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Sem folia e ponto facultativo, Curitiba terá carnaval com cara de "dia normal"

Desfile das escolas de samba e blocos será em ambiente virtual

Sem folia e ponto facultativo, Curitiba terá carnaval com cara de "dia normal"
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Não haverá carnaval de rua neste ano em Curitiba e, além disso, também não terá ponto facultativo, de acordo com a prefeitura. Com esta decisão, os órgãos públicos municipais vão funcionar normalmente nos dias 28 de fevereiro e 1.º de março.

O varejo também deve ter atendimento ao público, já que a Associação Comercial do Paraná (ACP) recomendou aos associados que mantenham as portas abertas, o que deve deixar a data com cara de "dia normal" para os curitibanos.

A decisão de não adotar ponto facultativo foi motivada pela pandemia da Covid-19 e é amparada pela portaria do Ministério da Economia n.º 14.817/2021 dispõe que os dias 28 de fevereiro e 1º de março são considerados ponto facultativo e não feriado.

“No feriado é vedado o trabalho. Regra que não é absoluta, a depender do tipo de atividade desenvolvida pela empresa, mas, quando acontece, o pagamento poderá ser dobrado. No ponto facultativo não há impedimento para o trabalho e o pagamento não será dobrado”, explicou a advogada e especialista na área do Direito do Trabalho, Karolen Gualda Beber.

E a folia?

A pedido da Liga das Escolas de Samba e Blocos Carnavalescos de Curitiba e Região Metropolitana a Fundação Cultural de Curitiba (FCC) vai realizar a festa em ambiente virtual.

O edital do Fundo Municipal da Cultura contemplou oito escolas de samba e três blocos carnavalescos que vão produzir vídeos para serem publicados nas redes sociais da prefeitura.

Mas para os produtores culturais envolvidos no carnaval, não é a mesma coisa.

Foto: Jacqueline Prado/Divulgação Ela Pode Ela Vai

Há mais de 30 anos Leandro Leal, um dos idealizadores do bloco Garibaldis e Sacis, participa ativamente do carnaval paranaense. Na infância, em Antonina, onde tomou gosto pela festa, e depois em Curitiba, local no qual arrasta multidões que entoam enredos e marchinhas.

“Eu nunca, jamais imaginei que não poderia botar o bloco na rua. Ninguém esperava essa pandemia”, lamenta Leal.

Diferentemente do Rio de Janeiro e São Paulo, as escolas e blocos de samba não são a ocupação principal dos membros em Curitiba, o que não causou impacto financeiro direto nos produtores culturais.

Mas uma série de trabalhadores foi impactada com o cancelamento do carnaval de rua. “A gente entende que é algo maior que nós, maior que a bloca. Existem ambulantes, catadores de latinhas e pessoas da periferia que ocupam este espaço da rua durante o carnaval e sofrem por não ter”, analisa Fernanda Camargo, da bloca Ela Pode Ela Vai.

Os blocos arrastam multidões pelas ruas do centro histórico | Foto: Julio Garrido/ divulgação Garibaldis e Sacis

A última atualização disponibilizada pela prefeitura de Curitiba (16) aponta que há mais de 395 mil casos de coronavírus confirmados desde o início da pandemia. Com o vírus ativo são 12,9 mil. A ocupação das UTIs está em 69%.

Diante dos números, os produtores de conteúdo se contentam com a web para garantir ao menos um naco de folia. “Vai ser bom do jeito que for. A gente precisa manter nossa energia, nossa alegria e valorizar a importância do carnaval”, diz Leal.

Aline Reis

Aline Reis

Jornalista e especialista em Gestão da Comunicação, Assessoria e Marketing pela Universidade Positivo (UP). Mestra em Estudos de Linguagens pela UTFPR. Presidenta do Sindicato de Jornalistas Profissionais do Paraná.

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