A Arena, a cidadania honorária de Bolsonaro e o choro pelo fim da saga do capitão

Quando um ex-presidente precisa de um título provinciano oferecido por deputados inexpressivos pode muito bem ser o fim de sua carreira

Entendo a tristeza de quem viu a notícia ontem. Lógico que ao saber que Jair Bolsonaro será cidadão honorário do Paraná o primeiro impulso de uma pessoa sensata é pensar em se mudar para a Bahia. Difícil permanecer de boa vontade em um estado que, quatro décadas depois do fim da ditadura, insiste em ser governado pela Arena.

Mas a história tem um outro lado. Porque no fim das contas esse título de cidadania honorária é um mero prêmio de consolação, e na verdade tem um cheirinho de choro à beira do túmulo. Jair foi derrotado, está inelegível e mesmo a direita menos dotada de rapidez cognitiva já percebeu que o barquinho do capitão está afundando.

Quem acompanha a Assembleia Legislativa do Paraná (e Deus sabe que não é uma tarefa agradável) sabe quem são os tipos responsáveis por essa cidadania honorária. Gente que quando discursa na tribuna você consegue ver os olhinhos girando em espirais hipnóticas. Que quando vai para casa à noite deve bater continência para uma foto do Ustra na parede.

E é isso que restou para os bolsonaristas no momento. Conseguir que deputados provinciais aprovem uma derradeira homenagem ao ex-líder. Já não há motociatas. Luciano Hang não anda mais de verde e amarelo. As lives de quinta sumiram. O galo insiste em cantar. E o dia raia sem pedir licença a ninguém no Palácio de Vidro.

Pensando em Bolsonaro hoje só me ocorre aquela imagem de Wagner Moura, no papel de Pablo Escobar, depois da prisão, depois da queda, sozinho e olhando para o nada. O homem que já foi poderoso,para quem a lei nunca foi limite, tendo de enfrentar a tristeza da solidão e do fim de carreira.

Agora só falta mesmo é que Bolsonaro pague, e dobrado, cada lágrima rolada desse nosso penar. Por enquanto, que ele venha e comemore esse grande prestígio de receber das mãos de suas excelências esse glorioso título aprovado contra o regimento da Assembleia.

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