O Conselho Municipal de Meio Ambiente de Londrina (Consemma) encaminhou, em 27 de novembro, um ofício ao Ministério Público do Paraná cobrando informações sobre o caso do desmatamento ilegal de 54,6 hectares de Mata Atlântica na Fazenda Produtor, que pertence ao conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE), Durval Amaral, pai do prefeito da cidade, Tiago Amaral.
Desde o ano passado, o conselheiro recebeu seis multas aplicadas pelo Instituto Água e Terra (IAT), que somam R$ 556 mil. O órgão estadual também determinou o embargo da área, localizada às margens do Rio Tibagi.
No site do IAT, é possível verificar que, em 2024, foram três autuações “por destruir vegetação nativa em área de preservação permanente inserida no bioma Mata Atlântica sem autorização do órgão ambiental competente”, totalizando R$ 386 mil.
Neste ano, Amaral foi novamente multado, em mais R$ 170 mil. São outras três autuações: uma por “impedir a regeneração natural em área de reserva legal devido à sua utilização para produção de culturas anuais, numa área de 6,6 hectares”; e duas por “descumprir embargo de atividades”.
No ofício enviado ao Ministério Público, o Consemma cobra informações sobre “providências adotadas, ações em andamento e medidas voltadas à responsabilização e à reparação ambiental”, além de manifestar “profunda preocupação diante da supressão irregular de vegetação nativa”.
O Plural questionou o Ministério Público sobre a cobrança do conselho. Por meio da assessoria de imprensa, a 20ª Promotoria de Justiça da Comarca de Londrina — especializada em Meio Ambiente, Habitação, Urbanismo e curadoria de Fundações — informou que “estão sendo tomadas todas as providências necessárias no procedimento, que está em trâmite em Curitiba no Centro de Apoio Operacional às Promotorias de Justiça do Meio Ambiente e Habitação e Urbanismo”.
Segundo a nota, o processo tramita sob sigilo e, portanto, o MP não pode fornecer mais informações.
A reportagem também procurou o conselheiro. Por meio da assessoria do TCE, Amaral informou que o Plural deveria contatar seu advogado, mas não forneceu o nome do profissional.

