O maior trunfo de“Carcereiro: o filme” é o elenco. Mais especificamente, o protagonista:Adriano, um agente penitenciário interpretado por Rodrigo Lombardi.
Um presídiobrasileiro (em São Paulo?) deve abrigar por uma noite um terrorista preso pelapolícia federal. O criminoso, Abdel Mussa (Kaysa Dadour), viaja no dia seguintepara os Estados Unidos, onde será julgado.
A presença doterrorista atiça as ambições de uma facção criminosa que controla parte dacadeia. Na visão deles, matar o estrangeiro vai pegar bem para eles, quemostram força, e mal para a polícia e o sistema carcerário do Brasil, que foramincapazes de proteger o criminoso por uma noite.
Numa cena, Adrianotem de se negociar com o mandachuva da facção. O motivo é prosaico: para conduziro terrorista até a sala onde passará a noite, o agente penitenciário precisafechar as celas com os bandidos dentro delas, coisa que ele nunca faz (partetalvez dos acordos implícitos entre quem cuida da prisão e quem está preso).
O diálogo édifícil e dá para ver a tensão no corpo e na voz de Adriano. Apesar disso, elefaz um esforço para se impor, para demonstrar alguma firmeza, e ao mesmo tempomeio que implora para os bandidos deixaremele fechar as celas. Só essa cena diz muito sobre o país e sobre como funcionamos presídios no território nacional.
A certa altura, umgrupo de milicianos armados com fuzis invadem a prisão à procura de um homem.Um homem específico que está preso ali. E vão matando todos os outros queencontram pelo caminho.
A invasão acabadetonando uma rebelião e, a partir daí, o filme vira um banho de sangue commuita câmera nervosa, explosões, tiros e gritarias, numa fotografia escura e claustrofóbica.É um massacre.
Em meio à tantaação, é difícil manter o interesse. Não se sabe mais quem está matando quem, epor quê.
Lá pela metade do filme, você se pergunta se vai sobrar alguém vivo. Sobra. Mas, quando chega o fim, isso já não faz mais diferença.
Serviço
"Carcereiros: o filme" estreia nos cinemas nesta quinta-feira (28).