O senador Sergio Moro (União Brasil) realizou escutas ilegais enquanto era juiz da Lava Jato, em Curitiba, segundo dados obtidos pela Polícia Federal (PF). A PF encontrou transcrições de grampos ilegais na 13ª Vara Federal, que fica na capital. As informações foram divulgadas pelo UOL.
O material tinha degravação de áudios envolvendo desembargadores do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) e o então presidente do Tribunal de Contas do Paraná (TCE-PR), Heinz Herwig. As escutas foram feitas sem autorização judicial.
Delação
O ex-deputado estadual Tony Garcia havia mencionado que Moro o obrigou a fazer escutas ilegais quando firmou delação premiada em 2004. Contra Herwig, por exemplo, a escuta foi feita em 2005.

Também foram encontrados registros de gravações contra desembargadores do próprio TRF-4 e contra o então presidente do TCE.
A ordem de busca e apreensão na 13ª Vara Federal de Curitiba foi expedida pelo ministro Dias Toffoli, após sucessivas solicitações do Supremo Tribunal Federal por documentos, fitas e gravações que não haviam sido encaminhados à Corte, mesmo depois da saída de Moro da magistratura.
Leia aqui a reportagem completa.
Moro, por sua vez, usou o X para rebater a reportagem. Leia a íntegra:
Então vamos lá, jornalista publica “furo” no UOL de que eu teria, em 2005, grampeado ilegalmente o ex-Presidente do TCE/PR. Primeiro, não é furo, a mesma jornalista havia dado idêntica matéria em 2023. Segundo, o fato ocorreu em 2005, há 20 anos, quando um criminoso colaborador, ladrão de consórcios, se dispôs a gravar seus interlocutores suspeitos de variados crimes em investigações derivadas do caso Banestado. O entendimento do STF na época era que a gravação feita pelo próprio interlocutor não demandava autorização judicial. Então um conselheiro do TCE foi gravado e é só, tudo com registro nos autos. Foi a única autoridade de foro então gravada e o áudio não foi utilizado para nada. Essa colaboração findou em 2005, sem qualquer relação com a Lava Jato. Estranhamente, esses factóides são ressuscitados no momento em que é revelado que Lulinha está sendo investigado pela PF por suspeita de envolvimento no escândalo do roubo do INSS. Estou na CPMI do INSS e defenderei, independentemente de intimidação ou de factóides, que o fato seja investigado.