As denúncias contra candidatos ao Conselho Tutelar de São José dos Pinhais ainda não foram avaliadas pelo Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA), mas o órgão já constatou irregularidades durante a realização do pleito. Os problemas foram suficientes para a anulação das eleições de uma das regionais, a do Afonso Pena, o maior bairro da maior cidade da Região Metropolitana de Curitiba. A nova votação será em 24 de novembro.
As irregularidadescomeçaram em uma das urnas da Seção Eleitoral 70, que em vez de ser instaladana região de abrangência do pleito - no Colégio Lindaura, no Afonso Pena - foiparar no Centro da Cidade, no Colégio Costa Viana. Para tentar resolver asituação, foi disponibilizada uma urna de lona no Lindaura. A nota deretificação sobre a mudança foi aberta, somente, após às 12h, sendo que aeleição teve início às 8h.
Na urna delona, foram utilizadas cédulas de papel, porém, nelas foi verificado que aolado do nome de um dos candidatos (Valter Fontes, que tinha o número 101) apareciao número de outra candidata (Solange Costa de Jesus, que concorria com o número106).
Diante dosfatos, o CMDCA decidiu deliberar pela anulação da votação. O pedido tem o avaldo Ministério Público do Paraná (MP-PR). A intenção, segundo o conselho, é garantira lisura das eleições, bem como, que todos os eleitores tenham o direito deexercer o voto para os candidatos de sua região respectiva.
A nova votação seráno dia 24 de novembro, das 08h às 17h, no Colégio Estadual Professora LindauraRibeiro, no Afonso Pena.
Denúncias

As arbitrariedadesno pleito se estendem a acusações contra os candidatos eleitos. Entre elas, otransporte de eleitores por parte de vereadores e igrejas da cidade, além de campanhairregular. “Temos vídeos de veículos carregando gente, placas, todas com ligaçãode vereadores. Urnas que funcionaram depois do almoço, nome trocados, boca deurna; estava uma bagunça. Há muito conchavo com político e assessores”, apontaMarcos Santos.
Ele levou ao Ministério Público diversas provas de irregularidades e garante que não é a primeira vez que o problema acontece no Município. “Isso é uma vergonha, acontece há anos em São José e tem que acabar. Pedimos a impugnação de todos os candidatos envolvidos nas denúncias.”

O Conselho
O conselheiroda Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional Paraná (OAB-PR), Jaiderson Rivarola,destaca que é necessário entrar na discussão da própria formação do Conselho Tutelar.“Essa questão de fazer uma eleição com pessoas com segundo grau e que nuncaforam ao pleito é pra tornar mais democrático, para pessoas que nunca foram candidatase vivem na comunidade possam ser eleitas e fazer um trabalho de aproximação comas crianças e adolescentes da sua localidade. Mas o que acontece, na prática, sãoas pessoas buscando no cargo um emprego, com salário de quase R$5 mil, e descobrindouma possibilidade de buscar a Câmara Municipal, com vereadores vendo nestescandidatos possíveis apoiadores.”
Segundo ele, algunsquerem ingressar para ter acesso ao cadastro da localidade, o que daria votos. “Alémda influência política, ele mede a febre do local. Há uma troca de favores e fica em segundoplano o trabalho. O que é grave.”
Em São José, lembra o advogado, há eleitos que são irmãos de vereadores e assessores políticos. "O apoio foi escancarado”, observa.
Jaiderson ressalta que há conselheiros eleitos que assumem e não conseguem terminar o mandato. Alguns foram cassados durante a última eleição. “Também teve problemas na divulgação da eleição por parte da Prefeitura”, percebe.
O MP informouque o CMDCA apura as provas e impugnações solicitadas e deve se manifestar em breve.