente já é complicado para quem é profissional entender. Recomendo aos empreendedores que façam parcerias com profissionais da área.”

“Muitas empresas querem utilizar o metaverso a seu favor por terem medo de ficar por fora do mercado. Elas não têm, em sua maioria, o básico bem feito. Não sabem o fundamento do Marketing e querem estar no metaverso. Faz sentido? Não faz. Porque ‘nesta realidade’, a marca não está bem estruturada”, finaliza Maria Avis.

Orientação: Larissa Drabeski (professora e jornalista)

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