Quatro funcionárias do Sindicato dos Servidores do Magistério Municipal de Araucária (Sismmar) estão afastadas por motivos de saúde, após denunciarem casos de assédio no local. O afastamento gera descontos nos salários e para pagar as contas elas estão vendendo uma rifa.
Cada número custa R$ 10 e o prêmio é uma airfryer. O sorteio será no dia 22 de agosto e para ajudar, basta entrar em contato pelo WhatsApp (41) 99609-4722.
De acordo com as funcionárias, o dinheiro será utilizado para despesas como água, luz, medicamento e transporte para atendimento médico. Segundo as trabalhadoras, elas estão sem auxílio do INSS, o que dificulta a situação.
Relembre
Em maio deste ano, o Sindicato dos Trabalhadores em Entidades Sindicais do Paraná (Sesocepar) apresentou denúncia contra o Sismmar ao Ministério Público do Trabalho (MPT), por assédio moral.

Conforme o documento, o Sismmar não remunerava as funcionárias seguindo o piso estadual (R$ 2.057,59), e adotando o salário-mínimo nacional, que é menor. Quando as funcionárias insistiram que a renumeração estava incorreta, começaram a ser vítimas de assédio moral.
O caso ganhou repercussão e ao menos três trabalhadoras pediram demissão. Outras quatro – que organizam a rifa – estão afastadas enquanto o processo tramita na Justiça.
Outro lado
Por meio de nota enviada pelo advogado, o Sismmar disse:
MANIFESTAÇÃO SOBRE LEVIANAS ACUSAÇÕES AO SISMMAR – SINDICATO DOS SERVIDORES DO MAGISTÉRIO MUNICIPAL DE ARAUCÁRIA
Responsável: Ludimar Rafanhim
Sempre acreditei que não é justo ficar inerte e omisso quando injustiças estão sendo praticadas em nossa sociedade.
Não posso ficar omisso sobre o que estou vendo conforme relato a seguir.
O SISMMAR e seus dirigentes estão sendo vítimas de grave injustiça resultante de acusações levianas e irresponsáveis.
A ninguém é dado ficar silente frente ao que está acontecendo e alimentado por dois veículos de comunicação de pequeno porte, um com sede física em Araucária e outro amparado em uma plataforma.
Nenhum deles procurou a direção da entidade sindical para saber a realidade dos fatos e de forma sensacionalista maculam a imagem de pessoas e entidade.
A entidade e dirigentes estão sendo acusados de algo que não fizeram, qual seja a prática de assédio moral em face das funcionárias da entidade sindical.
Parte das funcionárias da entidade alegaram que foram vítimas de assédio moral, mas até aqui nunca disseram quem foi assediador, quando e como ocorreu.
Conheço todas as funcionárias e ex-funcionárias do sindicato e sei do quanto são valorosas para a entidade, mas a sua condição não pode se transformar em instrumento político de outros para desgaste para entidade e seus também valorosos diretores eleitos pela categoria. As trabalhadoras não podem ser usadas como ferramenta para oportunistas que até já foram vítimas de ataques por gestões municipais anteriores.
Em nenhum momento as trabalhadoras do Sindicato procuraram a Direção para alertar da prática de assédio moral e pedir providências.
O suposto assédio sexual foi tratado com os cuidados e responsabilidades devidas para não expor a vítima e nem condenar previamente o acusado. A funcionária foi acolhida pelas diretoras e diretores do Sindicato para adotar as providências cabíveis e que hoje estão sob investigação pelas instituições públicas responsáveis pela questão. O suposto agressor afastou-se da direção e até se desfilou da entidade para que as investigações ocorram com isenção e serenidade. A exposição da empregada publicamente foi também de responsabilidade de pessoas alheias à direção sindical. Cabe aos ofendidos buscar a reparação de eventual dano na esfera cível e criminal.
A assembleia geral da categoria formou uma comissão de ética para investigar os supostos fatos.
As funcionárias do Sindicato tiveram acolhidos praticamente 100% dos pedidos na negociação coletiva e firmado acordo com a presença do presidente do Sindicato dos Empregados em Entidades Sindicais Profissionais do Estado do Paraná.
Nenhum direito das empregadas afastadas foi suprimido e elas buscam o auxílio doença junto ao INSS por seu afastamento já ultrapassar os 15 dias legais.
As empregadas tiveram também ampliada a estabilidade no emprego de seis meses após a posse da nova diretoria para até o término dos trabalhos da Comissão de Ética.
O Sindicato contratou profissional de saúde especializado para acolher e acompanhar as empregadas quando retornarem ao trabalho.
Saibam os oportunistas que estão prestando um desserviço para a luta dos trabalhadores e manutenção o Estado Democrático e de Direito.
Eu sempre me recordo de grupos políticos que em 2015 e 2016 diziam “nem Dilma e nem Temer” e o povo teve que amargar e continuar amargando com Bolsonaro.
É fundamental que os movimentos sociais apoiem o Sismmar nesse momento para que possa continuar fazendo a luta pelos profissionais da educação de Araucária e por toda a sociedade como sempre fez.
Para aqueles que pensam que não têm nada a ver com isso cito Bertold Brecht.
INTERTEXTO
Primeiro levaram os negros
Mas não me importei com isso
Eu não era negro
Em seguida levaram alguns operários
Mas não me importei com isso
Eu também não era operário
Depois prenderam os miseráveis
Mas não me importei com isso
Porque eu não sou miserável
Depois agarraram uns desempregados
Mas como tenho meu emprego
Também não me importei
Agora estão me levando
Mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo.
Ludimar Rafanhim
Advogado