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Hátrês dimensões sobre a Independência que podem render excelentes reflexões paraas crianças e os jovens: a primeira dimensão , evidentemente, é a histórica. Hávária perguntas incríveis para discutir na escola, em casa, nas praças ouenquanto o desfile não acaba. Por exemplo: Por que a independência do Brasilfoi proclamada por um nobre português e não pelos próprios brasileiros? Por quedizem que a independência foi aindependência do Brasil e dos brasileiros mas ela não libertou os escravos? Por que a independência foi em todo oBrasil mas várias províncias serevoltaram contra ela? Por que proclamamos uma República para nos livrar damonarquia e a data cívica mais importante do país ainda exalta a figura de ummonarca?
Asegunda dimensão é a simbólica. E outras perguntas podem ser feitas paraprovocar pensamentos na meninada. Destaco um exemplo: A semana da Pátria é umasemana para comemorar o quê: Nossa soberania? Nossa vivência comum? Nossopassado de glórias? Nossa civilização invejada pelo mundo afora? Nossasconquistas científicas ou esportivas? Nosso índices econômicos e sociais?Afinal, por que há um feriado e o que pretendemos sentir em nossas almas quandotremula a bandeira e quando ouvimos os acordes de nosso hino?
Aliás,curiosamente e não sem um tanto de ironia, a música de nosso hino foi compostapara homenagear a deposição do imperador D. Pedro I, o mesmo que proclamou aindependência e depois fechou com a força das armas a primeira constituinte dopaís; reprimiu com a violência de tropas mercenárias os movimentoscontestadores no Pará, Maranhão, Piauí e Bahia; envolveu o país em uma guerraidiota com a Argentina pela posse de um território que nunca nos pertenceu;afundou a economia em uma crise que faliu o Banco do Brasil; mandou espancarjornalistas que o criticavam, matando um deles, Líbero Badaró. Além de colocardentro de casa a própria amante e bater na própria esposa. Daí o povo nãoaguentou e o pôs para correr. E foi então que se compôs uma música para nãoesquecer do que acontece com os governantes autoritários e insensíveis. Esta éa música do Brasil. Nosso hino.
Há,por fim, uma última dimensão: a utópica. Podemos conversar sobre o 7 desetembro imaginando um país independente de miséria, violência, ignorância.Podemos imaginar um país independente da sordidez dos corruptos e da canalhicedos traficantes. Podemos imaginar um país independente da destruição dafloresta e da poluição das águas. Podemos imaginar tantas coisas que precisamcomeçar a acontecer para que, aí sim, desfilarmos, como cordão de carnaval,comemorando esse dia. Por enquanto há apenas tristes e constrangedoras homenagens oficiais para marcar uma data quenão habita os corações e almas dos brasileiros.