25 maio 2021 - 19h53

Curitiba tem 369 pacientes na fila por leitos

Secretaria Municipal de Saúde presta contas sobre o primeiro quadrimestre de 2021

Durante quatro horas, na manhã desta terça-feira (25), a secretária de Saúde de Curitiba, Marcia Huçulak e sua equipe prestaram contas e responderam perguntas dos vereadores sobre a gestão da Saúde Pública na Capital, em especial sobre a pandemia e os problemas dela recorrentes. A audiência pública foi virtual e transmitida pela Internet.

Entre os principais assuntos debatidos esteve a fila de pacientes que esperam por um leito hospitalar, seja nas Unidades de Terapia Intensiva (UTI) ou nas Enfermarias. São 369 pessoas aguardando uma vaga, sendo que metade delas está nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) da Região Metropolitana de Curitiba.

Além disso, conforme mostrou o Plural, há falta de medicamentos para intubação, e os pacientes já começam a ser amarrados nas camas por falta de sedativo. Ainda assim, a secretária não anunciou medidas mais rígidas contra o coronavírus – há expectativa sobre novo decreto municipal para amanhã (26).

O resumo do último quadrimestre (janeiro a abril de 2021) aponta que o número de óbitos em pacientes que permaneceram mais de 24 horas aguardando vagas nas UPAS de Curitiba é de 0,67%. A taxa de mortalidade para pacientes com o mesmo tempo de espera durante o ano todo de 2020 foi de 0,55%.

A taxa de transmissão hoje na Cidade é de 1,10, ou seja, cada pessoa com o vírus contamina outras 110 pessoas. A maior parte das vítimas são homens com doenças pré-existentes, como diabetes e obesidade.

A Prefeitura tem disponíveis 525 leitos exclusivos para Covid-19 e 726 leitos clínicos. O valor pago pelo governo federal para cada vaga ocupada é de R$ 1,6 mil e R$ 800 por leito ativo, mesmo que não ocupado. Isso serve para manter os profissionais. Para cada 10 leitos de UTI são necessários 1 médico intensivista, 2 enfermeiros, 5 técnicos de enfermagem, 1 farmacêutico, 1 fisioterapeuta, além de todos os profissionais de apoio.

Traumas

A equipe de saúde destacou a dificuldade de gestão dos leitos, considerando a quantidade de pacientes encaminhados da RMC e o aumento no número de traumas registrados diariamente, em especial nos fins de semana. Esse foi o motivo do fechamento de mercados no sábado e domingo, mesmo sob Bandeira Amarela, disse Márcia. “Recebemos o pedido dos hospitais, que estavam todos bloqueados para novos atendimentos no dia 18 de maio. Ao reduzirmos a circulação de pessoas nas ruas no fim de semana, amanhecemos com os Pronto Socorro livres na segunda.”

A maioria dos traumas, segundo a SMS, vêm do trânsito e envolve motociclistas homens, entre 20 e 40 anos, no horário das 19h às 5h – o que levou ao toque de recolher das 22h às 5h.

Testes

A SMS informou que são testados todos os que procuram o serviço de saúde e que são realizados cerca de 3 mil testes RT-PCR por dia na Capital. “O grande problema é que a equipe liga para a pessoa que testou dando o resultado, mas identificamos, especialmente nos jovens, que em torno de 50% deles não estão isolados. Eles continuam fazendo seu trabalho, saindo pra rua, e só se isolam após o resultado positivo. Não entenderam que a partir do momento que você é sintomático respiratório é possível estar com o vírus, o que demanda o isolamento imediato até o resultado.”

A secretária lembrou ainda que não adianta estar com sintomas e fazer o teste sorológico ou o rápido de farmácia, que só acusa os anticorpos. Ele não vai diagnosticar o vírus ativo no organismo, dando um falso negativo.  

Medicamentos para intubação

Apesar de confirmar que há um protocolo para situações de escassez de recursos, incluindo medicamentos, a Secretaria de Saúde de Curitiba disse que nunca deixou faltar “absolutamente nada” de suprimentos, equipamentos de suporte à vida nem de proteção individual aos trabalhadores – mesmo sendo lembrada de que há um processo do Sindicato dos Servidores Municipais de Enfermagem de Curitiba (Sismec) contra a administração pública por falta de EPIs.

O kit intubação, porém, “é um problema nacional”, que tem sido um desafio diário. “Temos feito aquisições inclusive internacionais. Compramos da Índia há um mês, só estamos esperando a liberação da Anvisa para buscar”, conta Huçulak.  

