Ricardo Marcelo Fonseca, o reitor da Universidade Federal do Paraná (UFPR) é um administrador otimista. Mesmo frente a um cenário financeiro totalmente restrito, ele foge de previsões negativas. Ainda acredita numa mudança orçamentária. O detalhe é que ela precisa ser breve: até o fim do mês de agosto, quando acabam os recursos de custeio da universidade. A única saída, no entanto, é o desbloqueio dos 30% do orçamento – que correspondem a R$ 48,3 milhões – contingenciados em maio pelo governo Jair Bolsonaro (PSL). Se isso não ocorrer, a instituição ficará sem dinheiro para pagar contas básicas já em setembro, como água, luz e contratos terceirizados. Áreas mais afetadas são as que dependem de insumos, de pesquisas experimentais e materiais de laboratório.
“Todos os meses, temos uma parte do orçamento que o governonos permite gastar. O limite era de 8% ao mês, dentro dos 70% que nos restaram.Mas nos últimos meses, julho e agosto, esse valor foi reduzido para 5% dolimite orçamentário”, explica o reitor.
No fim de agosto, porém, os 70% restantes vão terminar. “Odinheiro da universidade, após os bloqueios, encerra no final de agosto. Issoporque fizemos uma série de medidas de racionalização e contenção de gastos, oque permitiu uma sobrevida maior em agosto. Caso contrário, os problemas játeriam começado agora”, garante Fonseca.
Segundo ele, o espírito da administração é trabalhar dia adia com o contexto que se tem, lutando com as condições apresentadas, ao mesmotempo, buscando ações individuais ou via Associação Nacional dos Dirigentes dasInstituições Federais de Ensino Superior (Andifes) para desbloquear recursos.
“Com base nisso, não estamos operando com a possibilidadede fazer planos de quando o dinheiro acaba e muito menos de quando auniversidade vai parar. Trabalhamos para levar ela funcionando na unha até olimite. Não quero fazer prospecção do que vai acontecer em setembro, pois euconfio que teremos novidades”, sustenta.
O reitor afirma que ainda consegue manter a UFPR operandosem cortes substanciais este mês. “Não haverá cortes de bolsas, nem no RestauranteUniversitário (RU) na retomada das aulas. As providências recaíram sobreempenhos, viagens e diárias, assim como o RU e no Intercampi em julho.”
Já em setembro, caso o cenário não se reverta, os primeirosa serem atingidos serão os contratos estruturais, como vigilância, limpeza, manutenção,luz e água. “A universidade será atingida como um todo, mas as áreas mais afetadassão as que dependem de insumos, de pesquisas experimentais e materiais delaboratório. Até aqui, no entanto, estamos fazendo o possível para que nãosejam afetadas.”
Ricardo Fonseca destaca, com pesar, a liberação prevista de R$ 1 bilhão para universidades e institutos federais, aprovada no Congresso em junho, mas que ainda não chegou às instituições. “Este bilhão ainda não retornou. A notícia que temos é que isso está sendo trabalhado na Comissão de Orçamento do Congresso e espero que tenhamos rápidas notícias. A Andifes, que assumiu nova direção, vem fazendo uma movimentação pra agilizar isso”, garante o novo vice-presidente da associação.
Segundo ele, esse é o cenário de todas as instituições federais. “Em Pelotas, já temos a notícia de que não tem mais dinheiro pra nenhuma despesa, inclusive o MP (Ministério Público) foi acionado para a situação emergencial, que está acontecendo em todas as universidades e institutos federais do Brasil.”
Por aqui, a previsão para o vestibular ainda não foirevista. “O vestibular segue na sua preparação, sem nenhuma alteração por enquanto”,diz, apontando que em agosto fecha-se o trimestre econômico. “Em teoria, fazemnovas projeções do orçamento e podem desbloquear. Não quero lidar com o cenárioapocalíptico. Até o final de agosto sobrevivemos”, avalia. Porém, as reservasestão efetivamente no fim. “Estamos no conta-gotas.”
Corte de funções na UTFPR
Na última sexta-feira (2/8) adiretoriade gestão de pessoas da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR)confirmou a extinção de 117 funções gratificadas. A perda foi instituídapelo decreto da presidência da república, oficializadavia ofício do Ministério da Educação (MEC). As funções extintas(FG-4(73), FG-5(18), FG-6(12) e FG-7(14)) foram excluídas do SistemaIntegrado de Administração Pessoal, independentemente de estarem ou não ocupadas.De acordo com a legislação vigente, os servidores não receberão os valorescorrespondentes às funções a partir da folha de pagamento de agosto.