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O preço de morar em Maringá: como o valor do aluguel redefine as fronteiras da região metropolitana

Diante da especulação imobiliária, mais de 40 mil pessoas recorrem ao movimento pendular diário, morando em cidades vizinhas como Sarandi e Paiçandu para conseguir habitação acessível.

O preço de morar em Maringá: como o valor do aluguel redefine as fronteiras da região metropolitana
Maringá - PR Foto: Assessoria de Comuicação/PMM

Maringá figura frequentemente em levantamentos nacionais e internacionais que apontam o município como um dos melhores do país em índices de qualidade de vida, urbanismo e arborização. No entanto, o acesso a essa estrutura urbana esbarra em indicadores econômicos locais, especificamente no custo da habitação nas áreas centrais e no perfil de renda da população trabalhadora.

O cenário da renda local

De acordo com os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o rendimento nominal médio mensal domiciliar per capita em Maringá é de R$ 2.646. Essa média, contudo, abrange diferentes estratos econômicos. Setores que concentram grande volume de mão de obra na cidade, como o comércio varejista, o setor de serviços, alojamento e alimentação, operam com pisos salariais atrelados ao salário mínimo nacional — estabelecido em R$ 1.621,00 para 2026 — ou ao Salário Mínimo Regional do Paraná, cujo piso para o setor de serviços e comércio está fixado em R$ 2.181,63.

O custo do aluguel nas zonas centrais

O impacto desse cenário se reflete diretamente na busca por moradia em regiões estratégicas para o emprego e o estudo, como o Novo Centro, a Zona 01 e a Zona 7 — esta última no entorno do campus principal da Universidade Estadual de Maringá (UEM).

Uma verificação nos principais portais de anúncios imobiliários ativos na cidade mostra que o valor médio para locação de imóveis de um quarto ou kitnetes na Zona 7 varia entre R$ 1.100 e R$ 1.500 mensais. Já no Centro, apartamentos compactos de um dormitório atingem ofertas na faixa de R$ 1.750 a R$ 1.900 mensais. Quando somados os custos fixos ordinários de condomínio, estimados em uma média de R$ 250 a R$ 350, o custo total de ocupação nessas áreas centrais atinge patamares entre R$ 1.350 e R$ 2.250.

Na prática, para um trabalhador que recebe o salário mínimo nacional ou mesmo o piso regional do comércio, comprometer essa faixa de valores com a manutenção de um imóvel equivale a destinar a quase totalidade (ou, em certas faixas, a totalidade) de seus rendimentos brutos mensais apenas para garantir a habitação.

Comparativo com capitais

Os valores praticados no mercado imobiliário maringaense assemelham-se aos indicadores registrados em grandes capitais brasileiras. Levantamentos de índices habitacionais, como o FipeZAP, apontam que o custo do metro quadrado para locação em Maringá atua em patamares equivalentes aos de Curitiba (PR) e supera os valores médios de capitais como Goiânia (GO) e João Pessoa (PB) para imóveis de tipologia compacta similar, evidenciando uma pressão inflacionária habitacional desproporcional ao porte populacional do município.

Descentralização e movimento pendular

A incompatibilidade entre os valores de locação central e a remuneração das faixas salariais iniciais tem gerado um processo de deslocamento populacional para municípios vizinhos que compõem a Região Metropolitana. Estimativas baseadas em dados de mobilidade e em estudos censitários apontam que mais de 40 mil trabalhadores realizam o movimento pendular diariamente a partir de cidades como Sarandi e Paiçandu para acessar postos de trabalho e serviços em Maringá.

Estudos demográficos e de planejamento urbano desenvolvidos por pesquisadores da Universidade Estadual de Maringá (UEM), com base em dados de fluxo do IPARDES, indicam que o crescimento habitacional dessas cidades do entorno está diretamente atrelado à saturação imobiliária da cidade polo. No caso de Sarandi, o fluxo diário chega a englobar mais de um terço da população economicamente ativa do município, consolidando essas regiões vizinhas como eixos de absorção residencial da mão de obra regional devido ao menor custo do metro quadrado.

O debate sobre a habitação

Diante desse panorama, o adensamento vertical e a valorização imobiliária observados na área central trazem à tona discussões sobre as políticas públicas de habitação social e de mobilidade urbana em Maringá. O desafio que se apresenta para o planejamento do município é balancear o ritmo de crescimento econômico e atratividade do mercado imobiliário com a capacidade de absorção habitacional da população que sustenta o mercado produtivo local.

Thaís Almeida

Thaís Almeida

Sou jornalista e redatora, com experiência em diferentes frentes da comunicação: colunas de notícias, reportagem de rua e produção e apresentação de programas ao vivo. Minha atuação se concentra em temas como política e questões raciais.

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