Pular para o conteúdo

Indígena Kaingang do Paraná luta contra doença rara; saiba como ajudar

Florencio Rékayg Fernandes foi diagnosticado com miosite, doença que atrofia os músculos

Indígena Kaingang do Paraná luta contra doença rara; saiba como ajudar
Publicado:

Faz dois anos que Florencio Rékayg Fernandes, indígena Kaingang de Rio das Cobras, escritor e pesquisador pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), foi diagnosticado com uma doença neuromuscular degenerativa rara, conhecida como miosite. 

"Como é uma doença rara, foi muito difícil chegar a um diagnóstico. Mas tudo teve início em fevereiro de 2019, quando comecei com sintomas. Sentia muitas dores nas pernas, tornozelos, joelhos e ombros", conta Fernandes, aos 45 anos.

Depois de alguns meses, ele começou a perder peso e massa muscular nos braços e nas coxas. Tarefas que antes eram simples, como subir uma escada, segurar um copo de água ou cortar os alimentos com os talheres, Fernandes passou a ter dificuldade para executá-las. 

"Não consegui mais carpir, trabalhar na horta, limpar a casa, jogar futebol, caminhar com a minha família. Todas essas tarefas diárias se tornaram muito perigosas porque qualquer pedrinha ou degrau eu estava caindo." 

Florencio Rékayg Fernandes

As primeiras suspeitas foram de fibromialgia, dor e fraqueza muscular generalizada, e reumatismo, termo utilizado para caracterizar mais de 200 doenças que afetam os músculos, ossos ou articulações causando dor e limitação dos movimentos. Mas, após um ano de consultas a especialistas e exames, o laudo da biópsia muscular confirmou: "miosite por corpos de inclusão", ou MCI.

A miosite

Miosite por corpos de inclusão, ou MCI, é uma doença inflamatória do músculo, caracterizada pela fraqueza muscular progressiva e atrofia. Ela é considerada uma doença rara, o que significa que afeta até 65 pessoas em cada 100 mil indivíduos, ou 1,3 pessoas em cada duas mil. 

Embora o número exato de doenças raras não seja conhecido, estima-se que existam entre seis e oito mil tipos diferentes de doenças raras no mundo.

A miosite não tem cura, nem um tratamento específico. Atualmente, Fernandes está na fase cinco da doença e não tem mais movimento nas pernas, assim como não tem força nos braços. Segundo diagnóstico dos médicos, daqui 10 anos ele pode ter atrofia total dos músculos e perda de memória. 

"Eu nunca tinha ouvido falar da doença, então comecei a pesquisar e estudar. Precisava me preparar para ter uma vida completamente diferente da que eu levava. Agora sempre preciso contar com o apoio de alguém para me levar ao banheiro e circular pela casa".

Fernandes toma medicamentos musculares, como corticóide, e remédios para depressão. Além disso, faz fisioterapia, hidroterapia e tratamento psicológico. Ele continua lecionando em uma escola estadual, agora como adaptado, cursando o terceiro ano do Doutorado na UFPR, escrevendo livros e preparando cursos e oficinas.

"Quando você recebe o diagnóstico de uma doença degenerativa, que está evoluindo e que não tem cura nem tratamento, cai o seu chão, a cabeça fica meio atrapalhada, você fica perturbado. Nos primeiros meses foi difícil aceitar, mas é preciso se adaptar e se conformar com a doença."

Florencio Rékayg Fernandes

Como ajudar

Como Fernandes não tem força nos braços para empurrar a cadeira de rodas que tem atualmente, ele decidiu fazer uma campanha de arrecadação a fim de comprar uma cadeira de rodas elétrica.

Para ajudar, basta doar qualquer valor através deste link.

Mais em Vizinhança Curitiba

Ver todos

Mais de mariacecilia

Ver todos

De nossos parceiros