Nesta terça-feira (19) o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Paraná, e a Corregedoria da Polícia Civil (PC) cumpriram mandados de busca e apreensão em Curitiba, inclusive na casa de delegado Matheus Laiola, ex-chefe da delegacia de Proteção ao Meio Ambiente (DPMA) de Curitiba.
A ação integra a segunda fase da operação Mônaco, cuja primeira etapa ocorreu em julho do ano passado. A operação investiga crimes de concussão, ou seja, pedidos de vantagens indevidas por servidores públicos. As vítimas seriam donos de postos de combustíveis, que eram obrigados a pagar propina para não serem multados por crimes ambientais.
De acordo com o Gaeco, os fatos investigados ocorreram em fevereiro de 2019. Os mandados foram expedidos pela 4ª Vara Criminal de Curitiba. “A situação atual veio até o Gaeco por meio de uma denúncia que afirmava que na delegacia pediam dinheiro para não cumprir a função de fiscalização de empresas", disse o procurador de Justiça Leonir Batisti.
"Neste caso específico nós apuramos que o proprietário de uma rede de postos acabou sendo envolvido nesta situação, que lhe foi exigido pagamento de propina, tendo inclusive principalmente sendo levado um funcionário de um posto, obrigado a ir à delegacia e ficou lá por horas, até que o proprietário do posto conseguisse ajustar e, na oportunidade, e em face desta extorsão, ele acabou pagando dos R$ 50 mil exigidos, R$ 10 mil de propina”, afirmou.
Laiola – que é pré-candidato a deputado federal neste ano pelo União Brasil, usou as redes sociais para comentar a operação.
“Recebi na manhã desta terça-feira, agentes do Ministério Público na minha residência. Muito estranho, pois os motivos da visita não têm qualquer relação direta comigo. São fatos ocorridos há quase 3 anos e coincidentemente no período que me afastei da chefia da DPMA e me tornei pré-candidato a deputado federal, os agentes foram até a minha residência para cumprir o mandado de busca e apreensão. Sempre colaborando com qualquer investigação, entreguei os objetos solicitados. Reforço que estou sereno e confio plenamente na Justiça, no entanto, não iremos ficar calados diante de tal denúncia que partiu de pessoas maldosas e que nada fizeram pelo bem da comunidade”, diz a publicação.


Casas de outros três investigadores que à época estavam lotados na DPMA também receberam os policiais do Gaeco. No cumprimento dos mandados, foram apreendidos as quantias de R$ 29.255, mil dólares, uma arma de fogo, 16 celulares, documentos e equipamentos eletrônicos.
“Nós temos vários outros elementos: dentre os quais a existência de uma notificação, que entretanto era uma notificação nunca formalizada em nenhum lugar e também a interferência de pessoas ligadas ao posto para demonstrar que aquela situação não era sequer uma situação de irregularidade. Estes quatro mandatos hoje cumpridos são na casa de um delegado de polícia que então estava chefiando a referida delegacia e três investigadores que também estavam à época. Dois deles já estão aposentados e um deles já não se encontra na referida delegacia. Já houve uma busca e apreensão [na casa] de uma quinta pessoa. Neste caso também um investigador de polícia que teria participação nesta exigência, sob ameaça, de valores de empresário”, explicou Batisti.
Ao Plural, a Polícia Civil do Paraná mencionou, em nota que “a Corregedoria da PCPR conduz as investigações de cunho administrativo para apurar eventuais infrações por parte dos servidores” e ainda que “A PCPR pauta suas ações na retidão ética e técnico-profissional, não compactuando com desvios de conduta”.