No último sábado, 25 de julho, Dia Nacional de Tereza de Benguela e Dia da Mulher Negra Latinoamericana, a plateia do Cine Teatro Villa Rica, em Londrina, ficou lotada para homenagear mulheres negras com trajetórias inspiradoras em diversas áreas de atuação. Foi a 6a edição do Prêmio Tereza de Benguela, promovido pelo Instituto Coletivo Black Divas.
No palco, 37 mulheres receberam seus troféus como reconhecimento de uma luta que não é só delas, mas de um coletivo. “Receber o Prêmio Tereza de Benguela é mais do que uma conquista pessoal. É o reconhecimento de uma caminhada construída com afeto, coragem e compromisso com a educação, a cultura e a valorização da história do povo negro”, declara a pedagoga, contadora de histórias e escritora Gilza Santos.
“Como mulher negra, recebo esta homenagem com profundo orgulho, porque ela reafirma que nossas vozes, nossas memórias e nossos saberes importam e transformam o mundo. É a confirmação de que cada história contada, cada criança alcançada, cada formação realizada e cada semente plantada faz sentido”, diz a escritora, que também trabalha na formação de professores e acaba de lançar o livro “As Abelhas de Titílope”.
Para ela, a premiação celebra, em especial, a força das mulheres negras que vieram antes, que resistiram e abriram caminhos. “Este prêmio me fortalece para seguir contando histórias, preservando memórias, honrando minha ancestralidade e transformando vidas”, finaliza.

Reforço para a luta coletiva
Sandra Mara Aguilera, coordenadora do Coletivo Black Divas, enfatiza o intuito de valorização do prêmio. “A importância para as mulheres homenageadas é saber que elas são lideranças nos espaços que elas estão, nos territórios, nas empresas, nas universidades. E que nós somos referências de nós mesmas”, destaca.
Para Sandra, a caminhada coletiva, proporcionada pelo Black Divas, contribui para que mulheres negras tenham força para sair da invisibilidade e compreender seu lugar no mundo. “Hoje, as mulheres que estavam aqui saíram transformadas”, acredita.
Alessandra Aparecida dos Santos, integrante do Black Divas há sete anos e uma das homenageadas da noite, destaca o papel transformador do coletivo.
“Faço parte do Black Divas e meus filhos, Johanna e Emmanuel, participam do projeto Crespinhos. Aliás, inclusive minha mãe, meus sobrinhos, todos participam, pois o coletivo se tornou um espaço de pertencimento e fortalecimento que marcaram profundamente a nossa família”, conta.

Para ela, receber o Prêmio Tereza de Benguela “é uma honra imensa, pois mais do que um reconhecimento pessoal, representa a valorização de todas as mulheres que, diariamente, transformam realidades por meio do cuidado, da dedicação e da luta por uma sociedade mais justa, inclusiva e igualitária”.
O reconhecimento reforça o empenho dessa assistente social engajada na luta pela garantia de direitos. “Minha trajetória profissional sempre esteve voltada à garantia de direitos, à inclusão social e ao fortalecimento de pessoas, famílias e comunidades. Receber essa homenagem fortalece ainda mais meu compromisso de seguir contribuindo para a promoção da igualdade racial, da diversidade e da valorização das mulheres negras, inspirando também as novas gerações a ocuparem seus espaços com orgulho, conhecimento e protagonismo”.
“Não se deixem ser silenciadas”
Outra homenageada com o Prêmio Tereza de Benguela, Gisélia Custódio de Oliveira, acredita que o reconhecimento fortalece a luta das mulheres negras nos territórios. “Devemos sempre buscar pelos nossos direitos. Dizer para a sociedade que somos capazes de construir uma sociedade justa, com dignidade de vida”, afirma.
Moradora do Jardim Franciscato, na zona Sul de Londrina, Gisélia é militante social no coletivo de mulheres negras pela assistência social, por moradia digna, educação e saúde. “Como mulher negra enfrentei vários desafios, como machismo, preconceito racial, violência psicológica. O que me motivou a continuar é o direito de viver uma vida de igualdade, de justiça e de voz. Deixo para as mulheres negras que lutem pelos seus direitos para uma vida melhor. Que não se deixem ser silenciadas”.

No palco, encontro de gerações
A premiação foi aberta com apresentações artísticas e falas sobre a história de Tereza de Benguela e do Black Divas, fundado há mais de 20 anos. Dentre as participantes estava a menina Giovanna Garcia, hoje com 11 anos, mas que participa do coletivo “desde que nasceu”, acompanhando sua mãe, a cantora e compositora Priscilla Garcia.
Em sua fala, Giovanna destacou a importância da atuação individual em prol do enfrentamento coletivo.
“As Black Divas são sinônimo de resistência, mas são também sinônimo de criação de cuidado, de reconstrução. Essas mulheres dedicam seu tempo, sua formação, suas experiências de vida e seu amor por construir uma Londrina e um Brasil menos desigual. Elas são prova viva de que as organizações coletivas são um caminho de libertação”, declarou.
Confira os nomes de todas as homenageadas:
1. Alessandra Aparecida dos Santos
2. Aline Leonel Machado Moura
3. Angela Beatriz Ferreira da Costa
4. Ângela Claudia da Silva Borges
5. Bela Vitto da Silva
6. Cleunice Generoso
7. Daiane Cassia
8. Dulce Valéria dos Anjos
9. Edimara Buda de Paula Damas
10. Eunice Maria da Silva Alcântara
11. Gabs Silva
12. Gilza Santos
13. Giselia Custodio de Oliveira
14. Greice Kelly Fernanda Campos de Oliveira
15. Heloise Acosta
16. Jackie Rodrigues
17. Janaína Alves
18. Larissa Moreira
19. Lena
20. Lua Almeida
21. Maria José Barbosa
22. Mariana Lopes da Silva
23. Mariane Steffany de Oliveira
24. Michele Alves Caetano
25. Mirian dos Santos Pereira
26. Ravi Akin Rodrigues
27. Rebeca Oliveira de Godoi
28. Sáthia Gabrielle Carvalho Rodrigues Virgílio
29. Thuanny Cristina A. Soares
30. Verena Cruz
31. Maria Ângela
32. Ivone Cruz
33. Juliana Aparecida Caetano
34. Suellen da Silva Cruz
35. Irina Almeida
36 Carin Louro
37. Patricia
