Nesta quarta-feira (21) a cuidadora de crianças Maria Eliza Naindorf Peralta e o advogado dela Junior Ribeiro atenderam jornalistas para falar do caso do falecimento do bebê Gael, de apenas três meses, após engasgar com leite.
Gael era cuidado por Maria Eliza há duas semanas. A casa da cuidadora funcionava como uma espécie de creche, embora ela não tivesse documentação formalizada.
Ela cuidava das crianças por R$ 300 mensais ou por diárias. Vizinhos e moradores do local relataram ao Plural que nunca houve nenhum problema. “Isso nunca aconteceu comigo, eu cuido de crianças há mais de dez anos”, lamentou Maria Eliza.

Ela recebia crianças de manhã e à tarde, em contraturno. A mãe de Gael aguardava uma vaga na Educação Infantil Municipal, mas como ainda não havia sido chamada, deixou o bebê com a cuidadora.
Segundo o relato de Maria Eliza, Gael tomou uma mamadeira com leite e foi colocado para dormi na cama. Mais ou menos dez minutos depois, ela foi checar como ele estava e percebeu que não se mexia. “Estava com a boquinha roxa, mas quentinho. Aí eu chamei meu marido e liguei para o Samu”, disse.
O atendimento começou com orientação médica do Samu por telefone. Gael foi colocado na posição de decúbito frontal e o marido da cuidadora, Aílson Peralta Centurião, iniciou massagem cardíaca. O advogado da cuidadora questionou, durante a entrevista, se a orientação do Samu foi, de fato, o procedimento mais adequado.
A mãe do bebê, quando soube da morte do filho, gritou e chorou, segundo contou Maria Eliza. “Mas o policial não me deixou falar com ela. Me disse que era para deixar ela [sic] ter o tempo dela”.
Depois do falecimento do bebê Gael, a prefeitura disse que ele concorria a uma vaga no sistema educacional da cidade desde o último dia 13 e que o cadastro havia sido feito pela mãe em março deste ano.
Histórico
A casa onde eram atendidas as crianças chegou a ser vistoriada pela Vigilância Sanitária há dois anos. À época o órgão disse que Maria Eliza não poderia cuidar de crianças no local, mas não formalizou a proibição ou emitiu notificação.

O Conselho Tutelar também esteve no endereço há cerca de dois a nos e não identificou negligência ou maus-tratos contra as crianças que eram cuidadas pela moradora. “Se houve dolo ou culpa, também houve por parte do Estado, porque eles estiveram lá e não fecharam o local”, mencionou o advogado.
Desdobramentos
Na terça-feira (20) um grupo de pessoas fez um protesto em frente à casa de Maria Eliza, cobrando justiça por Gael.
Por outro lado, mães de outras crianças que frequentavam o local e vizinhos apontaram que o falecimento do bebê foi uma fatalidade.
A Polícia Civil (PC) ainda não concluiu o inquérito. O advogado da investigada aguarda laudos periciais que, segundo ele, apontam que a criança tinha uma condição anterior que pode ter provocado ou contribuído para o óbito.