Ser cristão não é pré-requisito para se ver “Conclave”, que estreia nos cinemas nesta quinta-feira (23). Em linhas gerais, o filme mostra o processo de escolha de um novo papa e, se você é uma pessoa de fé, várias partes da história vão dialogar com suas crenças. Se você, assim como eu, não é particularmente cristão nem religioso, várias partes da história vão dialogar com sua descrença.
Mas a ideia do diretor Edward Berger não parece ser doutrinar ninguém, menos ainda fazer uma crítica aos bastidores do poder no Vaticano. Na verdade, “Conclave” percorre esses bastidores e a rede de intrigas que se forma no processo de escolha do papa como se fosse uma trama de detetive em que os personagens são, por acaso, cardeais e freiras. E que personagens.
Conclave
Se você estiver acostumado a procurar mocinhos e bandidos numa história (e acho que todos estamos, em alguma medida), vai notar que ninguém ali parece ser uma coisa só. Nem só mocinho, nem só bandido.
O mais perto que o filme chega de ter um vilão é com a figura do cardeal Tedesco, interpretado com entusiasmo pelo italiano Sergio Castellitto. Ele se revela um antagonista já nos primeiros minutos, quando ficamos sabendo que Tedesco é um forte candidato ao cargo de papa.
Na lógica que sugeri acima, o detetive seria então o cardeal Lawrence, o protagonista vivido por Ralph Fiennes, responsável por administrar o processo de escolha do líder da Igreja Católica. Lawrence foi incumbido da tarefa pelo papa anterior, de quem era próximo, e a despeito de estar enfrentando uma crise de fé.
Fim-surpresa
Ficamos sabendo que o cardeal Bellini (Stanley Tucci) é o candidato da ala progressista da Igreja e que tem o apoio de Lawrence. Tedesco aparece como o favorito da ala conservadora. Essa é a disputa de poder que se desenrola enquanto Lawrence tem de lidar com conspirações, denúncias e passados mais ou menos sombrios — para chegar a uma conclusão surpreendente.
https://youtu.be/Gf3LRWkhzrQ?si=E3WtvtSRXoXaLvfn