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Eleições 2026: candidato é homem, branco, empresário e já disputou outras eleições

Uma radiografia dos 1.062 candidatos do Paraná mostra um perfil dominante — homem, branco, 49 anos, com diploma e negócio próprio — e revela abismos de patrimônio, raça e gênero entre os partidos. Quanto mais alto o cargo, mais rico e mais branco.

By Robô
Eleições 2026: candidato é homem, branco, empresário e já disputou outras eleições
Cabine de votação em 2024. Foto: Tami Taketani/Plural

Se fosse possível resumir a disputa paranaense de 2026 em uma só pessoa, ela seria assim: um homem branco de 49 anos, com ensino superior, empresário ou advogado, dono de cerca de R$ 216 mil em bens, que já disputou uma eleição antes e é sócio de pelo menos uma empresa. Esse é o "candidato médio" que emerge do cruzamento dos dados dos 1.062 candidatos do Paraná declarados ao TSE — de governador a deputado estadual.

O perfil não é sutil. Os homens são 66% das candidaturas; os brancos, 73% — numa população estadual em que pretos e pardos são quase metade. Dois terços têm diploma superior. E as profissões mais declaradas revelam o funil de quem chega à disputa: empresário (a mais comum), advogado, e logo atrás vereador e deputado — ou seja, quem já vive da política.

Consulte todos os perfis no especial de candidatos do Plural.

O abismo do patrimônio

O valor mediano de bens declarados é de R$ 216 mil. Mas a média salta para R$ 2 milhões — a distância entre os dois números denuncia a concentração: um punhado de candidatos milionários puxa a média para cima, enquanto 26% declaram não ter bem algum. A metade mais pobre e a mais rica disputam a mesma urna em mundos financeiros opostos.

E o dinheiro sobe com o cargo. O patrimônio mediano vai de R$ 165 mil entre os candidatos a deputado estadual a mais de R$ 1 milhão entre os candidatos ao governo:

CargoCandidatosPatrimônio medianoMulheresBrancosIdadeJá concorreu
Governador8R$ 1,04 mi12%62%4362%
Senador9R$ 663 mil33%100%5778%
Dep. federal413R$ 255 mil34%77%4969%
Dep. estadual606R$ 165 mil34%70%4971%

Chama atenção o Senado: os 9 candidatos são todos brancos e são os mais velhos da disputa (57 anos de mediana). Quanto mais alto o posto, mais o retrato se estreita — mais rico, mais branco, menos mulheres.

A direita mais rica e branca; a esquerda mais diversa e mais pobre

O recorte por partido expõe as duas metades da política paranaense. Os candidatos mais ricos estão no PSD (patrimônio mediano de R$ 649 mil), PP (R$ 636 mil) e PL (R$ 544 mil) — legendas de direita e centro. No outro extremo do patrimônio aparecem PSOL e DEMOCRATA, ambos com mediana zero, além de MOBILIZA, REDE e MISSÃO, abaixo de R$ 33 mil.

A cor acompanha o bolso: o PL é o partido mais branco (91% dos candidatos), seguido de PP (86%) e PSD (85%); os mais diversos são a REDE (42% brancos), o DEMOCRATA (47%) e o PSOL (52%). E os empresários se concentram nas legendas de direita mais ricas — 77% dos candidatos do PL são sócios de empresa, ante 38% no PT e 33% no PSOL.

O DEMOCRATA, porém, é a exceção que embaralha o quadro: partido de direita, mas com patrimônio mediano zero, poucos empresários (21%) e um dos perfis mais diversos e femininos da disputa — prova de que a régua ideológica nem sempre acompanha a do bolso.

Nas mulheres, a dianteira é da esquerda: PT (45%) e PSOL (44%) são os que mais se aproximam da paridade — e o DEMOCRATA (42%) as acompanha pela direita. A maioria das siglas, porém, fica colada no piso legal de 30%.

Os profissionais — e os novatos

Política, no Paraná, é carreira: 69% dos candidatos já disputaram alguma eleição antes. Em partidos como PT (83%), AVANTE (82%) e PODE (80%), a reincidência é quase regra. Entre os que têm histórico, a mediana de votos na última eleição foi de cerca de 2.300.

A exceção que confirma a regra é o MISSÃO: apenas 14% de seus candidatos já concorreram — 86% são estreantes —, com a menor idade mediana da disputa (35 anos) e patrimônio baixo (R$ 32 mil). É o partido dos novatos num mar de veteranos.

Por federação

Reunidas as siglas em federações — a unidade que de fato disputa —, os contrastes se mantêm: a União Progressista (União Brasil + PP) tem o patrimônio mediano mais alto (R$ 399 mil); a Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV) tem a maior fatia de mulheres (44%) e a maior reincidência (84%); e a PSOL/Rede é a mais pobre, com mediana de patrimônio de apenas R$ 8,5 mil.


Metodologia: análise dos 1.062 candidatos do Paraná (turno 1) registrados nas Eleições 2026, por CPF. Fonte: TSE/DivulgaCand e Receita Federal (participação societária), compilação Plural. Patrimônio pela mediana (menos sensível a valores extremos que a média). "Já concorreu" considera candidaturas anteriores por CPF ou por nome e data de nascimento. Números preliminares, sujeitos a decisões da Justiça Eleitoral. Recortes completos por cargo, partido, gênero e raça na página do Paraná.

Robô

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