Chega ao Paraná entre esta quinta-feira (8) e sexta (9) um ciclone extratropical. Pelo boletim do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), o sistema põe o oeste, sudoeste e sul do estado em alerta laranja na sexta — e leva o risco de granizo até Curitiba na noite do mesmo dia.
A previsão está no boletim "Previsão para quinta-feira (8) e sexta-feira (9)" disponível no portal do INMET. O texto descreve uma baixa pressão posicionada sobre o sul da Bolívia, o oeste do Paraguai e o norte da Argentina, que se estende até as costas argentina e uruguaia, onde dá origem ao ciclone extratropical e à frente fria associada a ele. [A APURAR: nome do meteorologista responsável pela nota técnica, por contato direto com a assessoria do INMET.]
Entre a madrugada e a tarde desta quarta, a expressão "ciclone tropical atlântico" subiu ao topo das buscas feitas no Paraná pelo Google, com pico às 14h04, segundo o Google Trends. O problema não é o rótulo — é a confusão sobre o que esperar. Um ciclone tropical se forma sobre oceanos quentes, tem núcleo quente e, no Atlântico Sul, costuma ocorrer entre dezembro e maio. O de agora é extratropical: nasce do choque entre massas de ar de temperaturas diferentes, tem núcleo frio e é comum no Sul do Brasil o ano inteiro. Em termos práticos, a dinâmica da chuva e do vento aqui obedece à passagem da frente fria, não a um sistema oceânico quente.
Como fica Curitiba
Para a capital, o INMET prevê mínima de 16 °C e máxima de 26 °C na quinta, com a chuva mais forte do estado chegando à noite, concentrada inicialmente no oeste, sudoeste e sul. Na sexta, a máxima em Curitiba sobe a 27 °C, e a instabilidade avança: há risco de granizo em grande parte do Paraná e de Santa Catarina — incluindo Curitiba e Florianópolis — principalmente ao longo da noite.
Qual é o nível do alerta?
O INMET manteve dois recortes para o Paraná. Na quinta vale o alerta amarelo (perigo potencial) para tempestades no oeste, sudoeste e sul do estado, estendido também ao centro e sul de Santa Catarina. Na sexta o alerta sobe para laranja (perigo), na mesma faixa paranaense somada à maior parte de Santa Catarina e a partes do Rio Grande do Sul — e, pela primeira vez no ciclo, com o risco de granizo chegando a Curitiba.
Os maiores volumes de chuva, no entanto, não devem cair no Paraná. Pelas rodadas do modelo COSMO citadas no boletim, o oeste gaúcho — Uruguaiana, São Borja e Santa Maria — pode registrar acumulados acima de 70 milímetros em 24 horas já na quinta. Na sexta, a projeção é de chuva muito intensa, podendo chegar a cerca de 200 milímetros em 24 horas em pontos do oeste, noroeste, norte e centro do Rio Grande do Sul.
O que o boletim não traz
O documento do INMET não detalha rajadas de vento previstas para o Paraná nem distingue, dentro das mesorregiões em alerta, quais municípios devem concentrar o maior risco de granizo. Esse recorte municipal cabe ao Sistema Meteorológico do Paraná (SIMEPAR) e à Coordenadoria Estadual de Defesa Civil. [A APURAR: boletim SIMEPAR do dia 07/10/2026 e eventual aviso específico da Defesa Civil-PR; link e número do aviso quando houver.]
E depois da sexta?
O próprio boletim indica que o ciclone enfraquece como ameaça direta ao Sul na sexta: desloca-se rapidamente para o Atlântico, e a frente fria se afasta do continente. A instabilidade sobre o oeste do Paraná e o oeste e centro do Rio Grande do Sul persiste por outro motivo — um cavado ligado a uma baixa pressão entre o Paraguai e o Mato Grosso do Sul, que segue alimentando chuva e trovoadas sobre essas áreas.
Perguntas rápidas
O ciclone que afeta o Paraná é tropical? Não. O INMET classifica o sistema como extratropical. Ciclones tropicais, mais raros no Atlântico Sul, concentram-se entre dezembro e maio.
Vai chover forte em Curitiba? O principal risco para a capital é granizo na noite de sexta (9). Na quinta (8), a chuva mais intensa fica no oeste, sudoeste e sul do estado.
Onde cai o maior volume de chuva? No Rio Grande do Sul. O modelo COSMO citado pelo INMET projeta até cerca de 200 mm em 24 horas na sexta no oeste, noroeste, norte e centro gaúchos.
Qual é o nível de alerta no Paraná? Amarelo (perigo potencial) na quinta e laranja (perigo) na sexta — nos dois dias, para o oeste, sudoeste e sul do estado.
A reportagem usou como base única o boletim de previsão do INMET para quinta e sexta, publicado no portal do instituto na tarde desta quarta-feira (7). As temperaturas máximas e mínimas para Curitiba, os níveis de alerta por mesorregião, a classificação do sistema como extratropical e os acumulados projetados pelo modelo COSMO são todos do próprio documento. A onda de buscas pelo termo "ciclone tropical atlântico" no Paraná foi medida pelo Google Trends, janela "ontem", com pico às 14h04 de 07/10/2026. A Plural não teve acesso, até o fechamento desta edição, ao boletim do SIMEPAR do dia nem a avisos específicos da Defesa Civil estadual, cuja consulta pode refinar o recorte municipal — e deve ser incluída em atualização posterior.