“O Hospital de Clínicas, por exemplo, gastava 500 ampolas por semana, agora gasta isso por dia. Temos um colapso nacional na produção destes medicamentos pois as únicas duas fabricantes não conseguem suprir todas as regiões. Hoje, são 22 Estados que dependem do apoio do governo federal por falta de medicamentos de intubação, entre eles o Paraná”, diz a secretária.

A falta destes remédios, como sedativos e bloqueadores neuromusculares já faz com que os pacientes sejam amarrados na cama, o que, segundo o diretor de urgências de Curitiba, Pedro Almeida, é um protocolo de segurança contra quedas. “Os pacientes que estão sob sedação, não terão consciência suficiente para seguir as regras, então nós temos que fazer contenção física destes pacientes. Essa é uma técnica que se utiliza em todos os pacientes sedados para proteção contra quedas e extubação acidental. Isso não é uma coisa anormal”, garante.

Transporte Público

A lotação dos ônibus de Curitiba – principal reclamação dos trabalhadores – motivou vários questionamentos dos vereadores. A equipe de Saúde disse apenas que os coletivos não andam lotados e que há fiscalização. “Fazemos o monitoramento constante e o bloqueio do cartão cidadão de quem testa positivo. Há uma generalização da lotação que não se evidencia. As linhas que geralmente aglomeram têm intersecção com a Região Metropolitana, de responsabilidade da Comec.”

Evento e aglomeração

Os momentos de maior tensão na audiência foram os que envolveram questionamentos sobre um evento realizado pela Prefeitura no Parque São Lourenço, no dia 14 de maio. Com cerca de 500 convidados, a inauguração causou aglomeração e desrespeitou regras do próprio decreto municipal contra o coronavírus, como a proibição de reuniões com mais de 50 pessoas e o distanciamento social obrigatório de 1,5 metro.

“Nós não fomos consultados, o Comitê [de Saúde] recebe solicitações sobre liberações, mas não emitimos parecer neste. Não participamos”, se limitou a responder Huçulak.

Questionada se a Prefeitura iria receber multa, assim como diversos estabelecimentos que descumprem as medidas, a secretária disse que os atendimentos são feitos por denúncias e que não é de responsabilidade da Saúde fiscalizar eventos de aglomeração de outras atividades.

Atendimentos e cirurgias eletivas

A secretaria garantiu que está atendendo a todos os pacientes nas Unidades Básicas de Saúde, mesmo com o fechamento de dezenas delas para remanejamento de pessoal e atendimento Covid. São 68 unidades abertas, e 11 exclusivas para vacinação. “Mantivemos tudo que é possível. Há momentos de retração e soltura dependendo das condições, sanitárias.”

Segundo Márcia, o governo do Estado deve voltar a proibir as cirurgias eletivas nos próximos dias.

Profissionais de Saúde

Houve a perda de 253 servidores, sendo 24 médicos, mostrou a SMS. O motivo, segundo a pasta, é – em sua maioria – aposentadoria. A recomposição do quadro de profissionais da Saúde foi feita via contratação temporária, por meio da Fundação Estatal de Atenção à Saúde (FEAS), ou pelo Processo de Seleção Simplificada (PSS).

“Curitiba não tem banco de concursos e usamos o PSS para prorrogar os contratos vigentes e manter os profissionais, com chamadas constantes. Mas precisamos chamar 40 para aparecer cinco.”

Vacina

Sobre a vacinação de profissionais de todas as áreas da Unimed, antes dos demais trabalhadores da saúde, Huçulak disse que a empresa é um prestador de serviço e está no grupo dos trabalhadores da saúde, que estão todos sendo vacinados, como o pessoal da segurança, limpeza, administrativo, inclusive os de teletrabalho. Também os atendentes de farmácia e os fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais atuantes em estabelecimentos de Saúde. Alunos de cursos de Saúde em atividade também seguem sendo vacinados contra a Covid-19.

A secretária pontou que há uma baixa procura pelas outras vacinas, como a H1N1 (da gripe), inclusive entre os profissionais de Saúde.

Comércio

Rodízio para abertura dos comércios, proposto pela Associação Comercial – na intenção de evitar novo fechamento das atividades – não é efetivo, afirma a SMS.

“Apesar de todos os esforços, a penademia continua e temos momentos mais críticos e menos críticos. Sinto muito pelas perdas econômicas, mas nosso principal objetivo é proteger a vida sempre. Tudo que causa aglomeração aumenta o perigo.”

Escolas

As escolas municipais seguem sem aula presencial desde fevereiro, quando chegou a abrir uma semana antes do início dos surtos em colégios e Centros de Educação Infantil (CMEIs). “Nunca fizemos restrição a atividades escolares”, disse a secretária de Saúde.  Não há previsão para o retorno presencial.

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