Considerado foragido da Justiça brasileira desde o início de 2025 e alvo de mandado de prisão expedido pelo ministro Alexandre de Moraes no processo relacionado ao 8 de Janeiro, Léo Índio espera uma vitória de Flávio Bolsonaro para voltar ao Brasil.
Com documentação provisória, ele vive em Puerto Iguazú, na fronteira com Foz do Iguaçu. Está hospedado em um hostel próximo à delegação da Polícia Federal Argentina, onde concedeu entrevista ao jornalista Marcelo Ameri, publicada na sexta-feira (11) pelo La Voz de Misiones.
Segundo Léo Índio, a volta ao Brasil passa por uma vitória do primo Flávio Bolsonaro. À imprensa argentina, disse que, eleito presidente, Flávio poderia indicar quatro ministros ao STF e, assim, “equilibrar um pouco esta guerra”. Também relacionou essa mudança ao retorno de brasileiros que deixaram o país após o 8 de Janeiro. Se o primo perder, afirmou, permanecerá no exterior.
Em Puerto Iguazú, diz ter encontrado uma rede de brasileiros em condição semelhante, com famílias, idosos e crianças. Segundo ele, há pessoas na cidade desde 9 de janeiro de 2023. “Aqui já existem, em Porto Iguaçu, mais de 100 pessoas nessa mesma situação”, declarou.
Pedido de ajuda a Milei
Léo Índio tenta obter uma solução junto ao governo de Javier Milei. Durante a entrevista, mostrou uma carta a Milei, datada de 4 de setembro, que pede “atenção urgente” aos brasileiros chamados de “exilados” e agilidade na análise dos pedidos de refúgio.
A carta cita cerca de 300 pedidos de asilo e 62 brasileiros incluídos em pedidos de extradição apresentados pelo Brasil. Os números não têm confirmação oficial argentina.
Também ofereceu apoio político a Milei e disse estar disposto a trabalhar pela reeleição do presidente e a convencer eleitores de que “o melhor caminho é mais à direita”.
Embora seja apresentado pelo La Voz de Misiones como asilado, Léo Índio afirma ter apenas uma autorização provisória. Segundo ele, o documento é “precário”, precisa ser renovado a cada 90 dias e permanece válido enquanto o pedido é analisado pela Comissão Nacional de Refugiados da Argentina, a Conare.
Léo Índio é réu no STF pelos atos de 8 de Janeiro. A PGR sustenta que imagens publicadas por ele mostram sua participação nos ataques. Ele responde por tentativa de golpe de Estado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, associação criminosa, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado. A defesa nega os crimes.
Seus advogados confirmaram ao STF, em março de 2025, que Léo Índio estava na Argentina. Segundo a Agência Brasil, os advogados informaram que ele estava no país havia mais de 20 dias e apresentaram autorização temporária válida até 4 de junho, com permissão para trabalhar, estudar e usar a saúde pública.
Sem decisão definitiva da Conare, Léo Índio segue em Puerto Iguazú com documentação provisória.