"Pequeno gesto independente" cria o Paranáflix, um acervo de filmes feitos no Paraná | Jornal Plural
Clube Kotter
4 set 2020 - 8h00

“Pequeno gesto independente” cria o Paranáflix, um acervo de filmes feitos no Paraná

Casal de irmãos cria uma plataforma que organiza em listas os filmes relacionados ao PR disponíveis na web

Quantas vezes você pensou em ver um filme do Paraná (imagino que não muitas), mas não sabia exatamente como ou onde encontrá-lo?

Pois o Paranáflix pode ajudá-lo! A plataforma foi desenvolvida pelos irmãos Marcela Mancino e Tomás von der Osten, e ajuda a reunir as produções audiovisuais que estão dispersas pela internet.

“É uma forma de organizar o acervo. Não é um streaming”, explica Tomás, que trabalha com cinema e é professor universitário. A ideia surgiu dois meses atrás, depois de um trabalho de curadoria que o professor desenvolveu com o Cineclube Aurora.

O que poderia ser mais uma gigantesca lista de Excel, ganhou uma interface mais acessível com o trabalho de Marcela. Atuando na área de programação, e ligada às artes, foram 60 dias de trabalho para o desenvolvimento do site, feito do zero. Lançado há oito dias, o Paranáflix oferece categorias e informações sobre os filmes, para ajudar na navegação. 

Marcela é responsável pelo desenvolvimento do site, enquanto Tomás fica com a curadoria do projeto. Foto: Divulgação

O site não hospeda os filmes, que precisam estar disponíveis em plataformas como o YouTube ou o Vimeo. O acervo é construído de forma colaborativa: quem quiser indicar uma obra pode fazê-lo seguindo as instruções disponíveis no site. As sugestões passam por um filtro de curadoria, que busca informações adicionais antes de incluir a obra no catálogo. 

Há dois critérios basilares: o primeiro é que a obra tenha alguma ligação com o Paraná, já que este é o recorte do projeto, que também conta com uma categoria de videoclipe e séries. O segundo vale para as obras cinematográficas: é preciso que os filmes tenham tido pelo menos uma exibição pública. “Mas também incentivamos as pessoas a enviarem os filmes que nunca foram exibidos. Por esse caminho, porém, eles passariam por uma curadoria nossa”, diz Tomás. 

A única restrição tem a ver com o discurso das obras sugeridas: “Enquanto plataforma colaborativa, não restringimos quais filmes entram no site, mas nos reservamos o direito de remover qualquer filme com teor racista, machista, homofóbico, transfóbico, xenofóbico ou de intolerância religiosa”, avisa o texto disponível na plataforma.

Criando um espaço

O projeto nasceu da vontade de pensar e compartilhar a produção do estado. “Pesquisei muitos filmes e, de repente, tinha uma lista muito grande de filmes produzidos no Paraná. Pensei em como fazer essas obras chegarem nas pessoas”, diz Tomás, que ressalta a importância de sensibilizar o público quanto à existência e a qualidade dos filmes locais.

O professor pontua a ausência de um espaço de exibição das obras, bem como de preservação e difusão da memória da produção local. O Paranáflix nasce, então, como uma resposta a esses problemas. “Na ausência de outros espaços, acabamos criando o nosso próprio – mas estamos longe de achar que esse espaço, criado por nós, é suficiente”, diz Tomás. No entanto, ainda é preciso que políticas públicas coerentes, acessíveis e longevas, sejam implementadas, segundo o professor.

Nesse sentido, a plataforma é o que ele define como um “pequeno gesto independente”, que foi bem recebido pelo público. Além de encontrar e receber algumas obras mais antigas, o projeto parece ter criado um segundo movimento positivo: “Agora está em marcha um movimento de realizadores que fizeram filmes nos 1980, que nem estão na internet, e que, a partir da plataforma, têm esse desejo de disponibilizar os filmes”, afirma.

Apoio

Ainda em construção, o Paranáflix é uma iniciativa colaborativa, sem fins lucrativos que deverá contar com adições semanais ao catálogo. Todas as semanas a curadoria do site também deve destacar uma obra, fazendo uma espécie de recomendação. Hoje, o projeto conta com 140 filmes listados, mas até o fim desta semana, mais 30 obras devem ser inseridas no Paranáflix

Para seguir no ar, além do trabalho voluntário dos irmãos, o projeto criou uma campanha no Apoia-se para atingir algumas metas e crescer. Melhorias técnicas devem ser feitas na plataforma, e o plano – no futuro – é poder remunerar curadores convidados. 

Quem não puder, ou quiser, apoiar mensalmente, também pode contribuir pontualmente, com doações via PicPay. “Tão importante quanto apoiar financeiramente, é também compartilhar a plataforma – contando para as pessoas e principalmente assistindo aos filmes, porque a nossa ideia é que chegue às pessoas”. 

Filmes do Paraná

O catálogo do Paranáflix pode ser conferido no site do projeto, que também conta com um perfil no Instagram.

Se puder, assine o Plural. Você pode escolher o valor que quer pagar. Isso faz muita diferença para nós: ser financiados por leitoras e leitores. As assinaturas nos mantêm funcionando com uma equipe que hoje tem oito pessoas e dezenas de colaboradores. Somos um jornal que cobre Curitiba em meio aos obstáculos da pandemia e fazemos isso com reportagens objetivas, textos de opinião e de cultura, charges e crônicas. Obrigado pela leitura.

2 comentários sobre ““Pequeno gesto independente” cria o Paranáflix, um acervo de filmes feitos no Paraná

  1. Mas que ótima idéia!
    Oxalá o projeto cresça e apareça. Muitos filmes ainda estão de fora do catálogo. Espero que os produtores curitibanos acreditem na idéia e postem seus links.
    Parabéns aos envolvidos.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Assuntos:

Últimas Notícias