Colaborou: Flávia Carolina
Poucas coisas talvez sejam menos associadas à política do que um concurso de Miss. No entanto, para Edna Sousa, a conquista da coroa de Miss Pinhais, em 2018, foi não só o primeiro momento em que seu nome chamou a atenção na cidade como se tornou em certa medida o primeiro passo em sua vida pública.
Aos 25 anos, vinda de Campos dos Goytacazes, no Rio de Janeiro, Edna se tornou uma rara miss negra no Paraná. Mais do que uma vaidade, segundo ela, tratava-se de abrir caminhos para outras mulheres e de derrubar estereótipos. Quando você nasce uma mulher negra, ela costuma dizer, o corpo já nasce político.
Seis anos depois do título, que acabou lhe dando o nome como hoje é conhecida, a Miss Preta, hoje filiada ao PT, se elegeu pela primeira vez para um cargo público. E agora inicia 2025 como a vereadora mais votada de Pinhais. Depois de ficar como suplente em 2020, Miss Preta triplicou a votação e acabou sendo a mulher mais votada da cidade, com 1.608 votos - e a quarta candidata mais votada no geral.
Caminhada
Miss Preta iniciou sua jornada com o trabalho já em Campos dos Goytacazes, como educadora social na Fundação Municipal da Infância e da Juventude de Campos dos Goytacazes (FMIJ) entre 2014 e 2015.
A mudança para o Paraná, diz ela, foi um “feliz acaso”. Edna veio para o estado a passeio em 2016, para visitar conhecidos. Ao conhecer Pinhais, ela diz ter se encantado pela infraestrutura e pela população da cidade.
Agora, diz que vai fazer um mandato inclusivo. “Meu objetivo é construir um mandato participativo, onde as pessoas se sintam parte ativa das decisões que afetam suas vidas”, declarou Miss Preta ao Plural.
Ela afirma que a saúde é a sua prioridade durante o mandato. A vereadora também tem como causa a luta das minorias sociais. “Vou continuar levantando bandeiras que sempre fizeram parte da minha atuação, como a luta pela igualdade racial, os direitos das mulheres, a acessibilidade, a inclusão da diversidade e a defesa das minorias. Quero atuar de forma abrangente, garantindo que todas as vozes sejam ouvidas e representadas”, diz.
Na educação, através do “Projeto Miss Preta nas Escolas”, que visa conectar e inspirar a juventude negra, a vereadora diz que pretende estabelecer uma educação antirracista e fortalecer o combate ao racismo por meio da fiscalização das Leis nº 10.639/2003 e 11.645/2008, que garantem o ensino e o enaltecimento da história afro-brasileira e indígena no currículo das escolas públicas e privadas brasileiras.