Baladas de Curitiba exigem que clientes mostrem comprovante de vacinação
8 out 2021 - 12h21

James implementa passaporte sanitário e outras baladas vão aderir à iniciativa

Segundo empresários, exigência vai garantir segurança de clientes e funcionários

A flexibilização das medidas sanitárias e a reabertura das casas noturnas com até 70% de capacidade está levando diversas baladas de Curitiba a exigirem dos clientes a apresentação do passaporte sanitário contra a Covid-19 na entrada. A iniciativa é voluntária, já que não há qualquer medida determinada pelo poder público.

Os pioneiros foram o James Bar e o James Garden, no Batel, que a partir desta semana só liberam o acesso a pessoas que comprovem estarem vacinadas com pelo menos uma dose do imunizante. A checagem é feita na porta e o cliente pode mostrar o aplicativo Saúde Já, da prefeitura, ou a carteirinha de vacinação, caso resida em outra cidade.

“Já que a gente tem liberdade de escolha de colocar algumas exigências para aceitar o público na nossa casa, resolvemos se adiantar e começar a cobrar isso, não só para dar mais segurança para o público, mas principalmente para a nossa equipe”, explica a empresária Ana Priscila Raduy, proprietária do James.

Medidas parecidas foram determinadas pelo poder público em países da Europa e outras cidades brasileiras, como Rio de Janeiro. O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, se posicionou contra o passaporte sanitário, que chamou de “medida descabida”.

Além do James, outros bares e baladas devem seguir a iniciativa nos próximos dias. Um deles é o Cosmos G/Astrobar, no Batel, que estuda implementar a exigência a partir do dia 18 de outubro para garantir a proteção de equipe, clientes e incentivar a vacinação.

“Nós queremos que as coisas retornem, mas isso tem que ser feito com responsabilidade, já perdemos vidas demais para não levar os cuidados da pandemia extremamente a sério”, diz a empresária Janaína Santos, proprietária do Cosmos.

O VU Bar, nas Mercês, que está fechado desde março do ano passado deve reabrir as portas na semana que vem, mas aguarda a prefeitura se posicionar sobre a exigência do passaporte sanitário.

“Somos a favor tanto pela segurança dos clientes e dos funcionários como também para viabilizar o funcionamento das baladas. Imaginamos que implementando a exigência da comprovação da vacina, coisas básicas para o funcionamento de casas noturnas, como poder beber em pé, que está proibido hoje, por exemplo, poderiam ser liberados. Mesmo com a liberação parcial, pelas características do negócio, as exigências ainda tornam incompatível e inviável o funcionamento das casas noturnas. Pois mesmo que tenhamos tomado todas as providencias, é muito difícil controlar as pessoas e todas as minúcias exigidas”, afirma José Carlos, proprietário da balada.

Segundo o presidente da Associação de Bares e Casas Noturnas (Abrabar), Fábio Aguayo, esse tipo de iniciativa deveria ser amparada por decreto ou portaria do poder público que deixasse facultativa a adoção da exigência.

“Não sendo [uma medida] oficial, o cliente pode entrar com uma ação de discriminação contra o local. Um bolsonarista ou alguém que gosta de criar casos pode exigir danos morais”, alerta Aguayo.

Raduy diz não estar preocupada com essa possibilidade, já que as casas noturnas são espaços particulares que livremente podem estabelecer regras de entrada, como barrar pessoas de boné ou bermuda, por exemplo.

Segundo Melissa Kanda, advogada especializada em Direito Médico e à Saúde, a chance de um estabelecimento responder a um processo judicial existe, mas é pequena.

“O Supremo Tribunal Federal já afirmou a obrigatoriedade da vacinação e o Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo confirmou a demissão de um funcionário que se recusou a receber a imunização, o que demonstra que o poder judiciário tende a chancelar as iniciativas que incentivem a vacinação”, explica Kanda.

Ela lembra que o fato de se estar vacinado, com uma ou duas doses, não implica em ausência de risco de infecção, “motivo pelo qual o estabelecimento deve continuar mantendo as regras sanitárias de capacidade, distanciamento e uso de máscaras”.

Na última quarta-feira (6), a prefeitura emitiu um decreto que flexibilizou ainda mais as restrições e permite agora que pistas de danças funcionem em área delimitada, com o uso de máscaras e sem consumo de bebidas e alimentos, que segue restrito para clientes sentados.

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4 comentários sobre “James implementa passaporte sanitário e outras baladas vão aderir à iniciativa

  1. Eu acho que a hora da seleção natural dos estabelecimentos que sobreviverão e os que deixarão de existir começa agora com essa exigência de passaporte sanitário. Eu vou fazer propaganda negativa contra quem exigir e espero que acordem e percebam que o cliente é que faz o negócio dar certo ou não.

  2. Eu quero ver a cara dessas pessoas que defendem passaporte sanitário quando entenderem que o passaporte não é para sempre. Que vai ter prazo de validade. Que uma vez instalada e normalizada, essa tecnologia nos faz refém de toda e qualquer arbitrariedade que as autoridades decretarem, simplesmente para ter acesso à vida pública. Eu não me importaria, se os defensores dessa m**** não estivessem arrastando todos nós para o fundo do poço junto com eles.

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