Pular para o conteúdo

Toni Reis diz que condenação de Nikolas Ferreira por fala homofóbica é "educacional"

Presidente da Aliança Nacional LGBTI+, que processou extremista por discurso de ódio, diz que é preciso isolar quem promove leis inconstitucionais

Toni Reis diz que condenação de Nikolas Ferreira por fala homofóbica é "educacional"
Toni Reis. Foto: Grupo Dignidade/Divulgação
Publicado:

Presidente da Aliança Nacional LGBTI+, entidade que processou o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) por discurso de ódio contra a comunidade trans, o ativista Toni Reis diz que a condenação é "educacional", e deve ajudar a evitar que outros casos de transfobia ocorram no país. Nikolas terá de pagar R$ 200 mil por discurso de ódio.

Nikolas Ferreira, um dos mais estridentes membros da extrema-direita no Congresso Nacional, usou em março de 2023 uma peruca durante um pronunciamento da tribuna da Câmara dos Deputados. Ironizando as mulheres trans, disse ser a "deputada Nikole" e afirmou seu impossível que as trans fossem de fato mulheres.

"Temos que ver que o humor, a sátira precisam respeitar a dignidade do outro", afirma Toni Reis, presidente da Aliança e fundador do Grupo Dignidade. "E a dignidade das pessoas trans foi afetada. É uma grande vitória para uma sociedade mais inclusiva", afirma ele.

Segundo Toni, neste momento em que a extrema direita tem atuado com bastante agressividade contra a a comunidade LGBTI, é preciso saber como lidar com os discursos de ódio. Isso inclui as várias ações judiciais impetradas pela Aliança, mas não só isso.

"Primeiro é preciso dialogar com as pessoas aliadas e com aqueles que estão em dúvida. E isolar essas pessoas que fazem leis inconstitucionais, além de procurar os caminhos judiciários para derrubar essas propostas. Já derrubamos várias leis contra a linguagem neutra e os banheiros unissex, por exemplo. Até hoje não perdemos nenhuma", diz ele, que conta com o apoio de mais de uma centena de advogados para atuar nas ações antidiscriminatórias.

"Toda vez vamos entrar com ações", diz. "Nenhuma das nossas vitórias no Supremo Tribunal Federal, como o direito ao casamento, à adoção, a Lei Maria da Penha, nenhuma delas tirou nenhum direito de ninguém."

Toni , que está na Alemanha nesta semana conta que visitou vários museus relativos ao Holocausto. "Estou aqui em Berlim, e o nazismo começou exatamente com leis segregados. Se prejudica uma pessoa, prejudica todo mundo", diz.

Rogerio Galindo

Rogerio Galindo

Jornalista, um dos fundadores do Plural.

Todos os artigos

Mais em Paraná

Ver todos

Mais de Rogerio Galindo

Ver todos

De nossos parceiros