Ricardo Barros é acusado de receber propina milionária e faz "a política como ela é" | Jornal Plural
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16 set 2020 - 21h37

Ricardo Barros é acusado de receber propina milionária e faz “a política como ela é”

Líder do governo Bolsonaro na Câmara Federal, Barros é acusado de receber R$ 5 milhões em dinheiro sujo. Deputado é investigado por corrupção e lavagem de dinheiro

O Ministério Público do Paraná (MP-PR) cumpriu, na manhã desta quarta-feira (16), em Maringá, no norte do Paraná, um mandado de busca e apreensão no escritório do líder do governo Jair Bolsonaro (sem partido) na Câmara dos Deputados, o paranaense Ricardo Barros (PP). O parlamentar é acusado de receber R$ 5 milhões em propina para intermediar negócios ligados á Companhia Paranaense de Energia (Copel).

De acordo com o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do MP, as investigações contra Barros envolvem fraudes na contratação de energia eólica. Os fatos começaram a ser apurados com base na delação premiada da empreiteira Galvão Engenharia.

Segundo o Gaeco, as fraudes começaram entre 2011 e 2014, o deputado está sendo investigado por corrupção e lavagem de dinheiro. Além do escritório do ex-ministro, houve mandado de busca e apreensão em São Paulo contra Delmo Sérgio Vilhena. Os investigadores querem saber qual a relação da família Barros com o empresário.

A Polícia Civil apreendeu documentos, computadores, celulares e encontrou na casa de Delmo, notas fiscais de hotéis de Maringá no nome dele e outros cadernos com anotações à época dos fatos investigados. 

Barros é líder do governo Bolsonaro na Câmara dos Deputados há pouco mais de um mês. Em agosto, deu uma declaração ao jornalista Fernando Rodrigues, em entrevista exibida no SBT Brasil, elogiando as alianças do presidente com os políticos do Centrão. Na ocasião, o deputado afirmou que assumia a liderança do governo “justamente na hora em que o presidente Bolsonaro se articula com a política como ela é”.

Em nota, o deputado Ricardo Barros, que está no sexto mandato na Câmara Federal, afirmou estar tranquilo e em total colaboração com as investigações. O parlamentar reafirma a sua conduta ilibada e informa que solicitou acesso aos autos do processo para poder prestar mais esclarecimentos à sociedade e iniciar sua defesa. Barros é relator da Lei de Abuso de Autoridade e repudia o ativismo político do judiciário.

Oito mandados

Na operação do Ministério Público, foram cumpridos oito mandados de busca e apreensão em Curitiba, Maringá, Paiçandu e São Paulo. A investigação apura os crimes de lavagem de dinheiro e corrupção para facilitar negócio no ramo de energia eólica.

As ordens judiciais foram expedidas pela 12ª Vara Criminal de Curitiba e foram cumpridas em um escritório de contabilidade e em outros três endereços comerciais (onde funcionam quatro empresas). Além disso, o Gaeco foi até outras quatro residências.

A investigação do MP-PR começou a partir da remessa de peças enviada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em novembro de 2019. A apuração dos fatos está sendo feita com base em informações de colaboração premiada da Operação Lava Jato.

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