O Paraná terá mais quatro anos de uma Assembleia Legislativa conservadora. As eleições de 2022, realizadas neste domingo (2), darão posse, de novo, a uma maioria esmagadora de deputados de partidos da direita e da centro-direita, com toque mais acentuado de extremismo reacionário no debate de pautas de costume e de políticas sociais.
O número de mulheres bateu recorde, com 10 eleitas, e a representação da esquerda subiu levemente, mas seguirá pequena, sem força para se opor à base acachapante organizada por Ratinho Jr. Dentre os 43 atuais deputados que tentaram a reeleição, 30 terão um novo mandato. O índice de renovação foi de 44,4%, superior ao que ocorreu nos dois últimos pleitos, apesar de na fatia estarem nomes de velhos conhecidos.
Leia mais: Vagas na Assembleia ficaram caras demais para nanicos
O PSD, partido do governador, garantiu 15 candidatos. Siglas aliadas, União Brasil, PL e PP somam outros 17 eleitos, praticamente o suficiente para a aprovação sem dor de cabeça do que Ratinho quiser, desde as propostas de maioria simples, como os projetos ordinários, até os que exigem maioria qualificada de votos, caso de Propostas de Emenda à Constituição.
A composição mantém, assim, o mar em condições de calmaria para o segundo mandato de Ratinho. Da proa, a base do governo dará a bênção e balizará propostas que já vêm se desenhando. A terceirização das merendas nas escolas é pauta dada como certa. A força aliada será mais do que suficiente para minimizar polêmicas em torno do novo pedágio, de novas privatizações e das investidas na contramão de leis ambientais, muitas já levadas à Justiça.
Também na Educação, a base será um suporte necessário para desviar o barulho de um suposto derretimento dos colégios cívico-militares caso o ex-presidente Lula seja eleito no segundo turno. O PT já manifestou contrariedade ao programa.
Menos partidos
Dentro da Assembleia Legislativa do Paraná, o Partido dos Trabalhadores passou de 4 para 7 nomes e assume a segunda maior bancada partidária.
Ao todo, foram eleitos para assumir mandato na Assembleia Legislativa do Paraná a partir de 2023 candidatos de 14 partidos diferentes, um conjunto consideravelmente menor do que em 2018, quando 21 compuseram o leque das legendas. Hoje, no fim da 19ª Legislatura, a composição do legislativo já é de menos siglas - 12, no total -, quadro reformulado após alterações nas regras eleitorais e que influenciaram a remodelação política dos candidatos para o pleito deste ano.

Esta é a primeira eleição geral sem coligações partidárias. O mecanismo que permitia às legendas se unirem para somar votos e aumentar as chances de um bloco maior de cadeiras deixou de existir para eleições proporcionais já em 2020. Com a mudança, o voto dado a um candidato para deputado e vereador passou a ser considerado apenas ao partido ao qual ele é filiado - sendo o total de votos da sigla aplicado ao cálculo para definir quantas cadeiras ela terá e quais os nomes que as ocuparão. Antes, candidatos coligados entravam no arranjo; agora, não mais.
Leia mais: Barros quer prisão por pesquisa errada. Mas o tracking de Bolsonaro acertou?
No Paraná, a estratégia desenhada diante da nova lógica provocou uma debandada de deputados aliados para o PSD de Ratinho Jr, o que ajuda a explicar, em partes, a manutenção de peso da bancada correligionária na Alep.
A redução da fragmentação partidária e, indiretamente, a recomposição das disputas políticas era uma das principais propostas da mudança na legislação eleitoral. A expectativa nacional é que partidos sem tanta representação devessem ver suas bancadas diminuírem nestas eleições ou até mesmo desparecerem. No Paraná, PV e PTB, por exemplo, que elegeram representantes nas eleições passadas, não terão nomes na Casa pelos próximos quatro anos.
Bancada feminina
Por outro lado, a representação de mulheres será a maior em toda a história da Alep. Dez nomes femininos foram eleitos neste domingo.
Os paranaenses reelegeram Cristina Silvestri e Mabel Canto, do PSDB; Luciana Rafagnin, do PT; Cantora Mara Lima, do Republicanos; e Maria Victoria, do PP. A elas, se juntam a partir do ano que vem Ana Julia, do PT; Secretária Márcia e Cloara Pinheiro, PSD; Flávia Francischini, do União Brasil, e Marli Paulino, do Solidariedade.
O crescimento ocorre em um momento de mais protagonismo e reivindicação das das deputadas. Em agosto deste ano, as atuais parlamentares conseguiram criar a bancada feminina, o que garante, a partir de agora, a participação das mulheres na composição da Mesa Diretora da Casa.
Bolsonarismo e pró-armas avançam
A próxima legislatura será também mais reacionária, sobretudo na pauta de costumes. As eleições mostraram um nítido avanço do reacionarismo atrelado ao movimento bolsonarista - algo que já era uma realidade evidente na Alep.
O advogado Cesar Mello, candidato oficial do movimento pró-armas, foi eleito com mais de 28 mil votos. Samuel Dantas, ex-policial do Bope da Polícia Militar do Paraná deve se juntar à bancada da bala já ativa na Casa, assim como Flávia Francischini, que não conseguiu herdar os votos massivos do marido, o deputado cassado Fernando Francischini, mas conquistou uma vaga.
Leia mais: Movimento pró-armas elege deputados no Paraná
O delegado da Polícia Civil do Paraná Tito Barrichello, com uma imagem de campanha focada em armas e no lema "bandido bom é bandido morto" foi eleito com 58.766 votos.
Fabio Oliveira, candidato lavajatista para o legislativo do Paraná, também terá uma cadeira garantida a partir do próximo ano.