A moça está dormindo.
É de manhã, nem tão cedo, e a luz que entra pelas frestas da cortina (aquilo ainda pode ser chamado de cortina?) traça riscos bem bonitos
Não fiz pão. Também não me empenhei em cursos online. Não participei de festas no Zoom. Nem ao menos posso me gabar de seguir o mesmo chato de pouco mais de um ano atrás
O senhor sacou uma máscara do bolso e, teatralmente, a atirou no chão. Voltou-se para mim e, como um desvairado, gritou: “Ciência?! Eu quero que a ciência se foda! Eu odeio a ciência! Odeio!”
Tento conceber os livros, que tanto admirei ao longo de mais de quarenta anos, como pesos de papel, revistas abandonadas por falta de imagens, inúteis caixas de palavras desprovidas de valor