Vai ao Senado a proposta de criação da Universidade Federal Indígena (Unind), de autoria do Governo Federal, aprovada na Câmara dos Deputados nesta semana. O objetivo da nova universidade é “produzir conhecimentos científicos e técnicos necessários ao fortalecimento cultural”. No entanto, a proposta enfrentou resistência de deputados de direita.
Um deles foi o paranaense Tião Medeiros (PP). Embora o projeto explique a Unind tem um papel de valorização e difusão dos saberes dos povos tradicionais do Brasil e América Latina, Medeiros falou em segregação. "Por que fazer uma segregação? Por que não podem estar em uma universidade com os outros? Tem de criar uma coisa separada", criticou.
Entenda
A deputada Célia Xakriabá (PSOL-MG) foi a relatora da proposta e destacou que trata-se de uma reparação histórica às comunidades tradicionais. "É uma reparação histórica e epistemológica ao direito dos povos indígenas a terem acesso aos espaços formais de produção, validação e circulação do conhecimento científico", afirmou Célia Xakriabá.

Além do campo teórico, o projeto também prevê doação de bens móveis da União para que a autarquia comece a funcionar. Concursos públicos para docentes indígenas e não-indígenas, além de técnicos-administrativos devem ser abertos após a apreciação da proposta no Senado.
