Pular para o conteúdo

Governo do Paraná irrita classe cultural com formato proposto para bolsa

Segundo artistas, projeto se mostra excludente na distribuição dos recursos

Governo do Paraná irrita classe cultural com formato proposto para bolsa
Publicado:

O governo do Paraná lança nesta nesta terça (21) a ideia de uma Bolsa Qualificação para trabalhadores do setor cultural do estado. A medida visa contemplar 12 mil pessoas da área por meio da Lei Aldir Blanc. A decisão surpreendeu negativamente os profissionais do setor por ignorar um projeto de lei construído pela classe com apoio de deputados (PL 168/21), que propõe a criação do Bolsa Cultura Paraná, projeto que está há semanas sendo analisado por parlamentares.  

A nova proposta do governo revoltou artistas e técnicos que estavam aguardando o desenrolar do processo na Comissão de Constituição e Justiça da Assembleia Legislativa. Agora todo o setor de cultura está em campanha nas redes sociais para que a medida seja revista.

Diferenças entre as bolsas

A Bolsa Cultura Paraná, idealizada pela Frente Ampla SOS Cultura Paraná, tem como principal objetivo fazer com que a verba disponibilizada pela Lei Aldir Blanc chegue a toda a cadeia de produção cultural. Isto é, abranger todos os trabalhadores do ramo. Na proposta, os autores alegam que a lei se mostrou excludente na distribuição dos recursos, fazendo com que, das 100 funções profissionais ligadas ao meio cultural, apenas meia dúzia recebesse o auxílio. O projeto propõe que, em vez de ocorrer por meio de editais, os bens sejam concedidos através de bolsas por doação civil. 

A Bolsa Qualificação, proposta pelo governo do estado, funciona de forma diferente. Serão disponibilizadas vagas em cursos de qualificação no sistema de Ensino a Distância, via Universidade Federal de Ponta Grossa (UEPG), com distribuição de vagas proporcional à população de cada macrorregião. As aulas serão de qualificação em políticas públicas de incentivo à Cultura. Cada contemplado receberá R$ 3 mil divididos em três parcelas de R$ 1 mil, devendo obrigatoriamente assistir a todas as aulas do curso, o que totaliza aproximadamente 120 horas de estudo.

Projeto limitado?

Por mais que possa parecer atrativo oferecer bolsa e qualificações, a proposta se mostra restrita aao impor como pré-requisito a participação dos beneficiados em um curso on-line. Isso porque, após 15 meses sem trabalhar, muitos não têm os recursos necessários para comparecer às aulas.  

Para Gehad Hajar, ator e idealizador do Bolsa Cultura, a obrigatoriedade das aulas torna o benefício inacessível para grande parte dos trabalhadores: “É por si só excludente. Somente por ser nessa plataforma virtual, nós já tiramos quase toda a velha guarda. Todo o pessoal com quem aprendemos a ser quem somos como artistas e técnicos. Da nova e média guarda muitos já venderam os telefones celulares. Já soubemos de técnicos que fizeram isso para comprar remédio para o filho. A maioria, senão quase todos, estão sem Internet. Por ser digital, já excluiu todos esses. O pessoal que tem acesso aos editais [da Lei Aldir Blanc] são os mesmos que estão sendo contemplados agora. Os mesmos.”

Elaboração às escondidas

Outro ponto que causou grande revolta entre os envolvidos foi a forma que a Bolsa Qualificação foi elaborada. O projeto foi divulgado antes mesmo da reunião que o deputado Hussein Bakri (PSD) solicitou após o pedido de vistas sobre a proposta do Bolsa Cultura. “Do nada, a gente recebe o comunicado de que a Bolsa Qualificação vai ser lançada justamente no dia da sessão da CCJ que estaria prometida a discussão da PL. Justamente no dia, a Bolsa Qualificação vai ser apresentada para a comunidade. É assim, né? De cima pra baixo, sem nenhum debate, a porta fechadas”, manifesta Verônica Rodrigues, atriz, empreendedora cultural e coordenadora da Frente SOS Cultura.

SOS Cultura Paraná

O SOS Cultura Paraná é uma Frente Ampla de sindicatos, movimentos sociais, grupos e eventos artísticos, coletivos culturais e empresas produtoras de conteúdo cultural, todos em união para pensar políticas públicas que atendam o setor da cultura nesta realidade de pandemia.

Para dar mais visibilidade à causa, o movimento conta com uma ampla campanha na internet. Além da divulgação de um manifesto e de uma carta aberta em seu site, os organizadores já mobilizaram um abaixo-assinado que conta, até o momento, com mais de 2.400 assinaturas. Como resposta ao Bolsa Qualificação, o grupo agora aposta na divulgação de materiais visando o apoio do público. Confira abaixo um dos vídeos produzidos:

https://youtu.be/jmteI5w3R_Y

Mais em Vizinhança Curitiba

Ver todos

Mais de Jullyanapm

Ver todos

De nossos parceiros