Cristina Graeml perdeu, e isso deixou muita gente aliviada. Todo o espectro político que desconfia do extremismo à direita pôde pelo menos ver nisso uma "vitória", mesmo sabendo que Eduardo Pimentel está na beirinha do mesmo precipício ideológico e carrega na mesma chapa um bolsonarista raiz, o ex-deputado Paulo Martins.
Na verdade, talvez esse tenha sido o caso em que a esquerda curitibana esteve mais unida por uma causa nas últimas eleições municipais. Nem Gustavo Fruet, nem Goura e (evidentemente) nem Luciano Ducci conseguiram fazer o milagre de unir tanto o eleitorado à esquerda desse modo - o medo de Cristina e seu vice fez milagres.
Mas eu trago más notícias. Primeiro, é preciso admitir o óbvio, que é a votação impressionante da candidata; ela saiu basicamente do nada e chegou ao segundo turno, e pelo menos por um momento chegou a ser considerada a favorita para ganhar a Prefeitura de Curitiba. Segundo, porque essa foi apenas a estreia dela nas urnas e tudo indica que Cristina agora vai ter toda a chance de disputar outros cargos e com muito mais estrutura.
Cristina Graeml tem apenas 54 anos e surge num momento em que o Paraná tem um problema de renovação de quadros. Se quiser se eleger deputada federal, não precisa nem fazer campanha. Se pretender, pode tentar o Senado ou mesmo o governo do Paraná. E, embora isso vá fazer alguns leitores acharem que eu endoidei, poderia inclusive fazer parte de uma chapa nacional, como vice de um Pablo Marçal da vida, por exemplo.
Em 2026, certamente ela não estará no triste PMB, um partido que não deu à candidata nem tempo de tevê nem dinheiro. Será cobiçada agora por PL, pelo Novo e sabe-se lá por quais outros partidos da direitona extremada. E se sem tevê ela fez quase 300 mil no primeiro turno e chegou quase à Prefeitura, imagine com estrutura.
Eduardo Pimentel levou a prefeitura, mas na verdade a grande vencedora da eleição é Cristina. Ele, ao ganhar a eleição, não fez mais do que a obrigação. Teve R$ 15 milhões de dinheiro, apoio de Ratinho Jr. (PSD) e de Rafael Greca (PSD), além de toda a máquina pública. Cristina não tinha nada disso e incomodou demais.