Mortes de pretos em Curitiba aumentam 65% na pandemia; de brancos, 1% | Jornal Plural
29 jul 2020 - 17h00

Mortes de pretos em Curitiba aumentam 65% na pandemia; de brancos, 1%

Número de óbitos no Registro Civil entre os meses de março e julho deste ano escondem realidades bem distintas

4.035 pessoas morreram em Curitiba entre 11 de março e 11 de julho de 2020, segundo os dados de Registro Civil. Esse número é 6% superior ao do mesmo período de 2019 (de 3.798 mortos). A diferença de 237 pessoas é bastante próxima dos 286 óbitos por Covid-19 confirmados pela Secretaria Municipal de Saúde.

O crescimento de 6% está abaixo da média nacional (14%). Porém, Curitiba é a única capital do Sul que teve aumento no número de mortes em 2020. Ainda que a situação curitibana não se compare a casos trágicos, como o aumento de 80% nas mortes em Manaus, os números da capital paranaense escondem realidades bem distintas.

Entre as pessoas brancas, que são maioria na cidade, os registros apontam um crescimento de apenas 1,2% nos óbitos (percentual equivalente a 37 pessoas). Situação bem diferente foi a vivida por pardos, com 36% (106 pessoas), e por pretos, que mesmo sendo minoria tiveram um aumento impressionante de 65% (47 pessoas).

Percentual de aumento de mortes em Curitiba, em 2020, em relação a 2019, por cor da pele. Fonte: Registro Civil

Nos quatro meses de pandemia em Curitiba, o aumento no número de mortes entre os pretos foi então 50 vezes maior que o aumento registrado entre os brancos.

Também os amarelos tiveram um incremento relevante em relação às mortes de um ano atrás, com 14 mortes a mais, um aumento de 52%. Não houve mortes de indígenas na cidade em nenhum dos dois períodos.

Número de óbitos a mais em 2020 por cor da pele, em Curitiba, em 2020. Fonte: Registro Civil.

Realidade paralela

A realidade é uma quando se considera o total de mortes e outra quando se analisa apenas o excedente de óbitos ocorridos no período analisado.

No total de mortes (4.035), os dados mostram que 75% são brancos e 13%, negros (que somam pardos e pretos). Porém, quando se analisa só as 237 mortes a mais registradas entre março e julho, a população negra responde por 65% dos óbitos, enquanto a branca fica com 16%.

Os amarelos também têm um aumento de participação, pulando de 1% no total para 6% no recorte.

Os números

Os dados foram obtidos do portal da transparência da “Central de Informação do Registro Civil – CRC Nacional”, na última segunda (27). Não foram considerados os dados relativos aos últimos 14 dias para respeitar os períodos legais previstos para registro das informações.

Porém, fica claro para o usuário recorrente da plataforma que mesmo esse prazo não é suficiente em algumas localidades. Assim, apesar de ser louvável a disposição dos dados, seria interessante que o Portal esclarecesse por que dados de meses e mesmo de anos anteriores são constantemente incrementados, a fim de aumentar a transparência.

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