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Homem que agrediu músico negro pede adiamento do depoimento, mas fala à TV

Advogada que representa Paulo César Bezerra da Silva pediu adiamento do depoimento para esta quarta-feira porque ainda não estava habilitada no processo

Homem que agrediu músico negro pede adiamento do depoimento, mas fala à TV
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O depoimento do homem que espancou o músico Odivaldo Carlos da Silva, o Neno, em Curitiba, na última semana, previsto para ontem, deve acontecer nesta quarta-feira (30). Isso porque a advogada contratada por ele não estava habilitada no processo e pediu a mudança da data. No mesmo dia, porém, Paulo César Bezerra da Silva deu entrevista no programa Tribuna da Massa.

Imagens das câmeras de segurança mostram o agressor usando um cassetete para agredir o músico que caminhava pela rua dr. Fraive. Testemunhas afirmaram que ele usou termos racistas e afirmava que “preto tinha que morrer”. Além disso, também incitou um cachorro a atacar a vítima.

O criminoso afirmou que “pessoas fizeram a cabeça” da vítima para que ela registrasse o caso como racismo. E disse que está sofrendo ameaças na rua. “Ele [Neno] está mentindo”.

Silva deve ser indiciado por tentativa de homicídio qualificado por motivação racial e há relatos de moradores da região de que ele age de forma violenta contra pessoas em situação de rua e negros, embora se defenda da acusação de racismo. “Independente ser era preto, branco, amarelo ou azul eu ia bater do mesmo jeito”.

Silva já foi acusado de outros crimes como furto, ameaça, agressão. Em 2019, usando o mesmo método de espancamento, quase assassinou outro homem no bairro São Braz. Apesar do histórico violento, atualmente o acusado trabalhava como segurança.

Ele contou que o motivo das agressões foram um desentendimento anterior e que já conhecia a vítima e disse que é alcoolista, por isso agiu de maneira agressiva.

Protesto

Nesta terça-feira (29) amigos, familiares e defensores dos Direitos Humanos estiveram em frente à delegacia onde o agressor prestaria depoimento.

Também está previsto um ato no dia 4 para cobrar as autoridades para mais celeridade no caso. Uma das críticas é sobre o acusado estar em liberdade. A PM, que atendeu a ocorrência no dia, permitiu que ele assinasse a um termo circunstanciado e o liberou na sequência.

“O correto seria o acusado ter sido encaminhado para a delegacia e lá o delegado averiguar se era caso de termo circunstanciado ou não. A PM não pode decidir isso”, criticou o advogado da vítima, José Portella.

Aline Reis

Aline Reis

Jornalista e especialista em Gestão da Comunicação, Assessoria e Marketing pela Universidade Positivo (UP). Mestra em Estudos de Linguagens pela UTFPR. Presidenta do Sindicato de Jornalistas Profissionais do Paraná.

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