O presidente Lula afirmou que o acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia, tratado que pode criar a maior zona de comércio do mundo, deve ser assinado em 20 de dezembro, durante a Cúpula de Líderes do bloco sul-americano, marcada para Foz do Iguaçu. A confirmação foi dada neste domingo (23), em entrevista à imprensa em Joanesburgo, na África do Sul, após a reunião do G20.
Ao lado de Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, a União Europeia concluiu as negociações do acordo no fim do ano passado, após um processo iniciado há 25 anos. O pacote será dividido em dois instrumentos: um texto econômico-comercial, de vigência provisória, e um acordo mais amplo, sujeito à ratificação dos parlamentos nacionais.
Segundo Lula, o entendimento envolve “722 milhões de pessoas e cerca de US$ 22 trilhões em PIB”, o que, na avaliação do governo, torna o tratado o maior arranjo comercial já firmado entre blocos. O presidente afirmou que, após a assinatura, ainda haverá etapas políticas e técnicas até que os países passem a usufruir plenamente das regras pactuadas.
DIPLOMACIA
A assinatura deve acontecer em Foz do Iguaçu, conforme indicou Lula. A data coincide com o encontro dos chefes de Estado do Mercosul, que encerra o semestre em que o Brasil ocupa a presidência rotativa do bloco.
Caso a assinatura se concretize na tríplice-fronteira, Foz do Iguaçu retomará um papel central nos processos de integração sul-americana, posição que marcou momentos decisivos da diplomacia regional ao longo do século XX.
Em 1966, o município sediou a assinatura da Ata do Iguaçu, que estabeleceu as bases técnicas e políticas para o aproveitamento hidrelétrico conjunto do Rio Paraná, marco inicial da cooperação que décadas depois resultaria na Itaipu Binacional, símbolo da capacidade de articulação entre Brasil e Paraguai.
Quase vinte anos mais tarde, em 1985, Foz voltou a servir de ponte entre governos ao receber os presidentes José Sarney e Raúl Alfonsín para a assinatura da Ata de Foz do Iguaçu. O documento inaugurou uma nova etapa de aproximação entre Brasil e Argentina, então recém-saídos de regimes autoritários, e deu origem ao processo de integração que culminaria na criação do Mercosul em 1991.