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Governo do PR renegocia contrato com Itamed para evitar interrupção de partos em Foz do Iguaçu

Déficit de R$ 51,3 milhões sustenta saída em 60 dias e coloca cerca de 300 partos mensais sob risco na 9ª Regional

Governo do PR renegocia contrato com Itamed para evitar interrupção de partos em Foz do Iguaçu
Referência em gestação de alto risco, unidade negocia contrato com o Estado após anunciar possível saída dos partos de risco habitual. (Foto: Divulgação Itamed.)

O Governo do Paraná convocou a direção do Hospital Itamed para uma reunião nesta sexta-feira (10), em Curitiba, para renegociar o contrato da unidade e evitar a descontinuidade dos atendimentos de parto em Foz do Iguaçu. A informação foi confirmada pela assessoria do hospital nesta quinta-feira (9).

A convocação ocorre sete dias após o Itamed formalizar à Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), em 2 de abril, o aviso de despactuação dos partos de risco habitual. No comunicado, a unidade fixou prazo de até 60 dias para deixar de prestar o serviço e atribuiu a medida ao desequilíbrio econômico-financeiro da operação, sobretudo nos atendimentos ao Sistema Único de Saúde (SUS), que, segundo o hospital, são remunerados abaixo do custo.

De acordo com dados apresentados pelo próprio hospital, os atendimentos vinculados ao SUS geraram, em 2025, um custo aproximado de R$ 161,5 milhões, frente a um faturamento de R$ 52 milhões no contrato com o Estado. Mesmo com aportes adicionais, o resultado foi um déficit de R$ 51,3 milhões, absorvido com receitas de convênios e atendimentos particulares.

A Sesa afirma ter repassado mais de R$ 57 milhões ao hospital no último ano e classifica o Itamed como “parceiro fundamental” da rede pública. A pasta também reconhece a defasagem da tabela do SUS, apontada pela unidade como origem do desequilíbrio. O hospital, por sua vez, sustenta que o montante é insuficiente frente ao custo total da operação e afirma que, nas condições atuais, a manutenção do serviço se torna financeiramente inviável.

O Itamed atende partos de risco habitual para Foz do Iguaçu e Santa Terezinha de Itaipu e concentra a assistência de alto risco para toda a 9ª Regional de Saúde, que abrange ainda São Miguel do Iguaçu, Medianeira, Matelândia, Missal, Itaipulândia, Ramilândia e Serranópolis do Iguaçu. A unidade realiza, em média, cerca de 300 partos por mês.

Apesar do aviso de despactuação, o hospital pontua que o serviço segue em funcionamento. Os atendimentos de alto risco e os demais serviços da unidade permanecem sem alteração. O prazo de 60 dias passou a contar a partir do recebimento formal do ofício pelo Estado, e a eventual interrupção está condicionada à ausência de acordo. “O serviço não está suspenso. Anunciamos que, em 60 dias, poderemos deixar de ofertar esse atendimento, caso não haja mudança nas condições atuais”, informou a assessoria.

Na prática, o cronograma permanece aberto e depende do resultado da reunião em Curitiba. Caso haja avanço nas negociações, a despactuação pode ser revista ou suspensa. Sem acordo, o hospital mantém a previsão de encerrar os partos de risco habitual ao fim do prazo.

Em nota, a Sesa informou que mantém diálogo com a direção do hospital e com a Itaipu Binacional para buscar alternativas de financiamento e recomposição de recursos, diante da defasagem histórica da tabela do SUS. O governo também indicou que a negociação inclui a tentativa de recomposição junto ao Ministério da Saúde.

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