Durante a semana, em meio a rotina atribulada, almoço na rua. Nos restaurantes por quilo, nas imediações da Rua XV. Dos melhorzinhos aos meia-boca e os de baixa qualidade, já experimentei todos. A depender do paladar do dia e do bolso. Final do mês minha frequência aumenta nos quilos da baixa ou mesmo baixíssima gastronomia, aqueles que você tem de abstrair o lugar quando a coisa é servida.
E olha que eu já comi em algumas biroscas esquisitas até na China, se vocês querem saber. E, sem querer sem preconceituoso, mas admitindo que o tempero por lá (ao menos nos lugares em que estive), infelizmente (e eu me aventurei de bom grado), não caiu bem no estômago. Mas vou falar o quê? Tem semanas que a coisa não é nada fácil também por aqui, nas búracas do nosso centro.
Ainda mais para um bom garfo como eu que tantas vezes idealiza sabores irresistíveis de gastronomias estreladas, massas ao dente com molhos suculentos, carnes nobres, frutos do mar com ervas, o frescor de saladas coloridas, frutas secas, confeitos requintados, tortas clássicas, chocolates suíços. Tudo isso, no entanto, perde de longe daquela que é conhecida como a verdadeira comidinha caseira à brasileira?
O que pode haver de melhor? Tragam-me os cardápios de entradas dos melhores botequins de Curitiba, com seus frango à passarinho, pastéis de queijo e carne desfiada, cubos de mignon na mostarda, carne de onça, bolinho de bacalhau, pancetinha de torresmo, polenta sequinha com queijo ralado. Tragam-me o que for, antepastos de patê, ricota com gorgonzola, tomate seco, azeitonas pretas, caponata de berinjela, salaminhos e queijos variados. Nada disso chega aos pés da comida da casa da gente.
Melhor ainda, aliás, se for a comida da casa da mãe da gente. Comida feita nas panelas de sabe-se lá quantos anos, gastas de tanto uso. Servida no jogo de pratos que resistiram ao crescimento dos netos. Quem de nós será o primeiro desastrado a deixar uma gota do caldo de feijão pingar na toalha branca?
Entre as comidinhas caseiras, claro, o insuperável arroz com feijão e o que mais ele convida. Para mim funciona assim: coloco o arroz no prato. E o arroz convida o feijão. O feijão convida uma farofinha. A farofinha convida um ovinho frito com a gema mole. O ovinho frito com a gema mole convida um bife. O bife convida uma batatinha frita. E, para completar, chega de penetra uma bananinha picada.
Ah que beleza. Já repeti duas vezes. Estou satisfeito. Tudo o que eu quero agora é uma redinha balangando bem leve enquanto tiro uma sesta.