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Natal entregue às pressas derruba presidente da Fundação Cultural em Foz do Iguaçu

Demissão de Dalmont Benites ocorre depois de atraso na montagem da decoração, questionamentos sobre contratação suspeita e cobranças judiciais

Natal entregue às pressas derruba presidente da Fundação Cultural em Foz do Iguaçu
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Dalmont Pastorelo Benites não responde mais pela Fundação Cultural de Foz do Iguaçu. A Prefeitura confirmou sua exoneração nesta segunda-feira (8), em decisão tomada menos de 24 horas depois de o município inaugurar o Natal das Cataratas com falhas visíveis na infraestrutura montada para o evento. A saída ocorre sem anúncio de substituto e encerra uma gestão marcada por um conjunto de desgastes. De atrasos operacionais à decisões judiciais que envolvem o prédio onde funciona a própria autarquia.

Diferentemente do que a gestão do prefeito General Silva e Luna (PL) havia prometido, trechos fundamentais da ornamentação do Natal das Cataratas não estavam concluídos às vésperas de sua abertura. Na Praça da Paz, principal ponto das atividades, luzes acenderam de forma irregular e figuras decorativas não foram ativadas. Em áreas adjacentes e corredores turísticos, como Avenida JK, Calçadão da Rua Rio Branco e Praça do Mitre, a instalação seguia incompleta, enquanto equipes faziam ajustes de última hora.

A causa direta do atraso está registrada em documentos oficiais. O contrato que dá base à decoração foi firmado em 27 de novembro, com início da execução no dia seguinte. Com pouco mais de uma semana para montar a estrutura central da programação de fim de ano, o serviço avançou sem alcançar o padrão anunciado pela gestão. O valor pago à empresa responsável é de R$ 2,4 milhões, por inexigibilidade de licitação com justificativa de fornecimento específico, no caso, decoração em bambu. O pacote total destinado à programação natalina em Foz soma R$ 4,5 milhões, após remanejamento emergencial do orçamento do Turismo, aprovado pelos vereadores.

A partir da inauguração, a crítica política ganhou força na cidade. A vereadora Valentina Rocha (PT) afirma que a Prefeitura produz um cenário de urgência para justificar contratações diretas. “Não é que falte tempo, é que ele é desperdiçado. A Prefeitura empurrou tudo para novembro e depois usou o prazo como argumento”, disse. Segundo ela, o problema não está restrito ao atraso, mas ao fato de que o Natal, previsto no calendário municipal, foi tratado de modo improvisado.

Pressão judicial sobre patrimônio reforçou desgaste

O desligamento de Benites ocorre enquanto decisões judiciais ampliam a exposição da Fundação Cultural e do prefeito General Silva e Luna. No fim de novembro, o Tribunal de Justiça do Paraná ordenou que o município apresentasse um plano técnico de restauração de um mural histórico apagado na fachada do prédio da Fundação, tombado como patrimônio municipal. A decisão proibiu novas intervenções no imóvel sem aval formal do conselho responsável e estipulou multa diária em caso de descumprimento. O Tribunal registrou que o prefeito homologou o tombamento e, portanto, tinha conhecimento das restrições legais.

Outro processo cobra explicações sobre o destino do monumento “Homenagem à Democracia na América Latina”, retirado durante ação de zeladoria sem registro público de encaminhamento. Além disso, o Conselho de Patrimônio determinou que a pintura aplicada no prédio da Fundação seja refeita dentro de 24 meses, após constatar alteração de tonalidades originais.

Prefeitura promete conclusão até dia 14

Em nota enviada à imprensa, a Prefeitura atribuiu os atrasos na entrega da decoração a “trâmites internos” e à adaptação ao novo sistema administrativo adotado pelo município. De acordo com a gestão, a empresa contratada tem prazo até o dia 14 para concluir todos os pontos previstos, com expectativa de finalização ainda nesta semana.

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