1 ago 2020 - 17h16

Governo desiste de se isentar por contágio em escolas

Protocolo de volta às aulas foi modificado. Ele desresponsabilizava o Estado por casos de Covid-19 entre os alunos

“Declaro que estou ciente do agravamento dos riscos que envolvem o retorno às aulas presenciais, não podendo responsabilizar a instituição de ensino, bem como o governo do Estado do Paraná por eventual contaminação ou desenvolvimento da doença.”

Versão enviada à imprensa e publicada em redes sociais

Este era um trecho do “Termo de responsabilidade e consentimento livre em situação de pandemia de Covid-19” que a Secretaria de Estado da Educação (Seed) do Paraná avaliou entregar aos pais antes do retorno das aulas presenciais, previstas para setembro. Após o documento vazar na internet, e diante das críticas de professores e responsáveis pelos alunos, o governo editou o termo e retirou o trecho polêmico, publicando a versão oficial do protocolo, neste sábado (1).

Versão final e oficial, publicada pela Seed

O novo documento, antes de responsabilidade, agora é “Termo de compromisso com o protocolo de segurança do (sic) Covid-19”. Ele foi publicado nesta tarde, no site da secretaria. De acordo com o diretor-geral da Seed, Gláucio Dias, esta é a única versão oficial publicada até agora.

“Houve mais de 20 versões do documento, trocadas internamente no âmbito do Comitê (de volta às aulas); não têm validade nenhuma, são documentos internos. As versões nas redes sociais são fake news. Alguém pegou uma das versões e publicou como oficial, sem autorização da Seed. Aí essa versão viralizou e polemizou como fake news. A única real é a publicada pela Seed mesmo, no site oficial. Em nenhum momento a Secretaria publicou outra versão”, garante o diretor-geral.

De acordo com ele, a publicação do protocolo oficial apenas neste sábado, após a polêmica, se deu em razão dos trâmites normais de documentos dessa natureza. “Ele foi apresentado ao Comitê na quinta-feira, teve ajustes e foi fechado ontem (sexta) à noite, com as recomendações técnicas da Secretaria de Estado da Saúde e da Associação Brasileira de Epidemiologia.”

Responsabilidade

A APP-Sindicato, que representa os trabalhadores em Educação Pública no Paraná, afirma que “o Estado sabe que a retomada presencial das aulas causará aumento dos casos de contaminação e morte e quer passar essa responsabilidade para a comunidade. Diante da revolta que o termo gerou, a Seed alterou o documento e publicou a nova versão hoje (01/08) e passa a dizer que a versão anterior é fake news”.

Segundo a APP, as entidades que compõem o Comitê não tiveram acesso ao documento antes da publicação. “Todos receberam ele por e-mail no dia 31/07 e a nova versão em novo e-mail hoje (01/08). Não queremos novas versões desse documento, queremos respeito à vida dos/as trabalhadores/as da Educação, dos/as estudantes e de toda comunidade escolar. Não aceitaremos o retorno das aulas presenciais em meio a uma pandemia que mata cada dia mais em nosso país.”

Se puder, assine o Plural. Você pode escolher o valor que quer pagar. Isso faz muita diferença para nós: ser financiados por leitoras e leitores. As assinaturas nos mantêm funcionando com uma equipe que hoje tem oito pessoas e dezenas de colaboradores. Somos um jornal que cobre Curitiba em meio aos obstáculos da pandemia e fazemos isso com reportagens objetivas, textos de opinião e de cultura, charges e crônicas. Obrigado pela leitura.

2 comentários sobre “Governo desiste de se isentar por contágio em escolas

  1. O interessante é que as fakenews podem ser usadas como balão de ensaio para ver a repercussão, se não for boa a culpa é das fakenews. Pratica comum na política, desde priscas era, agora porém está potencializada pelas redes sociais.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Os comentários feitos em textos do Plural são moderados por pessoas, não robôs, e não são publicados imediatamente. Não publicamos comentários grosseiros, agressões, ofensas, acusações sem provas nem aqueles que promovem tratamentos sem comprovação científica.

Últimas Notícias

É falso vídeo que tenta ligar filho de Lula a Petrobras e a aumento de combustíveis

Diferentemente do afirmado em vídeo, o preço do barril de petróleo não é manipulado por uma empresa internacional que investe na Petrobras. O preço varia, na verdade, com a oferta e demanda do produto no mundo. Além disso, nenhum filho do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é sócio de empresa investidora da companhia e o presidente Jair Bolsonaro (PL) não instaurou uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar os acionistas da petroleira. O conteúdo é falso

Projeto Comprova

É de graça


E vai continuar assim. Mas o nosso trabalho só existe porque ele é financiado por você, leitora e leitor, e por parceiros. Ajude o Plural a continuar independente. Apoie e assine por valores a partir de R$ 5 por mês.

Já é nosso assinante?
Faça seu login com email ou nome de usuário

Não é assinante?  Assine por valores a partir de R$ 5 por mês.

This will close in 20 seconds