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Ato antirracista em igreja irrita bispo e pode levar a cassação de vereador

Manifestação começou em frente à igreja e terminou com participantes protestando dentro do templo

Ato antirracista em igreja irrita bispo e pode levar a cassação de vereador
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O protesto antirracista realizado em Curitiba neste sábado (5) em Curitiba, motivada por dois assassinatos de negros no país na última semana, gerou uma disputa entre os manifestantes e a Igreja Católica. O ato foi realizado diante da Igreja do Rosário, uma das mais antigas da cidade, erguida por negros ainda no século 18. Representantes da igreja afirmaram que o protesto atrapalhou uma missa e não gostaram do fato de os manifestantes terem entrado no local depois do fim do culto.

A manifestação aconteceu depois do assassinato do congolês Moïse Mugenyi Kabagambe no Rio de Janeiro, espancado até a morte aos 24 anos, sem chance de defesa, por ter cobrado pagamentos atrasados em um quiosque na orla. O protesto também lembrou o homicídio de Durval Teófilo Filho, de 38 anos, morto pelo vizinho, um sargento da Marinha, enquanto chegava do trabalho, também no Rio de Janeiro. Diversas cidades brasileira realizaram manifestações semelhantes ao longo do fim de semana.

O ato foi pacífico e contou com apresentações culturais, falas de representantes do movimento negro e terminou dentro da Igreja do Rosário. De acordo com o Núcleo Periférico, a entrada dos manifestantes na igreja teria ocorrido após a celebração da missa e não teria se tratado de uma ocupação, porque "o espaço é aberto a todas as pessoas”. Durante o ato, um diácono responsável pela igreja solicitou que os manifestantes fossem para outro local, sob a justificativa de que o ato não deveria coincidir com a saída dos religiosos da missa que havia se encerrado.

A disputa começou na saída da missa, quando alguns fiéis reclamaram do barulho dos manifestantes. Como a missa já tinha se encerrado, parte do grupo responsável pelo protesto entrou na igreja - símbolo da cultura negra em Curitiba. Novamente, não houve agressões.

No entanto, a Igreja Católica não gostou da entrada dos manifestantes. Em nota divulgada pela comunicação da Cúria, chamou os atos do sábado de "invasivos, desrespeitosos e grotescos". O texto é assinado pelo arcebispo de Curitiba, Dom José Peruzzo. Na Câmara Municipal, adversários de Renato Freitas aproveitaram o momento para mais uma vez pedir a cassação do vereador, que já enfrentou um processo no Conselho de Ética neste mandato.

Exaltação do amor

Diante das críticas da igreja, o mandato do vereador Renato Freitas publicou uma nota dizendo que o ato foi pacífico e que a intenção era apenas "exaltar o amor". "Como parte simbólica da manifestação, entramos juntos na Igreja que estava vazia, de forma pacífica, relembrando que nenhum preceito religioso supera o amor e a valorização da vida", diz o texto.

"Pacificamente, assim como entramos na igreja, saímos e seguimos com a manifestação, reivindicando políticas públicas para imigrantes e de combate ao racismo na cidade. Nos surpreende perceber que exaltar o amor e a valorização da vida em uma igreja causa mais indignação que o assassinato brutal de dois seres humanos negros no Brasil."

Enfrentamento na Câmara

Na sessão da Câmara desta segunda-feira (7), o caso repercutiu. O vereador Osias Moraes (Republicanos), que é pastor, disse que mandaria prender as pessoas se isso ocorresse na igreja dele. Nas redes sociais, o líder do prefeito na Câmara, Pier Petruzziello (sem partido), informou que vai pedir a cassação de Freitas. "Vereador deve lutar pela defesa do patrimônio material e imaterial da cidade. Nesse caso, violou os dois", disse.

O próprio prefeito Rafael Greca (DEM) se meteu no imbróglio. Respondendo um internauta no Facebook. Afirmou que o caso cabe ao Legislativo e ao Judiciário, mas citou o artigo 208 do Código Penal, que prevê penas para quem "perturbar culto religioso".

Aline Reis

Aline Reis

Jornalista e especialista em Gestão da Comunicação, Assessoria e Marketing pela Universidade Positivo (UP). Mestra em Estudos de Linguagens pela UTFPR. Presidenta do Sindicato de Jornalistas Profissionais do Paraná.

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