Professores do UniCuritiba votam indicativo de greve | Jornal Plural
2 jul 2020 - 22h27

Professores do UniCuritiba votam indicativo de greve

Com apoio do sindicato e estudantes, docentes protestam contra a redução da carga horária, possíveis demissões e nova matriz curricular da faculdade

Professores do Centro Universitário Curitiba (UniCuritiba), com apoio dos estudantes e do Sindicato dos Professores de Ensino Superior de Curitiba e Região (Sinpes), protestam contra a iniciativa do Grupo Ânima Education – conglomerado educacional que comprou o UniCuritiba – de implementar uma nova matriz curricular que, segundo o Sindicato, prejudica gravemente a categoria. Sem diálogo com a instituição e temendo futuras demissões, os docentes discutem a possibilidade de greve a partir de 16 de julho, caso não haja suspensão da implantação do novo modelo de ensino.

A votação de indicativo de greve está em andamento e encerra nesta sexta-feira (2). O presidente do Sinpes, Valdyr Perrini, afirma que não houve pronunciamento contrário ao indicativo de greve durante a reunião e prevê aprovação.

De acordo com Ana França, presidente do Diretório Acadêmico Clotário Portugal (DACP), que representa os alunos de Direito da instituição, a matriz curricular proposta pelo novo grupo educacional reduz a carga horária em sala de aula e aumenta o Ensino à Distância (EaD), além de substituir o modelo de disciplinas pelo de Unidade Curricular.

O resultado seria a redução de horas-aula dos docentes e possíveis demissões no decorrer da implantação do novo currículo, levando à precarização do ensino e das relações de trabalho. “A partir do momento que a gente tem a desvalorização dos professores, isso reflete diretamente na Educação dos alunos. A redução da carga horária reflete na remuneração dos professores. Uma coisa é atualizar a matriz curricular, outra coisa é fazer um desmonte e implementar algo totalmente novo”, afirma Ana França.

As agremiações estudantis – Centro Acadêmico de Relações Internacionais Primeiro de Janeiro (dos estudantes de Relações Internacionais), Diretório Acadêmico Clotário Portugal (dos estudantes de Direito) e Diretório Central dos Estudantes – entraram com ação civil pública para tentar impedir a mudança da matriz curricular, já que o regimento da instituição prevê que tias mudanças sejam previamente discutidas e votadas nos conselhos da faculdade.

“Não houve nenhum diálogo prévio. Essa implementação veio em meio a uma pandemia, no momento em que os alunos estão preocupados com seus empregos, a Saúde da família e agora com a sua Educação. O que eles fizeram foi de uma forma arbitrária, não democrática, sem consultar as partes interessadas e indo contra o próprio regimento interno da faculdade”, diz Ana. A liminar foi concedida pela Justiça na última quarta-feira (1) e os estudantes aguardam os próximos passos.

Redução de carga horária

Desde a venda do UniCuritiba para o grupo Ânima, em dezembro de 2019, a comunidade acadêmica se preocupa com a queda da qualidade da Educação na instituição. De acordo com a estudante, trata-se de “uma empresa de capital aberto, que visa lucro”. Embora o grupo tenha afirmado aos discentes que não faria mudanças, elas começaram a acontecer.

No início de junho, o grupo lançou um edital de seleção de professores que reduzia pela metade o valor da hora-aula dos docentes. De acordo com o Sinpes, o edital propunha um concurso para regime parcial de 10 horas ou integral, de 20 horas, com remuneração de R$ 1,5 mil e R$ 3 mil, respectivamente. “Só que os professores do UniCuritiba, para regime parcial e integral, já ganham o dobro disso. Seria uma redução salarial muito significativa.”

Os alunos reclamam que a instituição não abre espaço para negociação. “O diálogo deles é unilateral. Falam, justificam, mas não abrem oportunidade para negociar.”

Em protesto, alunos e docentes organizaram um buzinaço e um velório simbólico em frente à sede do UniCuritiba, no dia 19 de junho.

Após tentativas de diálogo com a faculdade e reuniões mediadas pelo Ministério Público do Trabalho, o edital foi suspenso e o grupo se comprometeu a criar um novo procedimento com a participação dos professores. A mudança da matriz curricular e suas consequências, no entanto, permanecem na mesa.

O que diz o UniCuritiba


Em nota, o UNICURITIBA informa que o modelo de ensino adotado tem respaldo nos Atos Regulatórios do Ensino Superior e nas recomendações da Resolução nº 7 MEC/CNE/CES, de 18 de dezembro de 2018.

A instituição afirma que não haverá perda de conteúdo necessário à formação. “O que muda é a forma de organização curricular. A carga horária das disciplinas clássicas está sendo apenas redistribuída em Unidades Curriculares e atividades de extensão, respeitando integralmente as diretrizes curriculares estipuladas pelo MEC e a legislação em vigor.”

“Asseguramos que o currículo reúne as inovações necessárias para que o UniCuritiba siga sendo reconhecido como uma instituição tradicional, com excelentes indicadores acadêmicos, que forma profissionais qualificados e preparados para os desafios diários deste mundo em constante transformação.

No que diz respeito à menção sobre o corpo docente, reiteramos que eventuais movimentações não têm qualquer relação com a aplicação da nova matriz curricular, mas são fruto de uma dinâmica normal que ocorre a cada semestre.

Por fim, ressaltamos que fomos informados acerca de uma decisão liminar proferida pelo juiz da 18ª Vara Cível da Comarca de Curitiba, mas ainda não recebemos qualquer citação ou intimação. Aguardaremos tal ato para que possamos nos manifestar e adotar as medidas cabíveis para assegurar o princípio constitucional da autonomia universitária consagrado no artigo 207, que consagra, também, princípio de indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão.

O UniCuritiba tem absoluto respeito pelo passado da Instituição. Temos certeza de que acertamos muito ao longo do tempo. E é justamente por isso que acreditamos na proposta que estamos apresentando e na sua capacidade de formar profissionais cada vez mais críticos, criativos, inovadores e engajados.

Ressaltamos que nunca foi simples propor e implementar inovações e novas tecnologias educacionais em nossas escolas, mas o esforço sempre valeu a pena, pois trouxe resultados incontestáveis que colocam nossas instituições entre as melhores de suas regiões e do país, consoante conceitos do próprio MEC e outros tantos indicadores. Vale reforçar que a nima é o grupo educacional particular com a maior porcentagem de instituições de ensino superior com IGC 4 (de um total de 5) no MEC, isto é, que figuram na Zona de Excelência”, conclui a nota.”

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